Comentário de Mercado

SOJA – Depois de 4 sessões em alta e ganhos de 30 cents, a CBOT opera em queda de 8 a 10 cents, a U$ 11,66/janeiro, nesta manhã de quinta-feira. De qualquer maneira, apesar de chuvas em muitos pontos de cultivo no Brasil, as irregularidades climáticas, em paralelo com a forte demanda, seguem como fatores de suporte para os preços.
– O noticiário internacional começa a repercutir mais intensamente a visão de analistas sobre a possibilidade de o Brasil ter cortes nas estimativas de colheita e, consequentemente, entregar para o mercado uma safra não mais de 133/135MT, mas abaixo de 130MT.
– Com forte demanda também para a produção de biodiesel, o óleo vem liderando as recentes altas do complexo soja. Ontem, na CBOT, os preços do óleo atingiram o maior nível desde julho de 2014. O grão se mantém nos patamares mais elevados desde junho de 2016.
– Além da estagnação, e até queda na produção global em algumas commodities, o grande fator de alta dos preços agrícolas neste ano foi o ressurgimento da demanda chinesa. De forma surpreendente, a China recompôs o rebanho de suínos e aves e passou a se preocupar em construir grandes estoques de produtos básicos para dar segurança alimentar ao país.
– Este fenômeno não será contido em apenas uma temporada. A tendência é que os preços se mantenham firmes até que produção tenha saltos significativos em relação ao consumo. Enquanto isto não acontecer, as forças de oferta e demanda irão se ajustar com base em novos patamares de preço.
– Internamente, apesar de chuvas esparsas em muitas regiões, o clima adverso provocado pelo La Niña ainda é o fator mais preocupante. Apesar da escassez, produtores que ainda contam com lotes disponíveis aproveitam os preços atuais para limpar os armazéns.
– A liquidez vem caindo nos últimos dias. Poucas indústrias e integrações necessitam de produto pronto. A maioria está com os volumes ajustados para fechar a temporada e fazem conta somente para produto novo. Por esta razão, os preços acabaram cedendo depois de terem atingido um topo na última virada de mês.
– Nos portos, prêmios para março na faixa entre 62/75 sobre Chicago. Indicações de compra no oeste do Paraná, para produto disponível, entre R$ 165,00/167,00 por saca.

MILHO – CBOT opera em baixa de 4 a 6 cents, a U$ 4,20/dezembro, nesta manhã de quinta-feira. Ontem fechou com 5 pontos positivos. Mercado cede seguindo bolsas e petróleo; mas o grande volume de vendas tem a ver com a realização de lucros, depois dos ganhos expressivos dos últimos dias.
– No decorrer dos próximos anos, a tendência é que haja aumento global da área de plantio de soja e milho em resposta à crescente demanda, redução drástica dos estoques e preços atrativos. Após oito anos de excedentes, vivemos um momento de estoques reduzidos em razão, notadamente, do forte incremento da demanda chinesa – postada na mudança de hábitos alimentares, com aumento do consumo de carnes. A China, que vem importando em torno de 7,0MT de milho por ano, pode precisar comprar no exterior, neste novo cenário, entre 25 e 35MT anualmente.
– A produção de etanol nos EUA caiu nesta última semana. Com o aumento do preço do milho, as margens ficaram bastante apertadas e menor volume está sendo destinado para a produção de energia.
– Na Argentina, foi aprovado na câmara dos deputados um projeto de lei que proíbe, por um período de 30 a 60 anos, a venda de terras queimadas acidentalmente ou deliberadamente. O projeto vai agora para a aprovação no senado e pretende evitar atos especulativos e vantagens imobiliárias. No caso da agricultura, o tempo seria de, no mínimo, 30 anos. O projeto está sendo discutido depois que muitas áreas nas províncias de Entre Rios, Córdoba e Jujuy sofreram queimadas neste ano; alega-se que 95% desses incêndios teria sido causado por ação humana.
– No mercado doméstico, os preços se mantêm firmes; mas, mostram ter chegado a um topo para este momento, sofrendo certa pressão nas indicações de compra. Mais ofertas aparecem no mercado; porém, diante da expressiva elevação de custos para o setor de carnes, muitas integrações acabam adotando uma postura mais retraída, aguardando algum possível movimento de queda dos preços enquanto consomem os estoques próprios.
– Isto tem gerado certa distância entre as indicações de venda e os BIDs de compra. Interesse de compra no oeste do estado, na faixa de R$ 77,00/78,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, na faixa de R$ 74,00/75,00 por saca.
CÂMBIO – Opera estável neste momento, na faixa de R$ 5,34. Na sessão anterior, fechou em queda, a R$ 5,336. (Granoeste – Camilo / Stephan).