Comentário de Mercado

SOJA – Depois de operar em baixa, os preços se recuperaram e trabalham estáveis na CBOT, a U$ 15,92/julho, neste momento, manhã de segunda-feira. Investidores adotam uma postura mais defensiva, depois que os preços subiram quase 4% na última semana e se mantém nos maiores patamares em quase nove anos.
– Os trabalhos de implantação das lavouras norte-americanas também avançam dentro da normalidade. Logo mais, no fim da tarde, o USDA irá divulgar uma nova atualização sobre o ritmo dos trabalhos. Há sete dias, 24% das áreas haviam sido semeadas, ante 21% da mesma data do ano passado e 11% de média histórica.
– Fundamentos ligados à disponibilidade geral, no entanto, seguem dando suporte ao mercado. Os estoques tendem a continuar minguados e a demanda, acentuada mesmo que a safra dos EUA venha cheia.
– Nesta quarta-feira, o USDA irá divulgar o relatório mensal de oferta e demanda. Maio traz as primeiras projeções para a temporada seguinte. O mercado aguarda com ansiedade estas estimativas iniciais, que estabelecem um rumo no olhar para um ano à frente. Para 2021/22, a produção de soja é esperada em 120,8MT, ante 112,6MT da última safra. Os estoques finais norte-americanos devem continuar extremamente apertados, com expectativa de algo em torno de 3,6MT. As primeiras impressões indicam que, mesmo que a safra se desenvolva dentro da normalidade, o quadro de oferta e demanda seguirá extremamente apertado.
– A colheita da safra brasileira de soja chega a 96,7%, ante 98,7% da mesma data do ano passado e 98,1% de média. O levantamento é da consultoria Safras & Mercado. No Rio Grande do Sul resta por colher 11% das lavouras.
– Os prêmios são cotados, no mercado spot, entre 25 e 15 cents negativos; para julho, entre negativos 10 e ao par e para agosto, entre 55 e 65 sobre a CBOT.
– Indicações de compra no mercado pronto, no oeste do estado, na faixa entre R$ 171,00/172,00 por saca; indicações que podem avançar para R$ 173,00/174,00 para julho. Em Paranaguá, no mercado spot, interesse entre R$ 177,00/180,00 – dependendo de prazos de entrega e pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera em queda de 3 a 5 pontos, a U$ 7,29/julho, neste momento, manhã de segunda-feira. Na sexta-feira, o pregão fechou com alta de 13 pontos.
– Neste dia 12 será divulgado pelo USDA o relatório mensal de oferta e demanda (WASDE), com as primeiras estimativas para a temporada 2021/22. A produção norte-americana é esperada em 382,8MT, ante 360,2MT desta última estação. Apesar do aumento esperado na colheita, os estoques devem seguir apertados, com estimativa de algo como 34,0MT. O quadro mundial também não deve ter maiores alívios.
– Em relação ao Brasil, o relatório deve trazer corte na produção deste ano, para algo como 103,4MT, ante 109MT do mês passado. Contudo, essa queda na colheita é considerada pequena diante da gravidade dos problemas climáticos vividos em todas as principais regiões de cultivo. Muitas consultorias internacionais falam em números bem abaixo, de até 90,0MT.
– Nos EUA, adversidades climáticas pontuais começam a preocupar o mercado. Embora o plantio venha evoluindo adequadamente (no fim da tarde de hoje o USA irá divulgar uma nova atualização do ritmo dos trabalhos), no Meio-Oeste, extensas áreas necessitam de umidade no solo e as temperaturas seguem baixas, complicando, em parte, o ritmo de plantio e o desenvolvimento inicial das plantas.
– No Brasil, a colheita de milho verão chega a 88,5%, ante 88,1% da mesma época do ano passado e média de 72,6%. O levantamento é da consultoria Safras & Mercado. A coleta está concluída nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e no Mato Grosso. Em outros estados: 99,5% em Santa Catarina, 94,1% em São Paulo, 92,6% no Mato Grosso do Sul, 88,3% em Goiás/Distrito Federal e 58,9% em Minas Gerais.
– Interesse de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 104,00/106,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 88,00/90,00 por saca para embarque em julho/agosto.
– O noticiário reporta operações de wash out (produto que seria destinado para exportação e agora fica no mercado interno brasileiro), o que tende a ajudar em certa acomodação dos preços, diante da gravidade das perdas no campo e dificuldade de abastecimento das integradoras.

CÂMBIO – Dólar opera estável, cotado em R$5,22 neste momento. No pregão anterior, fechou em R$ 5,228. (Granoeste – Camilo / Stephan).