Comentário de Mercado

Soja – CBOT volta a operar em alta, de 3 a 5 cents, a U$ 11,15/janeiro, nesta manhã de terça-feira. O mercado segue postado num duplo fator de alta: demanda aquecida, sobretudo pela China, e perspectiva de corte na produção. O clima irregular no Brasil está no centro do debate formador do preço.
– O mercado se posiciona frente ao relatório de oferta e demanda, que será divulgado pelo USDA logo mais à tarde. Consultores ouvidos por agências de notícias esperam um corte de cerca de 1,0MT, para algo como 115,7MT, na colheita dos EUA. Os estoques finais devem ceder na mesma proporção, ficando abaixo de 7,0MT. Estes estoques eram de 14,3MT ao final da estação 2019/20 e de 24,7MT ao final da temporada 2018/19.
– Os estoques finais mundiais também estão previstos em queda e, para 2020/21, devem se situar em 87,6MT, ante 88,7MT estimados em outubro. Há duas temporadas, os volumes inventariados ao final da estação era de 113,0MT.
– O relatório de hoje tende a confirmar um quadro de oferta e demanda mais apertado. Por esta razão, os preços apontam para novas altas, buscando reequilibrar as duas variáveis, consumo (em alta) e produção (contida).
– A colheita de soja dos EUA entra na reta final e alcança 92%, ante 82% da mesma época do ano passado e 90% de média histórica. Na semana houve progresso de 5 pontos percentuais.
– O USDA informou ter inspecionado o embarque de 2,5MT de soja na última semana, elevando o total da estação para expressivos 19,6MT, ante 10,9MT do mesmo período do ano passado.
– O mesmo relatório confirma que um lote de 30,5 mil tons de soja norte-americana foi embarcado para o Brasil.
– A SECEX informa que as exportações brasileiras de soja foram de 0,8MT na primeira semana de novembro. Na temporada, o volume chega a 84,6MT, ante 69,3MT do mesmo período do ciclo passado.
– Internamente, os preços parecem ter atingido um topo para este momento. Muitas empresas estão com sua escala de moagem fechada e fazem conta somente para a safra nova. Os preços continuam sendo definidos de forma regionalizada, com negócios apenas pontuais. As preocupações, de norte a sul do país, estão cada vez mais centradas no aprofundamento das irregularidades climáticas. Indicações no oeste do Paraná na faixa entre R$ 171,00/174,00 por saca.

MILHO – CBOT opera em alta de 2 a 4 cents, a U$ 4,10/dezembro, nesta manhã de terça-feira. Ontem, fechou com 0,75 ponto positivo. O mercado busca posicionar-se frente ao relatório mensal de oferta e demanda de novembro, que será divulgado pelo USDA nesta tarde de terça–feira.
– A expectativa para o relatório é de certo corte na produção e nos estoques de milho norte-americanos. A produção no mês de outubro era estimada em 373,95MT e a expectativa para este relatório é de 372MT. Os estoques finais também são projetados em queda, de 55,04MT no mês anterior para 51,65MT no mês presente.
– A colheita de milho norte-americano está próxima de ser finalizada. Até ontem, 91% do volume estimado já estava nos armazéns, contra 80% de média e 62% da mesma data na temporada anterior.
– De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o plantio de milho da safra de verão no Brasil atinge 72,5% no Brasil. Por estado: 97,4%, no Paraná; 90,1%, no Rio Grande do Sul; 79,3%, em Santa Catarina; 56,7%, em São Paulo; 45%, no Mato Grosso do Sul; 44,5%, em Minas Gerais; 43,6%, em Goiás/DF e 28%, no Mato Grosso.
– No mercado doméstico, os preços se mantêm firmes, com ofertas restritas; porém, a queda da taxa cambial tende a favorecer importações e a limitar o ímpeto altista vivido nesta temporada. Indicações de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 75,00/77,00 por saca, dependendo de localização e prazo. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 73,00/74,00 por saca.
CÂMBIO – Opera praticamente estável neste momento, na faixa de R$ 5,39. Na sessão anterior, depois de muita volatilidade, fechou em R$ 5,386. (Granoeste – Camilo / Stephan).