Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera com forte queda, entre 15 e 17 cents, a U$ 11,46/janeiro, nesta manhã de quarta-feira. Investidores seguem liquidando posições, depois que o mercado atingiu o maior patamar em quatro anos e se aproximou de U$ 12,00 por bushel.
– O movimento de vendas está ligado ao aumento das tensões entre China e EUA. Na reta final, o governo Trump ameaçou impor novas tarifas na importação de produtos chineses, sobretudo na área de tecnologia, o que significaria reavivar a guerra comercial.
– O mercado também vê motivo para liquidar posições diante de melhores chuvas em extensas áreas de cultivo na América do Sul. Os transtornos climáticos, no entanto, estão longe de terem sido resolvidos e tendem a promover muitas oscilações nos níveis de preço. As primeiras lavouras começam a entrar no período mais crítico para a determinação da produtividade: floração e formação de vagens, quando exigem mais disponibilidade de água.
– As exportações brasileiras de soja somaram 1,47MT em novembro, ante 5,16MT de novembro do ano passado, informa a SECEX. Na temporada, os embarques chegam a 85,2MT, contra 73,1MT do mesmo intervalo do ano passado.
– No mercado interno, os preços caíram cerca de R$ 25,00 por saca desde a primeira quinzena de novembro e se situam na faixa entre R$ 148,00/150,00 por saca no oeste do estado. As poucas operações seguem limitadas ao mercado doméstico, onde grande parte das indústrias estão com suas posições ajustadas para fechar o período de esmagamento até a entrada de produto novo.
– Mercado também é lento pela notícia de chegada no Brasil de um cargueiro de soja norte-americana.
– Nos portos, prêmios para março são negociados na faixa entre 70/80 sobre Chicago.

MILHO – CBOT opera em baixa de 3 a 4 pontos, a U$ 4,12/dezembro, nesta manhã de quarta-feira. As chuvas do final de semana em partes da América do Sul trouxeram certo alívio para o mercado que, nesta época do ano, tem todas as atenções voltadas para esta região. Até agora, o clima adverso das últimas semanas trouxe mais danos para o milho do que para a soja, mas ambas as culturas necessitam de muito mais chuvas para um desenvolvimento adequado.
– De acordo com a Secex, em novembro as exportações de milho atingiram 4,89MT, ante 4,29MT de novembro do ano passado. Na estação, o volume embarcado chega a 28,5MT, contra 36,3MT do mesmo intervalo do ano anterior.
– De acordo com o IMEA, no Mato Grosso a produção de milho da safra 2020/21 é estimada em 36,3MT. A área de plantio segue mantida em relação aos levantamentos anteriores; porém, com o atraso no plantio da soja e provável atraso no plantio da safrinha, estima-se que poderá haver perda de produtividade das lavouras. O instituto avalia que cerca de 50% da estimativa de produção já foi comercializada de forma antecipada.
– No mercado doméstico, as indicações de preço estão cedendo, se distanciado do topo de preços vividos há algumas semanas. Com certa retração das indústrias, mais ofertas disponíveis ficam à disposição.
– Diante da expressiva elevação de custos para o setor de carnes, as integrações acabam adotando uma postura mais retraída, aguardando um movimento mais acentuado de queda dos preços, enquanto consomem os estoques próprios. Circulam rumores de que muitos produtores individuais e até integrações estão alongando o ciclo de alojamento dos animais, o que implica na perspectiva de certa redução futura na oferta de carnes.
– Interesse de compra no oeste do estado na faixa de R$ 73,00/74,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, na faixa de R$ 71,00/72,00 por saca.
CÂMBIO – Opera estável neste momento, na casa de 5,22, depois da baixa acentuada apurada na sessão anterior – quando fechou em R$ 5,228. (Granoeste – Camilo / Stephan).