Comentário de Mercado

SOJA – CBOT volta a operar em forte alta, de 8 a 10 cents, a U$ 15,77/maio, neste momento, manhã de terça-feira. A posição maio, chegou a operar acima de U$ 16,00 por bushel logo pela manhã, mas acabou recuando com a intensificação de vendas. Esta é a 11ª sessão seguida de alta.
– Além da forte retomada da demanda, o mundo se depara com oferta mais reduzida. Isto resulta em estoques extremamente apertados. Nos últimos três anos, a produção mundial média foi de 354,0MT e o consumo anual médio foi de 357,0MT, com perspectiva de aumentar ainda mais no decorrer.
– O comportamento do clima nos campos de cultivo dos EUA terá impacto total e direto na formação do preço. Sem uma safra que recomponha minimamente os estoques norte-americanos, o mercado poderá romper o recorde histórico de setembro de 2012, quando a CBOT chegou a registrar U$ 17,85 por bushel. Mesmo que os preços não cheguem até lá, o que está garantido é uma temporada com preços extremamente voláteis.
– Além da situação passada, o mercado especula sobre o futuro. Os expressivos ganhos vistos no mercado do milho acabam impulsionando ainda mais os preços da soja na disputa por área no plantio da safra norte-americana, que já está em andamento nos campos do Meio Oeste.
– No fim da tarde de ontem, o USDA informou que o plantio da safra de soja chega a 8%, ante 7% da mesma época do ano passado e 5% de média histórica. Houve progresso de cinco pontos percentuais na semana. Estados centrais como Illinois tiveram bom avanço e o plantio chega a 18%, ante 16% de um ano atrás.
– O serviço de meteorologia indica tempo mais adequado no decorrer, depois de um período de baixas temperaturas, sobretudo nos estados mais ao norte do cinturão agrícola dos EUA. Boa umidade do solo também favorece a implantação das lavouras.
– O mercado interno vive uma rotina de altas dos preços. O volume de negócios, porém, se mantém restrito. Os produtores contam com boa capitalização e grande volume vendido de forma antecipada.
– As altas no mercado internacional, acabaram pressionado ainda mais os prêmios nos portos brasileiros. No mercado spot são cotados entre 45 e 35 cents negativos. Para junho / julho são indicados entre ao par e 20 cents sobre a CBOT e, para agosto, entre 65 e 80.
– Indicações de compra no mercado pronto, no oeste do estado, na faixa entre R$ 177,00/178,00 por saca; indicações que podem avançar para R$ 179,00/181,00 para junho/julho. Em Paranaguá, no mercado spot, interesse entre R$ 184,00/186,00 – dependendo de prazos de entrega e pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera novamente em alta, com até 15 cents, a U$ 6,96/maio, neste momento, manhã de terça-feira. Logo pela manhã, a posição presente chegou a 40 cents de alta, alcançando U$ 7,20/maio.
– Os mercados seguem postados em alta em resposta ao clima adverso em muitas regiões de cultivo, notadamente no Brasil e na Argentina. Além disto, a demanda global se mantém aquecida, num cenário de estoques gradativamente mais apertados.
– De acordo com o USDA, o plantio da safra de milho chega a 17%, ante 24% da mesma data do ano anterior e 20% de média de 5 anos. Houve avanço de 9 pontos percentuais na semana. Estados centrais como Iowa e Illinois estão com plantio na faixa de 20%, cerca de 12 pontos percentuais a menos do que na mesma semana do ano passado.
Ainda, segundo o USDA, as inspeções de exportação de milho ficaram em 1,95MT na última semana passada, enquanto o mercado aguardava 1,4MT. Na temporada, os embarques somam 55,3MT, ante 33,4MT do mesmo período do ciclo anterior.
Na Argentina, o governo está estudando a elevação das ‘retenciones’ (imposto sobre exportações de produtos agrícolas), o que pode piorar ainda mais a oferta global, dando novo fôlego para altas de preço nos mercados internacionais.
Agências internacionais avaliam que o Brasil terá um acentuado corte nas estimativas de produção de milho neste ano, por conta do aprofundamento das irregularidades climáticas. As perdas podem chegar a 16,0 /18,0MT, caindo de 109,0MT para algo como 90,00/ 92,0MT. É bom lembra que o Brasil exporta entre 30,0MT e 40,0MT por ano. Como consequência, a quebra de safra irá contribuir para aprofundar o desabastecimento internacional, sustentando ainda mais os preços em Chicago.
– No mercado interno, o volume de oferta segue limitado, diante das altas no mercado internacional e das preocupações crescentes com irregularidades climáticas. As chuvas esperadas no último fim de semana, notadamente em áreas do Paraná e Mato Grosso do Sul, frustraram todas as expectativas e mantém o cenário de aprofundamento das perdas nas lavouras de safrinha.
– Interesse de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 103,00/104,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 87,00/89,00 por saca para embarque em julho/agosto.

CAMBIO – Dólar opera estável, cotado em R$5,45. Ontem, fechou em R$ 5,449. (Granoeste – Camilo / Stephan).