Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera levemente em alta neste momento, manhã de quinta-feira. A posição julho está cotada a 15,22, com ganhos de 8 cents; porém, os meses mais distantes operam praticamente estáveis. Depois das altas expressivas vividas desde meados do mês, o mercado vem presenciando uma forte liquidação de posições nas últimas duas sessões; ainda assim, os ganhos até aqui, em abril, chegam a 7%.
– Apesar da intensa volatilidade, em termos fundamentais o mercado segue postado nos baixos estoques norte-americanos e globais, bem como na continuidade da boa demanda. As adversidades climáticas são outro fator de preocupação. Na Argentina as lavouras de milho e soja devem ter perdas entre 10% e 15%; no Brasil são as plantações de milho safrinha que mais sofrem e tendem a limitar as exportações do cereal neste ano ao manter elevado os preços domésticos; nos EUA, o ritmo de plantio e a qualidade da evolução das lavouras dirão muito sobre o futuro dos preços.
– No Meio Oeste, depois de um período de muito frio, as previsões indicam temperaturas em elevação nestes dias; porém, chuvas intensas devem chegar à região neste fim de semana e dar uma pausa nos trabalhos de campo. De qualquer maneira, até agora o plantio está dentro da normalidade. Até o último domingo, 8% havia sido semeado, ante 7% da mesma época do ano passado e 5% de média histórica.
– Internamente, os preços seguem relativamente pressionados em face da queda na bolsa norte-americana, no câmbio e nos prêmios (que são cotados no mercado spot entre 45 e 25 cents negativos; para junho / julho são indicados entre negativos 20 e zero e, para agosto, entre 65 e 80 sobre a CBOT).
– Indicações de compra no mercado pronto, no oeste do estado, na faixa entre R$ 174,00/175,00 por saca; indicações que podem avançar para R$ 176,00/177,00 para junho/julho. Em Paranaguá, no mercado spot, interesse entre R$ 180,00/182,00 – dependendo de prazos de entrega e pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera em leve alta de 4 cents, a U$ 6,48/julho, neste momento, manhã de quinta-feira. As posições mais distantes trabalham no campo negativo, com queda amena.
– Além de estragos na América do Sul, a seca vem castigando extensas áreas de cultivo da América Central. O México, que é grande comprador de milho dos EUA e tinha sua safra evoluindo de forma regular, estimada em 27,0MT, vê as lavouras sofrerem perdas em razão da falta de chuvas.
– As avaliações indicam que o México, onde o milho é preponderante na alimentação humana, caminha para importar volumes maiores de milho, pressionando ainda mais a baixa disponibilidade norte americana. Em 2019, o México importou 16,2MT de milho; em 2020, 16,1MT; por enquanto, a previsão para esta temporada é de 17,6MT. O México não importa milho do Brasil, notadamente, por questões logísticas e em razão de acordos comerciais com os EUA.
– Na Argentina, a colheita de milho atinge 17%, ante 34,5% do mesmo período no ano anterior e 28% de média. As lavouras ainda por colher estão classificadas como: 37% bom/excelente, 47% regular e 16% ruins/muito ruins. A Bolsa de Buenos Aires manteve a estimativa de produção em 46,0MT.
– Enquanto os preços do milho continuam a subir, muitas empresas procuram alternativas ao milho nacional. Uma delas é a importação de milho argentino ou paraguaio. Outras opções podem ser sorgo, trigo, triticale, cevada, aveia e milheto. Com o aumento da procura, a tendência é que, a exemplo do milho, os preços destes outros produtos ganhem suporte, na concorrência entre a destinação para alimentação humana e alimentação animal. As avaliações indicam que o Brasil, com isto, deverá aumentar a importação de milho e trigo, sobretudo da Argentina; mas, dada a escassez, poderá prospectar aquisições também nos EUA e na Ucrânia.
– No mercado interno, o volume de oferta segue limitado diante da alta dos preços internacionais e, sobretudo, diante das preocupações crescentes com irregularidades climáticas que afeta severamente as lavouras da safrinha. As previsões indicam continuidade do tempo seco nos estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul, onde as lavouras vêm apresentando queda acentuada de produtividade. Outros estados centrais de produção também reportam a falta de umidade nos solos.
– Interesse de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 104,00/105,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 86,00/88,00 por saca para embarque em julho/agosto.

CAMBIO – Dólar opera estável, cotado em R$5,35. Ontem, fechou em forte queda, R$ 5,36. (Granoeste – Camilo / Stephan).