Comentário de Mercado

Soja – CBOT segue estendendo ganhos nesta manhã de segunda-feira. Neste momento opera com 6 a 8 cents, a U$ 13,83/março. Há algumas semanas, o mercado vive um intenso movimento de compras, com base em fundamentos positivos e no grande fluxo de capitais para ativos de risco.
– O movimento lembra muito o ocorreu entre 2011 e 2012, quando a escalada altista, postada notadamente na quebra da safra norte-americana, chegou a quase U$ 18,00 por bushel (em setembro/2012).
– Na semana passada os ganhos foram de quase 5%; porém, durante o período de Natal e Ano Novo, os ganhos somaram 14%; desde meados de agosto, as cotações subiram cerca de 52%.
– O mercado vive um período no qual as duas grandes forças (oferta e demanda) correm em vias opostas. A demanda é crescente e a oferta tende a ser menor. Cortes nos volumes de colheita por problemas climáticos, desta vez na América do Sul, caminham para se somar às perdas de produção ocorridas nos EUA. Ao mesmo tempo, a demanda segue em alta, notadamente com a forte presença chinesa, primeiro no Brasil e, mais recentemente, em solo norte-americano.
– Nesta terça-feira o USDA irá divulgar o relatório mensal de oferta e demanda referente ao mês de janeiro. Participantes aguardam novos cortes nos estoques finais dos EUA e do mundo. É bem provável que haja revisão da produção brasileira e argentina. A estimativa de janeiro marca também o número final e definitivo da colheita dos EUA.
– Também, amanhã será divulgado o relatório trimestral de estoques dos EUA, atestando o volume de soja existente em primeiro de dezembro. O mercado espera um volume de 79,0MT, um corte de 9,0MT em relação a primeiro de dezembro de 2019.
– Com sólidos fundamentos altistas, o mercado aguarda com ansiedade a divulgação destes dois relatórios, os quais tendem a trazer elementos novos para o direcionamento dos preços.
– Internamente, o mercado começa a focar operações para o mercado externo. Seguirá, no entanto, atento à evolução das chuvas e nas irregularidades climáticas, que vêm estressando os participantes de norte a sul do país.
– Nos meses finais do ano passado, os níveis recordes de preço (que chegaram à casa de R$ 180,00 no oeste do estado) foram alcançados em razão da falta de produto, depois que a China quase zerou nossos estoques e pela expressiva alta da taxa de câmbio. Teve também a contribuição da arrancada dos preços internacionais. Mas a necessidade interna falou mais alto e os preços subiram algo como R$ 20,00 / 30,00 por saca acima da paridade de exportação.
– Com a forte alta externa, os prêmios entraram em certa acomodação e são indicados na faixa entre 50 e 70 cents acima de Chicago. Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 163,00/165,00 e em Paranaguá, entre R$ 167,00/169,00.

MILHO – CBOT opera em estabilidade nesta manhã de segunda-feira, na faixa de U$ 4,96/março. Mercado segue com foco nos estoques apertados no Brasil e nos EUA, no clima na América do Sul, bem como nas restrições de exportação de milho e greves na Argentina.
– Na sexta-feira, o pregão fechou com 5 pontos de alta. Na semana anterior, a valorização do milho foi de 2,5% na CBOT. De meados de dezembro para cá a valorização foi de 25%; se voltarmos a agosto, os ganhos em Chicago chegam a 47%.
– Amanhã será divulgado o relatório mensal de oferta e demanda pelo USDA (WASDE). A expectativa é de corte na produção norte-americana, 2020/21, em torno de 2,0MT e, nos estoques finais, em aproximadamente 3,0MT. Os estoques mundiais também são projetados em queda, com corte na ordem de 5MT. A expectativa maior é pelos números que o USDA irá divulgar para a safra sul-americana, com foco na Argentina e Brasil, onde houve atraso na implantação das lavouras e o clima segue irregular.
– NA Argentina, entidades ligadas aos produtores e ao comércio agrícola iniciam, hoje, um novo protesto contra as medidas do governo de suspender as exportações de milho para atender à demanda doméstica. O país é responsável por vendas externas da ordem de 35MT e consumo interno de apenas 15MT.
– No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina foram iniciados os trabalhos de colheita do milho verão, com produtividade inicial muito baixa devido aos problemas climáticos. Relatos de colheitas localizadas indicam perdas entre 30%/40%. Provavelmente, a entrada de milho local não será suficiente para fazer a ponte até a chegada da safrinha, cujo plantio ocorre do estado do Paraná em direção ao norte do país.
– O Line-up dos portos brasileiros indica um volume de cerca de 2,2MT de milho a serem exportados em janeiro. No acumulado de fevereiro a dezembro, o país embarcou 33,5MT de milho.
– No mercado doméstico, as indicações de preço vêm subindo de forma acentuada nos últimos dias, voltando ao topo de preços vividos nos últimos meses de 2020.
– Interesse de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 79,00/80,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, na faixa de R$ 83,00/85,00 por saca.
CÂMBIO – Opera em forte alta neste momento, na casa de 5,49. Na sexta-feira fechou em R$ 5,416. (Granoeste – Camilo / Stephan).