Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em forte alta, de 18 a 20 cents, a U$ 15,52/julho, neste momento, manhã de segunda-feira. Os preços voltam a ganhar força, depois de algumas sessões em queda que se seguiram ao pico de preços registrado em quase nove anos. O mês de abril fechou com ganhos de 7,5%, sendo o 11º mês seguido de alta em Chicago. Neste período os ganhos da posição presente chegam a 84%.
– Apesar de melhores condições climáticas para a implantação da safra norte-americana (logo mais, no fim da tarde, o USDA irá divulgar uma nova atualização do ritmo de plantio), os demais fundamentos seguem em ação, notadamente a forte demanda e os baixos estoques dos EUA e do mundo.
– O noticiário internacional continua citando que os EUA estão em vias de importar alguns cargueiros de soja brasileira, dada a limitação da oferta doméstica.
– Na Argentina a colheita segue atrasada e mal chega a 33%, ante 68% da mesma época do ano passado. Na semana houve bom avanço, de 17 pontos percentuais.
– O recente ritmo de importações por parte da China tem sido motivo de muito debate. As margens de esmagamento da indústria local estão muito pressionadas; por outro lado, de maneira geral, os recentes surtos localizados de peste suína africana não estão afetando a demanda por alimentação animal.
– No mercado interno, o volume de negócios segue lento, como indicações de compra relativamente acomodadas, um tanto distantes dos melhores momentos vividos até o início da semana passada. Os prêmios são cotados, no mercado spot, entre 40 e 15 cents negativos; para junho / julho são indicados entre negativos 15 e positivos 10 e, para agosto, entre 65 e 90 sobre a CBOT.
– Indicações de compra no mercado pronto, no oeste do estado, na faixa entre R$ 176,00/177,00 por saca; indicações que podem avançar para R$ 177,00/179,00 para junho/julho. Em Paranaguá, no mercado spot, interesse entre R$ 182,00/183,00 – dependendo de prazos de entrega e pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera em forte alta de 20 a 22 cents, a U$ 6,95/julho, neste momento, manhã de segunda-feira. Os ganhos estão focados nas irregularidades climáticas, sobretudo na América do Sul. Além disto, os estoques brasileiros, norte-americanos e globais seguem apertados num cenário de demanda aquecida. No mês de abril, a posição julho subiu 23%, se posicionando no melhor patamar em quase nove anos.
– Na China, estão aparecendo novas cepas da febre suína africana e podem causar transtorno aos produtores. Acrescente-se a isto, a alta dos custos de todas as matérias primas para alimentação animal e queda nos preços das carnes. Muitos criadores estão cautelosos, com receio de que a FSA saia novamente de controle, a exemplo do que ocorreu em 2018, quando a gravidade da doença acabou reduzindo os plantéis de suínos em 50%.
– De acordo com a agência marítima Nabsa, algumas empresas brasileiras estão importando milho argentino, diante dos temores com a quebra do milho safrinha. As primeiras movimentações de navios foram reportadas em 12 de abril. Apesar de ser comum a importação de milho e trigo argentino, geralmente a logística para o Brasil é feita por caminhões e não por meio de navios.
– De acordo com Safras & Mercado, a produção brasileira de milho safrinha sofrerá um corte significativo. A nova projeção é de 70,78MT, ante 80,65MT indicadas no mês de março. Na safra anterior, a produção da segunda safra ficou em 73,47MT.
– A colheita de milho verão chega a 85,3%, segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado, ante 84,9 da mesma época do ano passado e 89% de média. Por estado, os percentuais colhidos são: 99,3% no Paraná, 99,0% no Rio Grande do Sul, 98,2% em Santa Catarina e 52,5% em Minas Gerais.
– No mercado interno, o volume de oferta segue limitado diante da rotina de alta dos preços. As cotações internacionais e, sobretudo, as preocupações crescentes com irregularidades climáticas que afetam severamente as lavouras de safrinha, acabam por dar mais força aos preços domésticos. As previsões indicam continuidade do tempo seco nos estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul, onde as lavouras vêm apresentando queda acentuada de produtividade. Outros estados centrais de produção também reportam a falta de umidade nos solos.
– Interesse de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 104,00/105,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 85,00/88,00 por saca para embarque em julho/agosto.

CAMBIO – Dólar opera estável, cotado em R$5,43. Na sexta-feira, fechou em, R$ 5,436. (Granoeste – Camilo / Stephan).