Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera estável, a U$ 15,38/julho, neste momento, manhã de quinta-feira. O mercado busca certa estabilização depois das acentuadas perdas apuradas na sessão anterior. Nesta semana, as perdas somam 3%. Ontem, chuvas se espalharam pela porção norte e central do cinturão de cultivo do Meio Oeste e chegaram em momento muito oportuno.
– Depois de o mercado ter atingido o melhor patamar em quase nove anos, a acomodação vista nas últimas sessões tem boas razões fundamentais: bom avanço do plantio norte-americano (que chega a 61%, ante 37% de média histórica para esta época) e boas condições de germinação e desenvolvimento inicial das plantas; fraco ritmo do esmagamento da indústria norte-americana. O mercado também especula sobre certa ausência da China nas últimas semanas.
– Por outro lado, o aperto no quadro geral de oferta e demanda segue muito bem postado e fornece um sólido suporte para os preços. Os estoques norte-americanos e mundiais são indicados como os mais baixos em múltiplos anos e a primeira projeção para a temporada 2021/22 parece não indicar nenhuma folga.
– O USDA acaba de informar que, na última semana, foram exportadas apenas 0,18MT – em linha com o esperado e num momento de entressafra. Na temporada, as vendas somam 61,5MT, ante 41,3MT do mesmo período do ano passado. O volume já embarcado chega a 56,9MT, contra 34,9MT do mesmo intervalo do ciclo anterior.
– Os prêmios nos portos brasileiros são cotados, no mercado spot, entre 45 e 20 cents negativos; para julho, entre 20 negativos e ao par e para agosto, entre 50 e 60 sobre a CBOT.
– O mercado doméstico, as indicações de compra recuaram nos últimos dias, com base na queda em Chicago e dos prêmios. O câmbio segue comedido na faixa dos R$ 5,30. No mercado pronto, as indicações de compra, no oeste do Paraná, estão na faixa entre R$ 167,00/168,50 por saca. Em Paranaguá, interesse entre R$ 176,00/178,00 – dependendo dos prazos de entrega e pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera em leve alta, de 3 a 5 pontos, a U$ 6,62/julho, neste momento, manhã de quinta-feira. Ontem, o pregão fechou zerado no mês presente, mas com queda de 4 cents nas posições mais à frente. Apesar da divulgação de novas compras de milho norte-americano por parte da China, o mercado segue ponderando o bom andamento do plantio e bom desenvolvimento da safra nos campos do Meio Oeste.
– O USDA divulgou há pouco que foi exportado o expressivo volume de 4,34MT de milho na última semana, sendo grande parte para a próxima temporada. Até aqui, nesta estação, o volume comprometido com o exterior chega a 68,0MT, ante 39,4MT de igual período do ano passado. Os embarques somam 47,3MT, contra 26,6MT do mesmo intervalo do ciclo anterior.
– Na Argentina, o clima mais seco está favorecendo a colheita, que segue a pleno vapor. Ao mesmo tempo, chuvas esparsas atingem a porção norte do cinturão de produção dos EUA, em áreas que estavam precisando de reposição de umidade.
– Há também previsão de chuvas para região Sul do Brasil a partir desta sexta-feira. De acordo com o meteorologista Celso de Oliveira, as chuvas vão desde o Rio Grande do Sul podendo chegar até Goiás. A partir do dia 24, há previsão de chegada de uma massa polar, que derrubará as temperaturas, podendo prejudicar algumas culturas.
– No mercado interno, depois de recordes historicamente altos, os preços vêm cedendo nos últimos dias. A perspectiva de chegada da nova safra (apesar da quebra acentuada por estiagem), combinada com operações de wash out (produto que seria exportado e agora fica no mercado interno) e alguns volumes importados do Paraguai e da Argentina culminaram com aumento da disponibilidade doméstica. Além disto, existe certo aumento da oferta de produto disponível; muitos produtores aceleram as vendas para abertura de espaço nos armazéns. Por outro lado, muitas integrações passaram a indicar compras somente para meses mais adiante, contando com a efetiva entrada de produto novo.
Interesse de compra, no oeste do Paraná, na faixa de R$ 95,00/97,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 84,00/85,00 por saca.

CÂMBIO – Dólar opera em baixa neste momento, cotado em R$5,29. Ontem, fechou em R$ 5,315. (Granoeste – Camilo / Stephan).