Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em queda de 10 a 12 cents, a U$ 15,70/julho, neste momento, manhã de quarta-feira. Ontem, houve ganhos próximo de 20 pontos. Vendas técnicas, postadas na valorização do dólar voltaram a pressionar as cotações.
– Nos últimos dias, o clima seco e quente na porção central e norte da região de cultivo dos EUA impulsionou os preços. Chuvas esparsas estão previstas para a região a partir deste final de semana. Na porção sul e leste as precipitações foram mais generosas nos últimos dias, ajudando no bom desenvolvimento das plantas.
– Os investidores também buscam ajustar suas carteiras frente ao relatório de oferta e demanda, que será divulgado pelo USDA nesta quinta-feira. A produção de soja dos EUA é esperada em 120,1MT, ante 119,9MT projetadas em maio. No ano passado a colheita ficou em 112,6MT e no ano retrasado, em 96,7MT.
– Os estoques dos EUA são esperados por analistas, para o final da temporada 2021/22, em 3,8MT, mesmo patamar de maio. Para o final do ciclo 2020/21, os estoques são esperados em 3,3MT, em linha com o mês passado. Na safra anterior, os estoques finais ficaram em 14,3MT e na safra retrasada, em 24,0MT.
– Os estoques finais mundiais, segundo analistas, devem ficar na mesma faixa estimada em maio: 91,6MT para 2021/22 e 86,7MT para a temporada 2020/21. No ano passado os estoques finais do mundo eram de 96,5MT e, na safra retrasada, de 114,5MT.
– De maneira geral, há um consistente aperto no quadro de oferta e demanda, visível pela expressiva redução dos estoques, tanto dos EUA quanto do mundo. Isto é que torna tão decisivo o comportamento do clima nos campos do Meio Oeste, até fins de agosto.
– Internamente, o mercado segue lento, com negociações apenas pontuais. A taxa de câmbio se mantém pressionada diante de melhores números da economia brasileira. Os prêmios, no mercado spot são cotados na faixa de negativos 20 e negativos 5. Indicações de compra na faixa de R$ 164,00/166,00 no oeste do Paraná e ao redor de R$ 171,00/173,00 no porto de Paranaguá – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera em baixa de 3 a 5 cents, a U$ 6,76/julho, neste momento, manhã de quarta-feira. Ontem, o pregão fechou praticamente zerado na posição presente e com ganhos entre 6 e 7 cents nos vencimentos mais distantes.
– Amanhã será divulgado, pelo USDA, o relatório mensal de oferta e demanda (WASDE). É esperado aumento na produção norte-americana de milho em cerca de 1,0MT em relação às projeções de maio, para 381,5MT. Na temporada passada, a produção ficou em 360,3MT e na anterior, em 346,0MT.
– No comparativo com maio, os estoques norte-americanos de milho para 2021/22 são esperados em queda de cerca de 2,5MT, para 35,9MT. Para a temporada 2020/21, os estoques são estimados por analistas em 30,6MT, ante 31,9 do mês anterior. Na temporada passada os estoques finais dos EUA ficaram em 48,8MT.
– Os estoques finais do mundo também são esperados em queda. Analistas projetam estoques finais de 288,9MT ao final da temporada 2021/22, ante 292,3MT do USDA de maio. Para o final desta estação, 2020/21, espera-se estoques no mundo de 283,5MT. No ano passado os estoques finais globais eram de 304,5MT e no ciclo anterior, de 321,1MT.
– O mercado também espera um forte ajuste negativo na produção brasileira, para algo como 97,0MT, ante 102,0MT do mês passado, neste relatório do USDA. Porém, muitas consultorias brasileiras já indicam a colheita total, verão e inverno, ao redor de 90,0MT, diante da gravidade das irregularidades climáticas.
– As chuvas da última semana trouxeram alívio para algumas regiões, notadamente do PR, MS e SP. Contudo, os estragos são, em geral, irreversíveis e as perdas se acumulam diante da intensidades das irregularidades climáticas.
– No MT, o IMEA fala em quebra de, pelo menos, 4,0MT, com produção de cerca de 32MT, com potencial de perdas adicionais no decorrer. Já, no Paraná, a quebra pode alcançar 35%. De acordo com o Deral, as lavouras de milho estão classificadas em: 22% boas, 46% regulares e 32% ruins/péssimas. O volume mais expressivo da colheita só acontecerá em julho; até lá, as perdas de produtividade podem ficar ainda maiores.
– No mercado interno, os preços se estabilizaram nos últimos dias. A expectativa está voltada para o início da colheita e acompanhamento dos índices de produtividade, bem como da qualidade dos grãos. Do lado comprador, a esperança está voltada para o aumento da oferta com a chegada de produto novo (mesmo diante de um cenário de perdas generalizadas), bem como com a intensificação da oferta de lotes ainda remanescentes da safra anterior.
– Interesse de compra no oeste do Paraná na faixa de R$ 93,00/94,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 87,00/88,00 por saca.
CÂMBIO – Dólar opera em baixa, cotado em R$5,02 neste momento; ontem, fechou em R$ 5,040 (Granoeste – Camilo / Stephan).