Comentário de Mercado

SOJA – Chicago abre a semana em alta, de 4 a 6 cents, a U$ 10,03/novembro. O mercado adotou um tom francamente positivo desde o início de agosto diante da perda de qualidade das lavouras norte-americanas e diante do aumento da demanda chinesa.
– Os preços rompem a barreira dos U$ 10,00 por bushel na posição presente, nível que não se via desde junho de 2018. Há espaço para novas altas na medida em que grande parte das lavouras ainda está na fase de enchimento de grãos e o clima segue quente e seco em bolsões do Meio Oeste.
– As compras por parte da China continuam a todo vapor. Na primeira semana de setembro foram registradas negociações em volume superior a 3,0MT e, na semana passada, houve reportes diários de negócios.
– De acordo com o último boletim de exportações, o USDA informa que as vendas externas de soja dos EUA, para 2020/21, já chegam a 29,9MT, contra apenas 9,5MT do mesmo período do ano passado.
– Na última sexta-feira, o USDA divulgou o relatório de oferta e demanda de setembro, confirmando perda de produtividade das lavouras em consequência do clima adverso. A produção dos EUA foi estimada em 117,4MT, corte de 3,0MT sobre o mês anterior. O volume, porém, é bastante superior à colheita da safra anterior, que ficou em 96,7MT.
– Em consequência, os estoques finais são avaliados em forte queda e devem se situar em 12,5MT, ante 16,6MT previstos em agosto e 15,6MT do ciclo passado.
– Para a temporada 2020/21, o Brasil tem sua estimativa de produção elevada em 2,0MT, para 133,0MT, com exportações avaliadas em 85,0MT.
– A produção mundial está prevista em 369,7MT, ante 370,4MT de agosto. Na última temporada, a produção global ficou em 337,3MT.
– As importações da China seguem avaliadas em 98,0MT para este ano e em 99,0MT para o próximo.
– Negociações no mercado doméstico tendem a ser manter lentas pelo restante da temporada. Com a antecipação do período de entressafra, determinada pelo forte ritmo das exportações, os preços tendem a se manter altos, acima da paridade internacional em todas as regiões. Os lotes, em geral, tendem a ser absorvidos pelas indústrias para abastecimento interno de farelo e óleo. Preços em Chicago firmes, câmbio bem sustentado e prêmios na faixa entre 170/185 também promovem suporte, um piso para os preços internos.
– Indicações de compra no oeste do estado do PR na faixa de R$ 136,00/138,00 por saca, dependendo de local de embarque e de prazo de pagamento.

MILHO – CBOT opera em leve alta, a U$ 3,70/dezembro, nesta manhã de segunda-feira em meio ao aumento da demanda chinesa e redução da produtividade das lavouras norte-americanas. BMF opera em alta de 0,6%, a R$ 60,45/novembro.
– De acordo com o USDA, o clima adverso desde o início de agosto, com vendavais em estados centrais e clima quente e seco na sequência deixou sequelas negativas, com cortes expressivos nos volumes de produção.
– No relatório de oferta e demanda de setembro, apresentado na última sexta-feira, o USDA cortou em cerca de 11,0MT a colheita de milho dos EUA, para 378,5MT. Ainda assim, a safra ficará acima dos 346,0MT do ano passado.
– Com isto, houve uma revisão generalizada dos estoques finais. Nos EUA, passam a ser previstos em 63,6MT, ante 70,0MT em agosto. No ano anterior os estoques finais eram de 57,2MT.
– De agosto para setembro, a estimativa de estoques finais globais cai cerca de 11,0MT, para 306,8MT. No ciclo passando ficaram em 309,1MT.
– As exportações de milho dos EUA seguem aceleradas na nova temporada, recém-iniciada. De acordo com o último boletim, as vendas externas já alcançam 18,9MT, ante 7,2MT do mesmo intervalo do ciclo passado.
– A produção brasileira para a temporada 2020/21 está prevista em 110,0MT, aumento de 3,0MT em relação a agosto. A colheita deste ano foi avaliada em 102,0MT, ante 101,0MT de agosto. As exportações estão estimadas em 34,0MT neste ano e em 39,0MT para a próxima temporada.
– No mercado doméstico, os preços se apresentam firmes, depois de certa pressão vivida na virada do mês. De maneira geral, os produtores estão limitando o volume ofertado, levando em conta as perspectivas futuras de preço e diante da capitalização alcançada com o forte ritmo e excepcionais ganhos auferidos com a soja.
– No oeste do estado, interesse de compra entre R$ 54,00/56,00 por saca, dependendo de localização e prazo. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 57,00/58,00 por saca.
CÂMBIO – Opera em leve queda neste momento, na faixa de R$ 5,31. Na sessão anterior, fechou em R$ 5,336. (Granoeste – Camilo / Stephan).