Comentário de Mercado

SOJA – Chicago segue a trajetória de alta, com mais 3 a 5 cents, a U$ 10,03/novembro, nesta manhã de terça-feira. A retórica que dá sustentação aos preços segue a mesma: lavouras norte-americanas que perdem potencial produtivo e firme demanda por parte da China.
– O mercado mostra raízes para se firmar acima de U$ 10,00/bushel, melhor patamar em mais de dois anos, focado no clima adverso em extensas regiões do coração do Meio Oeste e no aumento do consumo.
– A semana começa com relatos de novas e expressivas vendas, em volume de cerca de 450 mil tons, dos EUA para o exterior. Presume-se que grande parte tenha a China como destino.
– No fim da tarde de ontem, o USDA informou que 63% das lavouras se encontram em boas e excelentes condições, queda de dois pontos em relação à semana anterior. O índice ainda é melhor do que os 55% verificados na mesma semana do ano passado, mas indica perda de qualidade na reta final de evolução das plantas. Vinte e seis por cento das áreas são consideradas regulares e 11%, ruins/péssimas, ante 32% e 14%, respectivamente, da mesma semana de 2019.
– Em relação ao estágio, 37% estão na fase de maturação, ante 13% de um ano atrás e 31% de média histórica.
– As exportações brasileiras de soja, nas duas primeiras semanas de setembro, somaram 1,58MT, informa a SECEX. Na temporada, iniciada em fevereiro, o volume chega a 78,4MT, ante 60,2MT do mesmo intervalo do ano passado.
– Negociações no mercado doméstico devem se manter calmas pelo restante da temporada. Com a antecipação do período de entressafra, determinada pelo forte ritmo das exportações, os preços tendem a se posicionar acima da paridade internacional em todas as regiões. A partir de agora, os lotes, em geral, serão absorvidos pelas indústrias para abastecimento interno de farelo e óleo.
– Também, as negociações para a safra nova se encaminham para manter-se em lentidão, depois do forte ritmo observado entre os meses de março e julho.
– Preços em Chicago firmes, câmbio bem sustentado e prêmios na faixa entre 170/185 ajudam a promover suporte, um piso para os preços internos.
– Indicações de compra no oeste do estado do PR na faixa de R$ 135,00/136,00 por saca, dependendo de local de embarque e de prazo de pagamento.

MILHO – CBOT opera em leve baixa, a U$ 3,67/dezembro, nesta manhã de terça-feira. O mercado é pressionado por certa realização de lucros; porém, as vendas nos futuros são limitadas pela boa demanda e pela piora de um ponto percentual na qualidade das lavouras norte-americanas. A BMF opera em leve baixa, a R$ 59,75 (-0,35%) /Novembro.
– A colheita de milho dos EUA teve início na última semana e já atinge 5% da área cultivada. Em igual período no ano anterior, o índice era de 3%, com média histórica de 5%; 89% das lavouras está na fase de enxugamento dos grãos, ante 64% do ano passado e média de 72%; 41% está na fase de maturação, ante 16% do ano anterior e média de 32%.

– As lavouras consideradas boas/excelentes tiveram perda de qualidade de um ponto percentual no decorrer da última semana, avaliadas agora em 60%. O mercado esperava a manutenção dos 61%. A condição média/regular se manteve igual ao da semana prévia, em 25% e a ruim/muito ruim teve incremento de um ponto, passando para 15% na semana atual. As condições do ano passado eram: boas/excelentes, 55%; médias/regulares, 31% e ruins/muito ruins, 14%.
– A colheita brasileira do milho safrinha está praticamente concluída, com alguns estados tendo já finalizado os trabalhos, como no Mato Grosso e em Goiás. Nos demais, os percentuais são: 98,6% no Paraná, 96,7% em São Paulo, 94,1% em Minas Gerais e 92,3% no Mato Grosso do Sul.
– A Secex informa que, nas duas primeiras semanas de setembro, as exportações de milho chegaram a 3,07MT. Na temporada, que começou em fevereiro, o volume alcança 14,94MT, ante 22,2MT do mesmo período do ano passado.
– O plantio da safra brasileira de verão chega a 19,1%, ante 16,2% da mesma data do ano passado. O levantamento é da consultoria Safras & Mercado. No RS, a área semeada alcança 52,9%; SC, 12% e PR, 6%. Com clima adverso os demais estados ainda não deram largada nas atividades de plantio.
– No mercado doméstico, os preços se apresentam firmes, depois de certa pressão vivida na virada do mês. De maneira geral, os produtores estão limitando o volume ofertado, levando em conta as perspectivas futuras de preço e diante da capitalização alcançada com o forte ritmo e excepcionais ganhos auferidos com a soja. Por outro lado, as integrações estão relativamente bem abastecidas e ainda recebendo volumes negociados na modalidade antecipada.
– No oeste do estado, interesse de compra entre R$ 54,00/55,00 por saca, dependendo de localização e prazo. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 57,00/58,00 por saca.
CÂMBIO – Opera em leve queda neste momento, na faixa de R$ 5,24. Na sessão anterior, fechou em R$ 5,276. (Granoeste – Camilo / Stephan).