Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em leve queda, de 2 a 4 cents, a U$ 10,40/novembro neste momento desta segunda-feira. Nas últimas cinco semanas, os preços tiveram uma arrancada superior a 15% (quase 5% somente na última semana) e chegaram ao melhor momento em mais de dois anos, se postando acima dos U$ 10,00/bushel. Este patamar não era visto desde o início da guerra comercial entre China e EUA.
– Apesar de vendas técnicas e certo recuo momentâneo, o mercado segue sustentado pela expressiva demanda chinesa, que voltou com ímpeto maior do que aquele observado no período pré-guerra comercial. De acordo com o USDA, os EUA já venderam para o exterior 32,3MT de soja da nova temporada, ante apenas 11,2MT do mesmo período do ano passado.
– A demanda por parte da China se mostra muito consistente, notadamente porque a peste suína africana está sob controle e os produtores estão recompondo os rebanhos. O USDA projeta as importações de soja por parte da China em 99,0MT.
– Além disto, a oferta global e sobretudo a norte-americana vem sendo projetada em queda diante de eventos climáticos negativos. De agosto para setembro houve corte de cerca de 1,0MT, para 369,7MT.
– Enquanto isto, no Brasil o retorno das chuvas ainda é apenas pontual, o que tende a impor certo atraso na implantação das lavouras.
– O mercado interno segue registrando máximas nominais históricas com base na escassez de oferta, depois do ritmo recorde de embarques. Na base da aceleração dos preços está a alta do câmbio verificada desde o início do ano. Recentemente, os ganhos na CBOT promoveram um suporte ainda mais consistente para os preços domésticos, influenciando de forma aguda também a formação do preço de safra nova. Prêmios na faixa de 175/190.
– O volume de negócios segue contido e regionalizado, com preços acima da paridade internacional em todas as regiões. No oeste do PR, indicações de compra na faixa de R$ 140,00 por saca, dependendo de local de embarque e de prazo de pagamento. Há, porém, relatos de preços acima destes patamares em diversas outras regiões.

MILHO – CBOT opera com leve baixa, a U$ 3,77/dezembro, nesta manhã de segunda-feira. Mercado realiza lucros após ter subido 2,7% somente na semana passada e mais de 11% desde meados de agosto.
– Os ganhos consistentes na CBOT estão baseados na demanda Chinesa por milho e soja dos EUA. A expectativa é que os negócios continuem neste ritmo pelas próximas semanas.
– Além das compras, o fator clima também promove a sustentação dos preços, com tempo seco em boa parte do Meio-Oeste dos EUA. Na semana passada, nenhuma chuva considerável caiu naquela região, de acordo com o National Service. Até última segunda-feira, 41% das lavouras de milho norte-americanas estavam em maturação e 5%, já colhidas. Logo mais, no fim da tarde, o USDA irá divulgar uma nova atualização sobre as condições e estágio das lavouras.
– Com a recente alta do dólar, o preço nos portos volta a ficar atrativo para exportação. Na sexta foram registradas indicações de R$61,00/62,00 em Santos e em Paranaguá, com prazos de pagamentos mais alongados.
– O Line-up dos navios nos portos brasileiros projetam exportações em setembro na ordem de 6,3MT. De fevereiro até outubro, o volume programado aponta 20,65MT.
– No mercado doméstico, os preços se apresentam mais firmes. De maneira geral, os produtores seguem limitando o volume ofertado, levando em conta as perspectivas futuras. Por outro lado, as integrações estão relativamente bem abastecidas no curto prazo e limitam as indicações de compra.
– No oeste do estado, interesse de compra entre R$ 54,00/56,00 por saca, dependendo de localização e prazo. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 61,00/62,00 por saca.
CÂMBIO – Opera em nova e expressiva alta neste momento, na faixa de R$ 5,50. Na sessão anterior, fechou em R$ 5,375. (Granoeste – Camilo / Stephan).