Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera com ganhos de 4 a 6 cents na posição julho, a U$ 14,78; porém, opera com perdas de 5 a 12 cents nos meses mais distantes, neste momento, manhã de terça-feira. Ontem, o mercado fechou com acentuadas perdas, superiores a 40 cents na maioria dos vencimentos, dando sequência à pressão iniciada na semana anterior.
– Apesar da perda de qualidade das lavouras, o mercado em geral opera no campo negativo, pressionado pela perspectiva de aumento da área semeada nos EUA e pela possibilidade de redução dos índices de mistura de biocombustíveis na gasolina e no diesel. Se, de um lado, o comportamento climático não é o mais adequado e pode afetar a oferta, de outro lado, a possibilidade de diminuição do uso de biodiesel e de etanol compromete a demanda.
– No fim da tarde de ontem, o USDA divulgou boletim atualizando os dados sobre o andamento do plantio e sobre a qualidade das lavouras norte-americanas. O plantio chega a 94%, ante 92% de um ano atrás e 88% de média histórica.
– Mas o que mais chamou a atenção foi a perda de qualidade das lavouras, que caiu cinco pontos na principal categoria. De acordo com o USDA, 64% das áreas são consideradas boas/excelentes, ante 67% da semana passada e 72% de um ano atrás. As lavouras tidas como regulares somam 30%, três pontos a mais do que há sete dias; na mesma data de 2020 este índice era de 24%. Já, as áreas consideradas ruins/péssimas chegam a 8%, ante 6% da semana passada e 4% da mesma data do ano anterior.
– Estados centrais como Iowa perderam 12 pontos na categoria bom/excelente ao longo da semana, somando, agora, 61%; Illinois teve perda de 10 pontos e conta com 63% e Minnesota apresentou queda de 9 pontos percentuais na semana e está com 61% das lavouras em bom/excelente estado. Mas, o estado mais atingido pela baixa umidade do solo é Dakota do Norte, que soma apenas 24% de bom/excelente.
– Depois do intenso ritmo do ano passado, a comercialização da safra brasileira de soja está mais lenta neste ano. Dados do IMEA indicam que, no Mato Grosso, 88,3% da safra 2020/21 foi comercializada, ante 92,7% da mesma época do ano passado. Em termos de negociações antecipadas, para 2021/22 o índice chega a 32,5%, ante 41,5% da mesma data do ano anterior.
– No mercado interno, as negociações estão travadas em face das perdas dos preços internacionais. Certo alívio vem da forte recuperação dos prêmios, que são cotados, no spot, entre 10 e 30 cents positivos. Indicações de compra no oeste do estado na faixa entre R$ 159,00/160,00 e, em Paranaguá, na faixa entre R$ 165,00/167,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera novamente em forte queda neste momento, manhã de terça-feira, de 6 a 8 cents no mês presente e acima de 10 cents nos vencimentos mais distantes. Julho é cotado a U$ 6,52. Ontem, o pregão fechou com queda de 25 pontos, baseado na informação de que, nos EUA, empresas ligadas ao ramo petrolífero pressionam o governo para que reduza a proporção de biocombustíveis (biodiesel e etanol) na composição do diesel e da gasolina.
– Além disto, o mercado especula sobre o aumento da área semeada, cujo relatório final será divulgado no final deste mês. A meteorologia também indicou certa melhora do regime de chuvas nas áreas mais ao norte do país.
– Ontem, o USDA divulgou relatório sobre a condição das lavouras de milho. De acordo com o levantamento, 68% das áreas são classificadas como boas/excelentes, queda de quatro pontos em relação à semana passada; 27% são tidas como regulares e 5% ruins/muitos ruins. O índice bom/excelente em período equivalente no ano anterior era de 71%. O percentual de plantas emergidas é de 96%, contra 90% da semana prévia e 94% da mesma data da temporada passada.
– Ainda, segundo o USDA, desde o início da temporada, em 1º de setembro de 2020, até o presente, foram embarcadas 54,0MT de milho para o exterior, ante 30,8MT do mesmo período no ano anterior.
– De acordo com o IMEA, a comercialização de milho 2020/21 no Mato Grosso atinge 77,3%, ante 85,1% do mesmo período no ano anterior. Em relação à comercialização da safra 2021/22, até agora foi comprometido 23,3%, contra 35,1 da mesma época ano anterior.
– No mercado interno, os preços vivem certa pressão, típica de início de colheita. Porém, a intensidade das perdas tende a manter os preços em níveis superiores à paridade de exportação (cujos parâmetros estão pressionados pela queda dos preços internacionais e certa contenção do câmbio). Cresce a expectativa em relação aos índices de produtividade e qualidade dos grãos das primeiras colheitas. Do lado comprador, a esperança é pelo aumento da oferta com a chegada de produto novo e com intensificação das vendas dos lotes remanescentes da safra anterior.
– Interesse de compra no oeste do Paraná na faixa de R$ 90,00/93,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 82,00/84,00 por saca.

CÂMBIO – Dólar opera estável, cotado em R$5,07 neste momento. (Granoeste – Camilo / Stephan).