Comentário de Mercado

SOJA – CBOT segue operando em alta, de 8 a 10 cents, a U$ 11,55/janeiro, nesta manhã de quarta-feira. Ontem o mercado recebeu forte impulso e subiu mais de 3%, depois que o USDA cortou as estimativas de produção e de estoques dos EUA e do mundo no relatório mensal de oferta e demanda. Todos os ajustes ficaram além do esperado pelo mercado. Os preços atingiram o maior patamar desde junho de 2016.
– A produção dos EUA sofreu um corte de quase 3,0MT, estimada agora em 113,5MT. Os estoques finais, em outubro, eram projetados em 7,9MT e, agora, em 5,17MT. No ano passado os estoques ficaram em 14,25MT e, no retrasado, em 24,7MT.
– A produção mundial passa a ser estimada em 362,6MT, ante 368,5MT no mês passado. Além da perda de colheita nos EUA, o USDA promoveu um ajuste negativo na produção da Argentina, da ordem de 2,5MT, para 51,0MT. Com isto, a projeção para os estoques finais mundiais foi revisada para 86,5MT, contra 88,7 do mês anterior. Ao final da temporada passada, os estoques mundiais ficaram em 95,3MT e, na retrasada, em 112,9MT.
– O USDA mantém em 133,0MT a estimativa para a safra brasileira, com exportações de 85,0MT. Na temporada 2019/20 a produção segue avaliada em 126,0MT, com exportações de 92,2MT.
– A China segue com previsão de importações da ordem de 100,0MT em 2020/21, ante 98,5MT estimados para o período 2019/20 e 82,5MT do ciclo anterior.
– Os números mostram que o quadro de oferta e demanda vai ficando cada vez mais apertado, sendo pressionado nas duas direções: de um lado pelo aumento do consumo e, de outro, pela redução da oferta. O equilíbrio do mercado será dado pelos preços, que tendem a seguir firmes e a buscar novos patamares.
– Em nova atualização, divulgada ontem, a Conab estima a safra brasileira de soja em 134,9MT, com alta de 8% sobre as 124,8MT da última temporada. O novo levantamento é ainda mais otimista em relação a outubro, quando a projeção era de 133,7MT. A área semeada deve alcançar 38,25MH, aumento de 3,5% sobre os 36,95MH do ano passado.
– Apesar dos expressivos ganhos na bolsa norte-americana, internamente, os preços parecem ter atingido um topo para este momento. Muitas empresas estão com sua escala de moagem fechada e fazem conta somente para liquidação junto com a safra nova. Os preços continuam sendo definidos de forma regionalizada, com negócios apenas pontuais. As preocupações, de norte a sul do país, estão cada vez mais centradas no aprofundamento das irregularidades climáticas. Indicações no oeste do Paraná na faixa entre R$ 172,00/175,00 por saca.

MILHO – CBOT opera em alta de 1 a 2 cent, a U$ 4,25/dezembro, nesta manhã de quarta-feira. Ontem, fechou com expressivos ganhos, de 15,5 pontos, em resposta aos números claramente altistas do relatório do USDA, que refletem a demanda aquecida e cortes na produção. São os maiores patamares de preços desde julho de 2019.
– O relatório mensal de oferta e demanda trouxe ajustes expressivos para o milho. A produção norte-americana sofreu redução de quase 5,5MT, bem maior do que previam analistas, passando a ser estimada em 368,5MT. Em paralelo, houve aumento de mais de 8,0MT, para 67,3MT, na estimativa de exportações. Com menos produção e mais consumo, os estoques finais sofreram um forte ajuste negativo, de cerca de 12,0MT, estimados, agora, em apenas 43,2MT, ante 55,0MT do relatório de outubro. Em termos mundiais, a produção cai cerca de 14,0MT, para 1.144,6MT, e os estoques finais, 9,0MT, para 291,4MT.
– A Conab estima a safra brasileira de milho 2020/21 em 104,9MT, ante 105,2MT projetados no mês passado. A produção do ciclo anterior foi de 102,5MT.
– O Line-up dos navios em novembro projeta embarques de milho na ordem de 5,0MT. Nesta temporada, até a primeira semana de outubro, os embarques acumulados chegam a 24,8MT, ante 33,5MT do mesmo intervalo do ciclo passado.
– No mercado doméstico, os preços se mantêm firmes; mas, indicam ter chegado a um topo para este momento. As ofertas seguem restritas; porém, a queda da taxa cambial tende a favorecer importações e a limitar o ímpeto altista vivido nesta temporada. Indicações de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 75,00/77,00 por saca, dependendo de localização e prazo. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 74,00/76,00 por saca.
CÂMBIO – Opera em alta neste momento, na faixa de R$ 5,43. Na sessão anterior, fechou em R$ 5,390. (Granoeste – Camilo / Stephan).