Comentário de Mercado

SOJA – CBOT volta a operar em forte alta, de 24 a 26 cents, a U$ 16,40/julho, neste momento, manhã de quarta-feira. Nos últimos 10 dias, os ganhos ultrapassam 7%. O mercado segue postado no aperto do quadro geral de oferta e demanda. Cresce a perspectiva de que a nova safra norte-americana, mesmo com produção cheia, não será capaz de aliviar as tensões geradas pelos baixos estoques.
– Logo mais, no início da tarde, o USDA irá divulgar o relatório mensal de oferta e demanda, trazendo as primeiras estimativas de produção e consumo para a temporada 2021/22. A produção de soja é esperada em 120,8MT, ante 112,6MT da última safra. Mesmo com produção em alta, os estoques devem continuar extremamente apertados, com algo como 3,6MT. Se mantido o ritmo de consumo, no decorrer da estação, os EUA poderão se deparar com os menores estoques de soja da história.
– Os estoques finais do mundo são esperados em leve alta, com 88,8MT, ante 86,9MT deste último ciclo. As expectativas demonstram que haverá pouco alívio também para o quadro global. Por esta razão, o comportamento climático será decisivo na determinação do rumo dos preços.
– Mesmo o bom ritmo do plantio não é capaz de aplacar o ímpeto altista vividos nestes dias. De acordo com levantamento do USDA, 42% das áreas já estão semeadas, ante 36% da mesma data do ano passado e 22% de média histórica. Houve avanço de 18 pontos percentuais na última semana. Dez por cento das áreas já estão germinadas, ante 6% da mesma data do ano passado e 4% de média histórica.
– A Conab acaba de divulgar o oitavo levantamento de safra, indicando a safra brasileira de soja recém colhida em 135,4MT, aumento de 8,5% ante as 124,8MT colhidas no ano passado. As exportações devem alcançar 85,6MT e a demanda doméstica, 50,5MT (esmagamento, sementes e outros destinos).
– Os prêmios são cotados, no mercado spot, entre 35 e 25 cents negativos; para julho, entre negativos 10 e ao par e para agosto, entre 60 e 70 sobre a CBOT.
– Indicações de compra no mercado pronto, no oeste do Paraná, na faixa entre R$ 175,00/176,00 por saca; indicações que podem avançar para R$ 177,00/178,00 para julho. Em Paranaguá, interesse entre R$ 182,00/183,00 – dependendo de prazos de entrega e de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera em alta de 3 a 4 pontos, a U$ 7,26/julho, neste momento, manhã de quarta-feira. Ontem, o pregão fechou com 10 positivos.
– Diante de muita expectativa, hoje será divulgado pelo USDA o relatório mensal de oferta e demanda (WASDE), com as primeiras estimativas para a temporada 2021/22. A produção norte-americana de milho é esperada em 382,8MT, ante 360,2MT desta última estação. Apesar do aumento esperado na colheita, os estoques tendem a continuar comedidos, com estimativa de algo como 34,0MT, ante 32,0MT esperados para este ciclo. O quadro mundial também deve seguir apertado, com algo como 284,0MT, ante 279,5MT desta última estação.
– Mesmo com o bom ritmo do plantio da safra norte-americana, os preços do milho seguem firmes e se postam claramente acima de U$7,00 na CBOT, no melhor patamar em nove anos. De acordo com o USDA, o plantio alcança 67%, ante 65% do mesmo período no ano anterior e média de 52%. Os estados centrais de cultivo, como Iowa, Illinois e Minessota contam com plantio à frente da média nacional.
– A Conab divulgou agora pela manhã o relatório de maio sobre a produção brasileira. Com números bastante conservadores, a produção de milho, verão e inverno, é estimada em 106,4MT, ante 108,96MT do relatório de abril. Levando em consideração os graves problemas climáticos, é notório que a quebra de safra se mostra muito mais profunda e tende a afetar os volumes de produção e, posteriormente, de exportações.
– A Conab avalia que as exportações de milho devem se situar em 35,0MT, volume similar ao da última temporada. O consumo interno é elevado para 72,1MT, ante 68,7MT do último ciclo.
– Para muitas consultorias privadas, as projeções iniciais de uma colheita entre 105,0MT e 110,0MT, vão dando lugar para estimativas bem mais modestas, ao redor de 90,0MT/92,0MT. Algumas consultorias internacionais falam em números até abaixo destes patamares, diante da profundidade e extensão das irregularidades no regime de chuvas.
– No mercado interno, depois de recordes historicamente altos, percebe-se certa pressão nos preços de milho. Importações da Argentina e do Paraguai, chuvas pontuais em algumas regiões produtivas, proximidade da colheita e, sobretudo, operações de wash out (produto que seria exportado e agora fica no mercado interno) acabam por aumentar a disponibilidade doméstica e estabilizar, senão pressionar, os preços. Muitas integrações estão com suas escalas de compras fechadas para o curto prazo e indicam preços somente para operações mais alongadas, com produto novo.
– Interesse de compra, no oeste do estado, na faixa de R$ 104,00/105,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 88,00/90,00 por saca para embarque em julho/agosto.

CÂMBIO – Dólar opera estável, cotado em R$5,22. Ontem, fechou em R$ 5,224. (Granoeste – Camilo / Stephan).