Comentário de Mercado

SOJA – Depois de ganhos expressivos neste início de semana, de quase 5%, a CBOT opera em ligeira queda, a U$ 11,50/janeiro, nesta manhã de quinta-feira e se mantém nos patamares mais elevados desde junho de 2016.
– O mercado segue sustentado por um duplo fundamento, em duas direções. De um lado pelo aumento do consumo e, de outro, pela redução da oferta. Ambos concorrem para a redução dos estoques e promovem um crescente aperto no quadro de oferta e demanda. O ajuste acontecerá através dos preços, que tendem a buscar novos patamares.
– O consumo mundial, que era de 343,4MT dois anos atrás, está, agora, previsto em 370,0MT; aumento de 7,7%. Por outro lado, a produção, que era de 361,0MT, está prevista, para esta temporada de 2020/21, em 362,6MT, incremento de apenas 0,5%. E neste intervalo, a produção do ano passado foi largamente prejudicada por eventos climáticos e ficou em apenas 336,7MT, com um consumo de quase 20,0MT acima.
– Com consumo maior e produção menor, os estoques finais do mundo estão minguando. Eram de 112,8 há dois anos e, agora, estão estimados em 86,5MT. Os EUA lideram a perda de estoques, que eram de 24,7MT no término da temporada 2018/19 e estão previstos em apenas 5,2MT para o fim do ciclo atual.
– A continuidade das irregularidades climáticas no Brasil tem se tornado o principal tema no direcionamento do mercado nos últimos dias. Num cenário como este, além do fator fundamental, cresce o movimento de compras especulativas, o que impulsiona ainda mais os preços nos mercados de futuros.
– Apesar dos recentes ganhos na bolsa norte-americana, internamente, os preços parecem ter atingido um topo para este momento. Muitas empresas estão com sua escala de moagem fechada e fazem conta somente para liquidação junto com a safra nova.
– Os preços continuam sendo definidos de forma regionalizada, com negócios apenas pontuais. Na medida em que o tempo passa, as preocupações, de norte a sul do país, estão cada vez mais centradas no clima adverso. Indicações no oeste do Paraná entre R$ 170,00/172,00; em Paranaguá, na faixa de R$ 160,00 por saca.

MILHO – CBOT opera em baixa de 2 a 3 cents, a U$ 4,14/dezembro, nesta manhã de quinta-feira. Ontem, fechou com 5 pontos negativos. Apesar da queda, na semana os ganhos chegam a 2%.
-Depois de alta expressiva na terça-feira, mercado aproveitou para realizar lucros. Os olhares globais se voltam para o clima na América do Sul. Apesar das irregularidades, chuvas em regiões importantes de cultivo no Brasil e na Argentina trouxeram certo alívio.
– Os EUA projetam exportações de 67,3 MT de milho para a temporada 2020/21; isto representa 8,3MT a mais do que projetado no mês anterior e 22,0MT a mais do que o volume exportado no ano passado. Até agora, 10,7MT foram destinados para China; 6,8MT para o México; 4,5MT para o Japão e 5,2MT para destinos não revelados. De acordo com o FAS (órgão do USDA para questões internacionais), a perspectiva é que 13MT sejam destinados para a China, ante 7,6MT da estação 2019/20.
– No mercado doméstico, os preços se mantêm firmes; mas, indicam ter chegado a um topo para este momento. As ofertas seguem restritas; porém, a acomodação da taxa cambial tende a favorecer importações e a limitar o ímpeto altista interno. Indicações de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 76,00/78,00 por saca, dependendo de localização e prazo. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 74,00/76,00 por saca.
CÂMBIO – Opera em leve baixa neste momento, na faixa de R$ 5,40. Na sessão anterior, fechou em R$ 5,419. (Granoeste – Camilo / Stephan).