Comentário de Mercado

SOJA – CBOT volta a operar em alta, de 4 a 6 cents, a U$ 14,15/maio, neste momento, manhã de quinta-feira. O mercado segue sustentado pelo aperto no quadro de oferta e demanda e por compras técnicas. Começa também a entrar nesta conta as irregularidades climáticas que atingem diversos países. Há também muita expectativa sobre o ritmo de plantio da safra norte-americana, que já se iniciou nos estados do Sul, mas que se intensifica em maio.
– Diante das constantes altas do preço do milho, nos EUA começa a discussão sobre que produto vai ganhar a disputa por área: se milho ou soja. A relação de preço entre os dois produtos tem papel decisivo na definição final de área de cada um deles. Algo entre 2% e 4% da área tende a migrar para o produto com a melhor relação de preço. Se no início do ano, na CBOT, três bushels de milho equivaliam ao preço de um bushel de soja; hoje esta relação caiu para 2,45 por um. Ou seja, o milho vem ganhando em termos de alta de preço, podendo roubar área da soja.
– O relatório de oferta e demanda de maio irá trazer as primeiras estimativas sobre produção e consumo para a temporada 2021/22. Por esta razão é aguardado com muita ansiedade.
– As exportações de soja norte-americana chegam a 60,7MT nesta temporada, iniciada em primeiro de setembro, ante 37,5MT do mesmo intervalo do ano passado. Os embarques chegam a 55,5MT, contra 32,5MT do mesmo período do ciclo anterior.
– No mercado interno, depois dos ganhos dos últimos dias, os preços voltam a certa acomodação. O volume de negócios segue restrito, uma vez que os produtores, diante da boa capitalização e despois de terem comercializado um volume recorde na modalidade antecipada, preferem aguardar e atuar com vendas parceladas no decorrer da estação.
– Os prêmios são cotados, no spot, na faixa entre 15 e 25 cents sobre Chicago; para junho/julho, entre 35 e 60 e para agosto, entre 100 e 115 cents. A escassez de ofertas impulsiona os preços na medida em que os prazos de embarque e pagamento são dilatados e na medida em que a logística fica mais favorável.
– Indicações de compra no mercado pronto, no oeste do estado, na faixa entre R$ 170,00/171,00 por saca; indicações que podem avançar para R$ 173,00/174,00 para junho/julho. Em Paranaguá, no mercado spot, interesse entre R$ 176,00/178,00 – dependendo de prazos de entrega e pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera novamente em alta, de 3 a 4 cents, cotada a U$ 5,99/maio, nesta manhã de quinta-feira, trabalhando muito perto dos U$ 6,00/bushel, no melhor patamar desde 2013.
– De acordo com a agência Reuters, o mercado é sustentado pela forte demanda e pelo clima frio em extensas áreas dos EUA, o que pode prejudicar as lavouras recém plantadas. Além disto, as altas expressivas no preço do petróleo tendem a impulsionar o consumo de etanol. Dessa forma, nos EUA, provavelmente, haverá certa migração da área de plantio de soja para milho.
– De acordo com o IMEA, a produtividade do milho safrinha será menor no Mato Grosso, com estimativa média de 102,5 SC/HA, 3,5% menor em relação à temporada anterior. A queda é explicada pelo atraso no plantio, já que, no estado, a partir de abril e maio, o clima fica bastante seco. O MT é responsável por 44% da produção nacional do milho safrinha. As projeções indicam uma produção de 34,9MT, 1,3% menor do que a colheita da estação anterior.
– No mercado interno, o volume de ofertas segue limitado. Os preços se mantêm em constantes altas, diante das preocupações crescentes com irregularidades climáticas e com a implantação tardia das lavouras. De outro lado, o forte incremento no custo dos insumos vem impondo dificuldades para a cadeia produtiva de carnes, que sinaliza com redução no alojamento de animais.
– Interesse de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 99,00/100,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 81,00/83,00 por saca para embarque em julho/agosto.

CÂMBIO – Dólar opera em baixa, cotado em R$5,62. Ontem fechou a R$5,669 (Granoeste – Camilo / Stephan)