Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em alta de 8 a 10 cents, a U$ 10,32/novembro, nesta manhã de quinta-feira, depois de ganhos superiores de 3% no pregão de ontem. O mercado foi sacudido pelo corte nos estoques norte-americanos, num momento em que se fala em redução de produção e em aumento do consumo. Todos os principais produtos tiveram ajustes nos estoques e passam a se ajudar mutuamente neste novo momento de alta.
– Ontem, o USDA divulgou o relatório trimestral de estoques dos EUA referente a primeiro de setembro, indicando o volume existente na virada da temporada. O USDA apontou estoques de 14,25MT, ante uma expectativa de 15,65MT, em linha com o relatório de oferta e demanda de setembro. Na mesma data do ano passado, o volume era de 24,74MT.
– (Só para lembrar: 31 de agosto marca o encerramento do ano agrícola e primeiro de setembro marca o início do novo ano agrícola).
– No relatório trimestral anterior, em junho, os estoques eram de 37,72MT. Houve, portanto, um consumo de 23,5MT no último trimestre do ano agrícola, indicando forte demanda do setor exportador, com destino, notadamente, para a China.
– O suporte de preços vem também do trigo. O USDA reduziu a projeção de área semeada e de área colhida. Com isto, a produção está avaliada em 49,7MT, ante 52,6MT do ano anterior. No relatório de setembro, o USDA projetava a colheita em 50,0MT. Os estoques de passagem foram estimados em 58,75MT, ante 64,9MT da mesma data do ano passado.
– O milho também teve ajustes surpreendentes, sobretudo com acentuado corte nos estoques, o que acabou somando forças influenciando os preços dos demais produtos (veja números abaixo).
– Também entram como fatores de suporte dois outros pontos importantes: o atraso do plantio no Brasil e rumores de que o governo estaria estudando alguma forma de tributação sobre as exportações de produtos primários.
– Internamente, o mercado voltou a registrar novas altas. Real desvalorizado e ganhos na bolsa norte-americana acabam determinando um piso para os preços. Os prêmios seguem firmes, na faixa de 180/200.
– O volume de negócios é baixo; os preços giram acima da paridade internacional e marcam recordes históricos. Há relatos de indicações de compra em regiões interioranas de até R$ 160,0 por saca. No oeste do PR, as indicações giram na faixa de R$ 151,00/154,00 por saca, dependendo de local de embarque e de prazo de pagamento e, sobretudo, dependendo da necessidade do comprador.

MILHO – CBOT opera em alta de 3 a 5 cents, a U$ 3,84/dezembro, nesta manhã de quinta-feira, após pregão de ontem ter fechado com 14 pontos, ou 4% de alta.
– O mercado foi suportado pelo expressivo corte nos estoques norte-americanos, que ficaram bem abaixo do esperado por analistas e também em relação à temporada anterior. De acordo com o USDA, os estoques existentes em primeiro de setembro, início da nova temporada, são de 50,68MT, enquanto o mercado aguardava 56,97MT; na estação passada, na mesma data, os estoques eram de 56,41MT.
– Somente em setembro, a posição dezembro apresentou valorização de quase 9%, chegando ao maior nível desde março deste ano; desde o início de julho, os ganhos acumulados superam 11%.
– No mercado doméstico, os preços seguem firmes, suportados também, como um piso para os preços, pelas indicações de compra nos portos. De maneira geral, os produtores seguem limitando o volume ofertado. O atraso do plantio de verão e os relatos de perdas no RS são outros fatores que promovem sustentação dos preços.
– No oeste do estado, interesse de compra entre R$ 60,00/61,00 por saca, dependendo de localização e prazo. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 65,50 / 67,00 por saca.
CÂMBIO – Opera em alta neste momento, na faixa de R$ 5,63. Na sessão anterior, fechou em R$ 5,618. (Granoeste – Camilo / Stephan).