Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em queda de 8 a 10 cents, a U$ 14,23/maio neste momento, manhã de quinta-feira. Ontem houve ganhos de 9 cents. Os preços seguem relativamente acomodados, negociados numa estreita faixa, logo acima de U$ 14,00, reproduzindo o atual aperto no quadro de oferta e demanda, mas focado na evolução do clima na reta final de colheita da safra brasileira e na fase final de desenvolvimento das plantações na Argentina. O mercado também aguarda, para logo mais, a divulgação do relatório de exportações semanais dos EUA.
– Olhando mais à frente, o mercado alimenta grande expectativa pelo plantio (que deve ser entre 8 e 9% maior) e evolução da safra norte-americana. Os trabalhos já tiveram início no extremo sul do país e tendem a seguir lento durante abril, só se intensificando em maio, que é o mês chave para a implantação das lavouras. Neste dia 31, o USDA irá divulgar a primeira intenção de plantio, com levantamento mais apurado, feito junto aos produtores.
– Para que se concretize o que os preços futuros indicam (novembro está cotado na faixa de U$ 12,20, cerca de U$ 2,00 por bushel abaixo da cotação de maio) é necessário que os norte-americanos colham uma safra de, pelo menos, 125,0MT e, com isto, se inicie alguma inversão na atual tendência de enxugamento dos estoques.
– Internamente, a intensa variação do Real frente ao Dólar acabou mexendo com as indicações de compra mais do que a variação do preço internacional. De qualquer forma, o volume de negócios se mantém restrito. A preocupação do momento é atender ao grande volume de contratos realizados antecipadamente, num cenário que joga dúvidas sobre os reais índices de produtividade.
– Prêmios no mercado spot são cotados na faixa entre 25 e 10 cents negativos nos principais portos brasileiros. Primeiras indicações de compra no mercado spot, no oeste do estado, na faixa entre R$ 161,00/163,00 por saca; em Paranaguá, entre R$ 170,00/171,00.

MILHO – CBOT opera em baixa, cotada a U$5,49/maio, neste momento, manhã de quinta-feira. Ontem, pregão fechou em alta de 2 pontos, cotado a U$5,53.
– Mercado internacional se encontra em excelentes patamares e se mantém firme graças à boa demanda chinesa e em razão das adversidades climáticas na América do Sul. As cotações internacionais do trigo acabam limitando uma evolução mais significativa do milho. Há uma relação direta entre estes dois produtos, já que cerca de 20% do trigo produzido no mundo (em torno de 780,0MT) é usado para produção de ração animal. O milho deve ter aumento de área no próximo plantio dos EUA. Na semana que vem o USDA irá divulgar a primeira intenção de plantio para a temporada 2021/22.
– O USDA acaba de divulgar que, na última semana, as exportações de milho somaram 4,48MT, um número que ficou no topo da expectativa do mercado. Na temporada, as vendas somam expressivos 65,0MT, ante 30,8MT do mesmo período do ano passado.
– De acordo com a Soybean and Corn Advisor, na Argentina, a colheita de milho atinge entre 15% e 25% nas regiões mais centrais do país; ao sul e ao norte os trabalhos ainda não foram iniciados. As lavouras estão classificadas como: 22%, boas; 56%, regulares e 22%, ruins. Na média dos últimos cinco anos, o percentual de lavouras ranqueadas em boas condições é de 35%.
– Importadores sul coreanos estão substituindo parte do milho por trigo e cevada, que passaram a ser mais competitivos na produção de alimentação animal. Como há mais oferta de trigo e dificuldades na originação de milho, está se optando por produtos concorrentes, fazendo com que prêmios para o grão caíam nos portos brasileiros. Essas informações são do portal Agrinvesting.
– No mercado interno, o volume de ofertas segue limitado. As preocupações se mantêm centradas na colheita e na alocação da safra de soja, bem como na implantação da safra de milho de inverno. Além disto, o produtor retém vendas diante das constantes altas de preço.
– Interesse de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 85,00/87,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 76,00/78,00 por saca para embarque em julho/agosto.
CÂMBIO – Dólar segue em alta nesta manhã, cotado em R$ 5,68, depois da arrancada de mais de 2% vivida na jornada anterior, quando fechou em R$ 5,638. Desvalorização está associada à persistência e gravidade da pandemia, com a consequente dificuldade de retomada da economia e, portanto, mais desequilíbrio para as contas públicas. (Granoeste – Camilo / Stephan)