Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em queda acentuada, de 20 a 23 cents, a U$ 15,50/julho, neste momento, manhã de quarta-feira. Além do excepcional avanço do plantio, as lavouras norte-americanas se desenvolvem dentro da normalidade. Ao mesmo tempo, o esmagamento de soja pelas indústrias locais ficou abaixo do esperado. Tecnicamente, o mercado é enfraquecido por vendas mais aceleradas diante de perdas nos pits paralelos de milho, trigo e petróleo.
– O plantio da safra norte-americana de soja teve bom avanço na última semana e alcança 61%, ante 51% da mesma data do ano passado e 37% de média histórica – informou o USDA em boletim divulgado no fim da tarde de segunda-feira. Estados centrais de cultivo estão à frente da média nacional. Iowa conta com 83% do plantio já concluído; Illinois, com 71% e Minessota, com 88%.
– Em relação ao clima, o sul da região produtora dos EUA conta com umidade adequada; porém, a porção norte tem necessidade de mais umidade, e tem promessa para a ocorrência de chuvas na próxima semana. As temperaturas estão em elevação, o que ajuda na germinação e desenvolvimento da fase inicial das plantas.
– As exportações brasileiras caminham para fechar o mês de maio num volume ao redor de 16,0MT, tomando por base o volume já embarcado de quase 9,0MT e mais o line-up de navios nos portos. Na temporada, iniciada em fevereiro, os despachos alcançam 42,5MT, ante 39,0MT do mesmo intervalo do ciclo passado.
– Os prêmios são cotados, no mercado spot, entre 55 e 45 cents negativos; para julho, entre 40 e 30 negativos e para agosto, entre 40 e 50 sobre a CBOT.
– Indicações de compra no mercado pronto, no oeste do Paraná, na faixa entre R$ 168,00/169,00 por saca. Em Paranaguá, interesse entre R$ 176,00/178,00 – dependendo dos prazos de entrega e pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera em baixa de 8 a 10 pontos, a U$ 6,49/julho, neste momento, manhã de quarta-feira. Ontem, fechou em alta de 5 cents. Apesar da divulgação de novas compras de milho norte-americano por parte dos chineses, o mercado se posta no campo negativo pressionado pelo bom andamento do plantio e bom desenvolvimento da safra nos campos do Meio Oeste. Olhando do lado puramente técnico, os participantes intensificaram as vendas depois que o mercado atingiu, no início do mês, o maior patamar em quase nove anos.
– As importações chinesas de milho norte-americano estão bem mais expressivas do que na temporada anterior, com aumento de cerca de 300% no período janeiro-abril em relação ao mesmo intervalo do ano passado. Somente em abril, o volume importado foi de 1,85MT, 108% a mais, comparativamente ao mesmo mês de 2020. As estimativas indicam que a China irá importar 26,0MT de milho neste ano, ante apenas 7,6MT do ciclo passado.
– Nos EUA, a umidade do solo está propícia para a finalização do plantio do milho, contudo, áreas mais ao norte necessitam de mais umidade. Há previsões de chuvas para os próximos dias; além disto, temperaturas mais quentes concorrem para favorecer o desenvolvimento das plantas.
– De acordo com o Deral, em levantamento realizado neste início de semana, somente 23% de lavouras paranaenses são consideradas em boas condições, enquanto que 46% são classificadas como regulares e 31%, ruins. A falta de chuvas segue deteriorando as plantações na maioria das regiões. Os estágios são: 1% em germinação, 24% em desenvolvimento vegetativo, 51% em floração, 21% em frutificação e 3% em maturação.
– No mercado interno, depois de recordes historicamente altos, os preços vêm cedendo nos últimos dias. A perspectiva de chegada da nova safra (apesar da quebra acentuada por estiagem), combinada com operações de wash out (produto que seria exportado e agora fica no mercado interno) e alguns volumes importados do Paraguai e da Argentina culminaram com aumento da disponibilidade doméstica.
– Soma-se se a isto, a aceleração das vendas para liquidação de lotes de produto da safra anterior para abertura de espaço nos armazéns. Por outro lado, muitas integrações passaram a indicar compras somente para meses mais adiante, contando com a efetiva entrada de produto novo.
Interesse de compra, no oeste do Paraná, na faixa de R$ 95,00/97,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 84,00/85,00 por saca.

CÂMBIO – Dólar opera em alta neste momento, cotado em R$5,30. Ontem, fechou em R$ 5,253. (Granoeste – Camilo / Stephan).