Comentário de Mercado

SOJA – Chicago opera em alta de 5 a 7 cents, a U$ 13,77/março, nesta manhã de terça-feira. A sessão de ontem fechou com leves perdas. Ao longo das últimas semanas, porém, os ganhos são significativos. Desde meados de dezembro os preços internacionais subiram quase 15% e cerca de 50% desde fins de agosto do ano passado; a CBOT opera no maior patamar desde julho de 2014.
– O quadro de oferta e demanda se mostra cada vez mais apertado. De um lado, a produção tem sido menor nos EUA e, como indicam as projeções, será menor também na América do Sul. Por outro lado, em razão da farta liberação de recursos para combater a pandemia, os governos acabaram estimulando o consumo de alimentos. A demanda cresceu de forma generalizada, sobretudo, por parte da China. Paralelamente, com fundamentos sólidos, foi acionado o elemento especulativo, representado pela forte presença de fundos e investidores na ponta compradora.
– O mercado também se posiciona para receber dois importantes relatórios, que serão divulgados pelo USDA logo mais, à tarde. Tanto o relatório de oferta e demanda de janeiro, como o relatório trimestral de estoques dos EUA deverão mostrar um quadro mais ajustado, dando suporte aos preços.
– A exemplo do que ocorreu no Brasil, os estoques norte-americanos estão minguando. O USDA informou que, na última semana foram embarcadas 1,78MT, elevando o total da estação para 40,8MT, ante apenas 22,9MT do mesmo intervalo do ano passado.
– Internamente, os participantes seguem atentos à evolução do clima, que tem sido muito irregular, provocando atraso no plantio e dificuldade na evolução das lavouras em muitas regiões. Diversos órgãos de pesquisa devem informar, nestes dias, as novas avaliações de safra e as projeções de colheita. Há certo consenso de que os números de colheita serão revistos negativamente no comparativo com as estimativas iniciais.
– Com a forte alta externa, os prêmios entraram em certa acomodação e são indicados na faixa entre 45 e 70 cents acima de Chicago. Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 164,00/165,00 e em Paranaguá, entre R$ 169,00/171,00.

MILHO – CBOT opera e leve alta nesta manhã de terça-feira, na faixa de U$ 4,95/março. Mercado segue com foco nos estoques apertados do Brasil e dos EUA, no clima na América do Sul, bem como nas restrições de exportação de milho e greves na Argentina.
– Hoje à tarde será divulgado o relatório de oferta e demanda global (WASDE), que se reveste de importância por duas razões: primeiramente, por conter números definitivos da safra norte americana e, segundo, pelo aperto no quadro de oferta e demanda, que tem gerado a recente escalada de preços.
– A expectativa é de corte na produção norte-americana, 2020/21, em torno de 2,0MT e, nos estoques finais, em aproximadamente 3,0MT. Os estoques mundiais também são projetados em queda, com corte da ordem de 5MT. A expectativa maior é pelos números que o USDA irá divulgar para a safra sul-americana, com foco na Argentina e Brasil, onde houve atraso na implantação das lavouras e o clima segue irregular.
– Na Argentina, a greve continua, mesmo com a alteração nas medidas de suspensão das exportações. O governo substituiu a proibição de exportação de milho por um limite de vendas diárias de 30 mil tons. Contudo, a sociedade rural argentina (SRA) se manifestou contrária a esta interferência e disse que continuará em greve para voltar ao regime de liberdade de mercado.
– De acordo com a Secex, as exportações brasileiras de milho na primeira semana de janeiro ficaram em 0,64MT. No acumulado da temporada, iniciada em fevereiro/20, os embarques somam 34,2MT.
– No mercado doméstico, as indicações de preço se mantêm firmes neste começo de ano, mesmo com o início da colheita no Rio Grande do Sul. Por lá, as perdas dever ficar na faixa de 35% e, segundo projeção da consultoria Safras & Mercado, a produção deverá totalizar 3,44MT, ante 4,93MT do ciclo passado.
– Interesse de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 79,00/80,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, na faixa de R$ 83,00/85,00 por saca.
CÂMBIO – Opera em baixa neste momento, na casa de 5,47. Ontem fechou em R$ 5,503. (Granoeste – Camilo / Stephan).