Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em alta de 6 a 8 cents, a U$ 15,68/julho, neste momento, manhã de terça-feira, refletindo certa piora na qualidade das lavouras norte-americanas. Ontem, depois de atingir alta de 40 cents, o mercado foi pressionado por vendas por parte de fundos e a posição mais próxima fechou em queda acentuada, superior a 20 cents.
– Esta intensa volatilidade mostra a exposição dos preços a dois importantes fatores: a) o comportamento do clima e a consequente qualidade das lavouras nos campos do Meio Oeste e b) a intensa participação de fundos e especuladores, que acabam por jogar o mercado de forma mais dilatada em uma das direções.
– No fim da tarde de ontem, o USDA informou que 90% da safra de soja dos EUA está semeada, ante 84% de um ano atrás e 79% de média. O mercado esperava pelo menos 92%.
– Quanto à qualidade das lavouras, o USDA informou que 67% das áreas são consideradas boas/excelentes; 27%, regulares e 6%, ruins/péssimas. O mercado esperava pelo menos 70% na categoria superior. Na mesma data do ano passado as condições eram, respectivamente, 72%, 24% e 4%.
– Apesar do ritmo veloz de plantio, a qualidade das lavouras não se mostra conforme o esperado. Os índices de qualidade das lavouras dos dez anos anteriores mostram que em somente três deles o teor bom/excelente da primeira semana esteve abaixo de 67%.
– A porção centro-norte da região de cultivo segue apenas com chuvas esparsas e irregulares e temperaturas em elevação.
– O mercado também busca posicionar-se para o relatório de oferta e demanda de junho, que será apresentado pelo USDA nesta quinta-feira. Analistas ouvidos por agências de notícias não esperam maiores alterações em relação a maio; esperam, porém, a continuidade do forte aperto no quadro geral de oferta e demanda.
– Internamente, o mercado segue lento, com negociações apenas pontuais. A taxa de câmbio se mantém pressionada diante de melhores números da economia brasileira. Os prêmios, no mercado spot são cotados na faixa de negativos 40 e negativos 20. Indicações de compra na faixa de R$ 164,00/166,00 no oeste do Paraná e ao redor de R$ 171,00/173,00 no porto de Paranaguá – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera estável na posição presente, a U$ 6,82/julho, neste momento, manhã de terça-feira; porém, as posições mais distantes se mostram em alta, postadas em certa queda na qualidade das lavouras de milho dos EUA. Ontem, o pregão transcorria em forte alta; porém, no decorrer do dia, com a intensificação das vendas por parte de fundos, fechou em baixa de 3 cents.
– O plantio de milho norte-americano foi finalizado. De acordo com o USDA, 72% das lavouras são consideradas boas/excelentes; 23%, regulares e 5%, ruins/péssimas. Na mesma data no ano anterior, os valores eram, respectivamente, 75%, 21% e 4%.
– Nesta quinta-feira, será divulgado o relatório mensal de oferta e demanda global (WASDE), com expectativa de redução nos estoques norte-americanos e mundiais. A produção dos EUA é esperada em alta, em 381,5MT ante 380,8MT do relatório de maio.
– As vendas de milho norte-americano nesta temporada, iniciada em 1º de setembro, soma 69,1MT. Esse total representa aumento de 71% em relação ao mesmo período no ano anterior, de acordo com o USDA.
– O Paraguai é o terceiro maior produtor de milho da América do Sul. Com clima bastante similar ao do Paraná e com 70% das lavouras semeadas fora da janela ideal, a produção deste ano sofrerá sérios prejuízos. A consultoria Dasagro indica que a produtividade de 60% das áreas está avaliada entre 80 e 90SC/ha e de 40% das áreas, entre de 63 e 66SC/ha. Nos últimos anos, a produtividade média do país ficou entre 90 a 100SC/ha.
– Depois de um rápido recuo nas cotações, os preços internos se estabilizaram ao mesmo tempo em que volta a aumentar o interesse de compra. Alguns focos de colheita começam a aparecer, notadamente no MT. Enquanto isto, lotes ainda remanescentes da safra passada chegam ao mercado, já que muitos produtores precisam abrir espaço nos armazéns.
– Por outro lado, algumas integrações contam com certo volume adequado de estoques e passam a indicar compras somente para meses mais adiante, contando com a efetiva entrada de produto novo.
– Interesse de compra no oeste do Paraná na faixa de R$ 93,00/95,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 87,00/88,00 por saca.
CÂMBIO – Dólar opera em alta, cotado em R$5,06 neste momento; ontem, fechou em R$ 5,037 (Granoeste – Camilo / Stephan).