Comentário de Mercado

SOJA – Chicago volta a operar em alta expressiva, de 12 a 14 cents, a U$ 10,64/novembro, nesta manhã de quinta-feira. Até aqui, nesta semana, os ganhos chegam a 4%; e passam de 18% desde meados de agosto, quando se iniciou a atual arrancada positiva.
– O mercado segue postado na forte demanda. O relatório de exportações, que acaba se ser divulgado pelo USDA, aponta vendas de 2,59MT na última semana. Na temporada, iniciada em primeiro de setembro, as exportações somam 40,7MT, ante 16,3MT do mesmo intervalo do ano passado.
– Além da demanda aquecida, o clima adverso na América do Sul, notadamente no Brasil, acaba atrasando o plantio e gerando dúvidas sobre a dimensão da oferta futura.
– Outro ponto mencionado pelos negociados é a chegada do furacão Delta que, entrando pela região do Golfo do México, poderá chegar às regiões produtoras dos EUA, com grandes volumes de chuvas. Mais da metade das áreas de soja ainda não foram colhidas.
– Os investidores buscam posicionar suas carteiras frente ao relatório de oferta e demanda de outubro, que será apresentado pelo USDA amanhã. A estimativa de produção, com um novo corte, deverá se situar em algo como 116,8MT, ante 117,4MT previstos no mês passado. Os estoques devem sofrer uma redução bem mais expressiva, podendo ficar abaixo de 10,0MT, ante 12,5MT estimados em setembro. Na última temporada, os estoques ficaram em 14,3MT.
– O Deral informa que, no início desta semana, o plantio no Paraná chegava a apenas 8%, atrasado em relação a anos anteriores. A área no estado está estimada em 5,54 milhões de hectares, 1,3% maior do que os 5,47MH do ano passado. A produção está prevista em 20,45MT, 1% abaixo das 20,68MT colhidas na última safra.
– Internamente, novos recordes de preço são batidos a cada dia. Escassez interna e preocupações com o clima estão no centro das atenções. Real desvalorizado e ganhos na bolsa norte-americana também dão suporte ao determinar um piso para os preços domésticos. Os prêmios seguem firmes, na faixa de 200/220.
– O volume de negócios segue limitado, apenas pontuais, mesmo para a safra nova. No oeste do PR, as indicações giram na faixa de R$ 160,00/165,00 por saca, dependendo de local de embarque e de prazo de pagamento e, sobretudo, dependendo da necessidade do comprador.

MILHO – CBOT opera em alta de 4 cents, a U$ 3,93/dezembro, nesta manhã de quinta-feira. Ontem os ganhos foram de 3,75 cents.
– Amanhã, o USDA irá divulgar o relatório mensal de oferta e demanda. O mercado se posiciona frente aos novos números, ampliando as compras. A produção norte-americana é esperada em 375,9MT, menor do que as 378,5MT do relatório de setembro, mas acima das 345,9MT produzidas no ano passado.
– Os estoques também são esperados em queda em relação ao mês anterior; devem se situar em 54,1MT, uma redução drástica comparada às 63,6MT do relatório de setembro. Ao final do ano anterior os estoques eram de 57,2MT.
– O furacão Delta continua a avançar pelo Golfo do México, podendo trazer danos às lavouras que ainda estão por ser colhidas. Até a última segunda-feira, a colheita chegava a 25%.
– A Bolsa de Grãos de Buenos Aires prevê que a produção de milho da Argentina pode cair para 47MT, contra os 50MT projetados pelo USDA no relatório de setembro. As perdas são atribuídas ao clima seco em áreas importantes de cultivo do país.
– De acordo com o Deral, o plantio de milho verão no PR atinge 65%. A qualidade das lavouras está assim avaliada: 84% em boas condições de desenvolvimento; 15%, regulares e 1%, ruins/péssimas. Na fase de germinação estão 38% das lavouras e, em estado de desenvolvimento vegetativo, 62%.
– No Mato Grosso, segundo o IMEA, 87,4% da safra atual e 35,8% da próxima safra já foram comercializadas pelos produtores. Isto representa, respectivamente, aumento de 5,5% e 15% sobre a mesma época do ano anterior. A aceleração das vendas é atribuída aos altos preços promovidos, sobretudo, pelo câmbio robusto.
– No mercado doméstico, algumas tradings aumentaram suas indicações de compra para prospectar lotes para exportação. Contudo, as ofertas são limitadas e os preços pagos pelas integrações seguem acima da paridade internacional na maioria das regiões.
– O atraso plantio de verão e as irregularidades climáticas ajudam ainda mais na formação do preço e promovem novos patamares de sustentação. Preços internacionais em alta e desvalorização do Real garantem um piso para os preços.
– No oeste do estado, interesse de compra entre R$ 62,00/64,00 por saca, dependendo de localização e prazo. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 67,00 / 68,00 por saca.
CÂMBIO – Opera em leve alta neste momento, na faixa de R$ 5,63. Na sessão anterior fechou em R$ 5,623. (Granoeste – Camilo / Stephan).