Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em leve queda, a U$ 9,78/novembro, nesta manhã de quinta-feira. Depois de 12 sessões de alta, postado na boa demanda chinesa e em adversidades climáticas no Meio Oeste, o mercado atingiu o melhor patamar em dois anos. Investidores buscam se desfazer de parte das posições, o que acaba gerando certa pressão momentânea sobre os preços. Mas isto não mexe com as raízes positivas deste momento.
– O mercado também busca posicionar-se para o relatório de oferta e demanda de setembro, que será apresentado pelo USDA nesta sexta-feira. A expectativa é que haja corte de pelo menos 4,0MT, para 116,5MT, na colheita dos EUA. Isto terá implicações nos estoques finais, tanto locais quanto globais.
– As lavouras norte-americanas vêm apresentando queda de qualidade nas últimas semanas, resultado de vendavais em estados centrais de produção e, ultimamente, em razão do clima quente e seco no coração do Meio Oeste. O USDA avalia que 65% das lavouras se encontram em boas/excelentes condições; há um mês atrás este índice era superior a 70%. Porém, ainda está bem acima dos 55% de um ano atrás. Vinte por cento das áreas entraram em maturação, ante 7% de um ano atrás e 16% de média histórica.
– Navios posicionados nos portos brasileiros indicam que haverá embarques da ordem de 4,3MT de soja em setembro. Os negócios estão praticamente paralisados; porém, esta linha de embarques é resultado de operações realizadas em meses anteriores. As estimativas indicam exportações entre 85/88MT neste ciclo.
– Para a próxima temporada, o IMEA prevê a produção do Mato Grosso em 35,2MT. O Instituto estima que 55,9% da safra, que começa a ser semeada nos próximos dias, já esteja comercializada; estima também que 3,6% da colheita prevista para 2021/22 já tenha sido negociada.
– A Conab acaba de divulgar o relatório de safra de setembro, estimando a colheita de soja deste ano em 124,8MT, um acréscimo de 3,9MT, sobre a estimativa de agosto, que foi de 120,9MT – para isto, houve mudança de alguns critérios. No ano passado a colheita ficou em 119,7MT.
– No mercado interno, os negócios seguem lentos. Os preços se mantêm firmes, com lotes disponíveis sendo absorvidos pelas indústrias, cujas indicações de compra estão acima da paridade de exportação em praticamente todas as regiões. Câmbio bem sustentado e prêmios na faixa entre 165/180 também promovem suporte.
– Indicações de compra no oeste do estado do PR na faixa de R$ 135,00/136,00 por saca.

MILHO – CBOT opera em leve alta nesta manhã de quinta-feira, a U$ 3,62/dezembro, em meio às expectativas para o relatório de oferta e demanda, que será divulgado amanhã.
– O mercado aguarda um agressivo corte, de cerca de 11MT, na produção dos EUA. A nova atualização deverá ser impactada pelos fortes vendavais que atingiram os estados de Iowa e Illinois no início de agosto, bem como pelo clima quente e seco das últimas semanas.
– Consultores ouvidos por agências de notícias estimam que a colheita deverá ficar em 377MT, ainda assim um volume superior aos 346MT do ano passado. Os estoques também estão previstos em queda, com redução entre 7,0 e 8,0MT.
– A Conab acaba de divulgar a atualização de safra referente a setembro. A produção de milho deverá deste ano deverá totalizar 102,5MT, sendo 25,7MT da primeira safra; 75,1MT da segunda safra e 1,7MT da terceira safra (basicamente do Nordeste).
– No mercado doméstico, os preços voltam a reagir, depois de certa pressão vivida na semana anterior. De maneira geral, os produtores estão limitando o volume ofertado, levando em conta as perspectivas futuras de preço e diante da capitalização alcançada com o forte ritmo e excepcionais ganhos auferidos com a soja.
– No oeste do estado foi observado interesse de compra entre R$ 54,00/56,00 por saca, dependendo de localização e prazo. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 56,50/57,50 por saca.
CÂMBIO – Opera em alta neste momento, na faixa de R$ 5,32. Na sessão de ontem, fechou em R$ 5,302. (Granoeste – Camilo / Stephan).