Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em queda, de 18 a 20 cents, a U$ 16,23/julho, neste momento, manhã de quinta-feira. Fundos e investidores adotam uma postura mais vendedora, depois de ganhos acumulados de cerca de 8% nos últimos 10 dias e diante de um relatório de oferta e demanda relativamente neutro.
– Ontem, o USDA divulgou o relatório de oferta e demanda de maio, com as primeiras projeções para a temporada 2021/22. A produção norte-americana foi estimada em 119,9MT, cerca de 1,0MT abaixo do esperado pelo mercado, porém, algo como 7,5MT acima da colheita da última temporada. Os estoques devem continuar extremamente baixos, na faixa de 3,8MT, mas em linha com as expectativas dos consultores ouvidos antecipadamente por agências internacionais. Os estoques finais deste ciclo seguem estimados em 3,25MT, os mais baixos em múltiplos anos.
– Ainda nos EUA, a área semeada deve ficar em 35,45MH, aumento de 5,4% em relação à temporada anterior. O plantio, segundo o USDA, estava concluído em 42%, até o último domingo, ante 36% da mesma data do ano passado e 22% de média histórica.
– Para o Brasil, o USDA estima uma safra de 144,0MT na próxima estação, aumento de 6%, sobre os 136,0MT previstos para este ano. As exportações estão avaliadas em 93,0MT, ante 86,0MT do ciclo atual, com esmagamento aumentando 2%, para 47,7MT, na estação 2021/22.
– Na visão do USDA, a Argentina poderá alcançar uma produção de 52,0MT, ante 47,0MT desde ano. Já, a China irá importar 103,0MT em 2021/22, contra 100,0MT desde ano e 98,5MT do ciclo passado.
– Além da Conab, que prevê a safra brasileira em 135,4MT e do USDA, em 136,0MT, o IBGE também liberou uma nova rodada de estimativas, prevendo a colheita de soja do país em 131,9MT neste ano, aumento de 8,6% sobre a temporada anterior. A área semeada ficou em 38,6MH, queda de 0,1%.
– Os números do USDA não trouxeram maiores surpresas para o mercado da soja; confirmam, porém, que o aperto no quadro norte-americano e global continuará promovendo sustentação para os preços. Num cenário como este, o comportamento climático durante a fase de implantação e desenvolvimento da safra nos campos do Meio Oeste será decisivo para o rumo dos preços.
– Os prêmios são cotados, no mercado spot, entre 55 e 40 cents negativos; para julho, entre 40 e 30 negativos e para agosto, entre 40 e 50 sobre a CBOT.
– Indicações de compra no mercado pronto, no oeste do Paraná, na faixa entre R$ 176,00/178,00 por saca. Em Paranaguá, interesse entre R$ 181,00/183,00 – dependendo de prazos de entrega e de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera em forte baixa, de 18 a 20 pontos, a U$ 6,96/julho, neste momento, manhã de quinta-feira. Ontem, o pregão fechou com 7 pontos negativos devido à intensificação de vendas e realização de lucros.
– O relatório de oferta e demanda referente a maio, divulgado pelo USDA ontem, indicou a possibilidade de algum alívio na próxima temporada. A produção de milho norte-americano para a safra 2021/22 é projetada em 380,8MT, cerca de 2,0MT abaixo da expectativa do mercado. Porém, os estoques finais vieram mais confortáveis, com 38,3MT, ante 34,4MT esperadas por analistas ouvidos por agências de notícias.
– Para a safra atual, os estoques finais dos EUA sofreram um novo corte, de pouco mais de 2,0MT, avaliados agora em 31,9MT.
– Os estoques finais mundiais também pesaram negativamente nas cotações, diante da projeção de um expressivo incremento. De acordo com o USDA, na temporada 2021/22, os estoques finais globais devem se situar em 292,3MT, ante 284,1MT esperados pelo mercado e 283,5MT da estação 2020/21.
– O USDA segue estimando a safra brasileira de milho num patamar considerado muito alto, embora esteja em linha com as estimativas de analistas consultados anteriormente. O levantamento indica uma produção de 102,0 neste ano e de 118,0MT para o próximo ano.
– Contudo, a gravidade e extensão das irregularidades climáticas indicam que haverá cortes bem mais profundos nas estimativas da safra brasileira. Além disto, houve perdas significativas também nas lavouras de milho verão em importantes estados de cultivo, como RS e SC. Provavelmente, a projeção deste mês, será ajustada pelo USDA nos próximos relatórios. Algumas consultorias internacionais falam em 92/90MT para a colheita deste ano.
– De acordo com levantamento mensal do IBGE, a safra brasileira de milho é projetada em 102,5MT, sendo 25,8MT da safra de verão e 76,7MT da safrinha.
No mercado interno, depois de recordes historicamente altos, percebe-se certa pressão nos preços de milho. Importações da Argentina e do Paraguai, chuvas pontuais em algumas regiões produtivas, proximidade da colheita e, sobretudo, operações de wash out (produto que seria exportado e agora fica no mercado interno) acabam por aumentar a disponibilidade doméstica e estabilizar, senão pressionar, os preços. Muitas integrações estão com suas escalas de compras fechadas para o curto prazo e indicam preços somente para operações mais alongadas, com produto novo.
– Interesse de compra, no oeste do Paraná, na faixa de R$ 103,00/104,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 90,00/91,00 por saca para embarque em julho/agosto.

CÂMBIO – Dólar opera em leve baixa neste momento, cotado em R$5,29. Ontem, fechou em alta, a R$ 5,306. (Granoeste – Camilo / Stephan).