Comentário de Mercado

SOJA – Chicago volta a operar em alta, de 3 a 5 cents, a U$ 9,66/novembro, nesta manhã de quinta-feira, suportado pelas duas pontas do comércio. Primeiro, pela perspectiva de redução da oferta em razão de adversidades climáticas que assolam o coração do Meio Oeste na fase final de evolução das lavouras; e, segundo, pelo aumento do consumo na China, que vem retomando de forma acelerada a produção de suínos.
– O mercado opera em alta pela nona sessão seguida. Nesta arrancada, iniciada em 24 de agosto, os ganhos chegam a quase 7%. Desde o início de agosto a alta é superior a 8%. Os preços voltaram a se situar no melhor patamar desde o início do ano.
– Na sexta-feira da próxima semana, o USDA irá apresentar o relatório de oferta e demanda referente a setembro. O mercado começa a especular sobre os níveis de cortes na produtividade das lavouras dos EUA em razão de certa deterioração das condições climáticas.
– O relatório de acompanhamento de safra desta segunda-feira mostrou queda de mais três pontos na qualidade das lavouras em comparação com a semana anterior. De acordo com o USDA, 66% são consideradas boas/excelentes. Na mesma época do ano passado o índice era de 54%. Noventa e cinco por cento das áreas está em formação de vagens e 8% em maturação.
– O USDA acaba de divulgar que as exportações de soja dos EUA somaram, na semana passada, 1,85MT – acima da expectativa dos participantes.
– No mercado interno, os preços se mantêm firmes, definidos essencialmente pela demanda local. Porém, o volume de negócios é escasso e pontual, com preços oscilando acima da paridade internacional em praticamente todas as regiões.
– Nos portos, prêmios (na faixa de 165/190) e câmbio continuam promovendo suporte para os preços. Indicações de compra no oeste do estado do PR na faixa de R$ 135,00/136,00. Em algumas regiões interioranas do RS há relatos de negócios na faixa de R$ 140,00.

MILHO – CBOT opera estável nesta manhã de quinta-feira, a U$ 3,58/dezembro. Desde o início de agosto, o preço do milho subiu 9% na bolsa norte-americana. A BMF opera em R$ 57,27 (-0,23%)/Setembro.
– O destaque desta semana no cenário internacional é o clima norte-americano, que ainda se apresenta adverso, com previsão de poucas chuvas para as áreas mais secas. Outro ponto de destaque é o rápido aumento dos plantéis de suínos na China, implicando em expressivo incremento da demanda por milho.
– A China passa por um momento delicado no abastecimento interno de milho. Devido aos problemas causados pela covid-19 e pela peste suína africana, gerou-se muita insegurança alimentar, com preços inflacionados, chegando aos níveis mais altos em uma década.
– Além deste cenário, segundo a agência Reuters, há temores de que a China possa enfrentar uma nova escassez de milho já na safra 2020/21, podendo chegar a um déficit de 10%, o que corresponde a cerca de 30MT. A produção está projetada em 266,5MT, em linha com os últimos anos; porém, o Ministério da Agricultura da China projeta forte aumento do consumo.
– O USDA acaba de informar que as exportações de milho dos EUA, na última semana, somaram 2,48MT, volume acima das expectativas.
– O line-up dos portos brasileiros projeta exportação de milho em setembro em 4,77MT. No acumulado da temporada, de fevereiro a outubro, a estimativa é de embarques de 17,8MT.
– No mercado interno, os preços apresentam certo recuo, depois de testar os níveis mais altos da temporada. O volume de ofertas tem sido maior nos últimos dias, com retorno dos produtores ao mercado. A queda, porém, é limitada pela boa liquidez na exportação, que acaba determinado um piso para os preços.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 53,00/53,50 por saca, dependendo de localização e prazo. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 57,00/58,00 por saca.
CÂMBIO – Opera em queda neste momento, na faixa de R$ 5,32. Ontem fechou em R$ 5,358. (Granoeste – Camilo / Stephan).