Comentário de Mercado

SOJA – Chicago abre a semana em alta, de 5 a 7 cents, a U$ 11,54/janeiro, sustentado pelas irregularidades climáticas que assolam extensas áreas de cultivo no Brasil e na Argentina e pela firmeza da demanda. O mercado chega aos preços mais altos desde junho de 2016.
– O quadro de oferta e demanda tende a ficar muito apertado no decorrer. Os estoques finais estão previstos em forte queda, tanto nos EUA, como nos demais países produtores e no mundo.
– Além de exportações em alta, a demanda interna dos EUA também segue firme. O relatório de esmagamento, que será divulgado logo mais à tarde, está previsto para ficar acima daquele registrado no mês anterior.
– As exportações norte-americanas seguem firmes, tendo registrado 1,47MT na semana passada. Na temporada alcançam 49,9MT, ante apenas 22,1MT do mesmo intervalo do ano anterior. O USDA estima as vendas externas em 59,9MT, contra 45,6MT do último ciclo.
– O cenário de dificuldades enfrentadas pelo Brasil já corre o mundo. A agência Reuters avalia que uma safra cheia será impossível de ser obtida neste ano. Ainda não há uma avaliação das perdas. Porém, no maior estado produtor, Mato Grosso, chuvas irregulares e até replantio concorrem para cortes nos volumes de colheita. Em outros estados centrais de produção o cenário não é diferente.
– O plantio da safra brasileira de soja alcança 67,3%, ante 65,9% da mesma data do ano passado e 64,7% de média histórica. Os dados fazem parte do levantamento divulgado pela consultoria Safras & Mercado na última sexta-feira. Houve progresso de 13 pontos percentuais ao longo da semana. No MT os trabalhos estão concluídos em 93% (ante 97% da mesma data do ano passado); no MS, em 90% (85%); no PR, em 87% (91%); em MG, em 62% (57%); em GO, em 61% (63%); em SC, em 50% (65%); na BA, em 40% (7%) e no RS, em 32% (28%).
– Internamente, os preços se mantêm firmes, definidos de forma regionalizada. Tudo indica que atingiram um topo para este momento. Muitas empresas estão com sua escala de moagem ajustada e fazem conta somente para liquidação junto com a safra nova.
– As preocupações estão cada vez mais centradas no clima adverso que assola extensas áreas de cultivo e tende a afetar de forma severa os níveis de produtividade. Indicações no oeste do Paraná entre R$ 172,00/175,00; em Paranaguá, na faixa de R$ 160,00 por saca.

MILHO – CBOT opera em alta de 1 a 2 cents, a U$ 4,12/dezembro, nesta manhã de segunda-feira. Na sexta-feira, fechou com 2 pontos positivos. Mercado vive um momento de bastante especulação, com foco no clima irregular na América do Sul.
– As exportações de milho norte-americano, referentes à semana anterior, ficaram em 0,97MT. Na temporada 2020/21, iniciada em 1º de setembro, o volume chega 34,16MT, significando mais de 170% em relação ao mesmo período da estação anterior.
– No Brasil, o plantio de milho verão atinge 82,5%, de acordo com levantamento da consultoria Safras & Mercado, ante 86,3% da mesma época do ano passado e 82,6% de média de 5 anos. O plantio chega a 99% no Paraná; 95,4% no Rio Grande do Sul; 89,7% em Santa Catarina; 72,8% em São Paulo; 66,8% em Goiás; 59,9% em Minas Gerais; 56% no Mato Grosso do Sul e 51,2% no Mato Grosso.
– No mercado doméstico, os preços se mantêm firmes; mas, indicam ter chegado a um topo para este momento. As ofertas seguem restritas; porém, a acomodação da taxa cambial tende a favorecer importações e a limitar o ímpeto altista interno. Indicações de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 76,00/78,00 por saca, dependendo de localização e prazo. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 75,00/76,00 por saca.
CÂMBIO – Opera em baixa neste momento, na faixa de R$ 5,40. Na sessão anterior, fechou em R$ 5,474. (Granoeste – Camilo / Stephan).