Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera mista, com cotação julho, em alta de 10 cents, a U$ 14,06 e as posições mais distantes com perdas e 2 a 8 cents, neste momento, manhã de segunda-feira. Chuvas muito esperadas em extensas áreas centrais de cultivo dos EUA acabam mantendo os preços mais acomodados neste início de semana.
– O mercado seguirá pautado pelo comportamento climático nos campos do Meio Oeste. Logo mais, no fim da tarde, o USDA irá divulgar uma nova atualização sobre as condições das lavouras.
– A demanda também está no centro do debate formador do preço. De um lado, nos EUA a possibilidade de redução do uso de óleo para a produção de biodiesel pressiona os preços; de outro, novas compras por parte da China (pelo menos 8 cargueiros na última semana) limitam as perdas.
– Durante maio, a China importou 9,61MT de soja brasileira, ante 7,45MT em abril. Em maio do ano passado o volume ficou em 9,38MT. Os dados são a administração alfandegária da China e reportados pela agência Reuters. A China vem retomando rapidamente a produção de suínos, depois que o rebanho foi reduzido em cerca de 40% em face da gravidade da peste suína africana, que começou em meados de 2018. Os suinocultores chineses enfrentam um momento adverso, com queda dos preços das carnes combinado com aumento dos custos de produção.
– No mercado interno, os negócios tendem a seguir travados, a exemplo do que ocorreu ao longo de toda a semana passada. Além das perdas na bolsa norte-americana, câmbio e prêmios se mantêm relativamente acomodados. No spot, os prêmios são indicados entre 15 e 25 cents positivos. Indicações de compra no oeste do estado na faixa entre R$ 147,00/148,00 e no porto entre R$ 153,00/154,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera misto, com alta de 5cents, a U$ 6,60/julho, neste momento, manhã de segunda-feira. Nos últimos dias, o mercado tem se mostrado muito volátil, com foco na evolução da safra norte-americana e na possibilidade de revisão da política de biocombustíveis dos EUA. Na sexta-feira, pregão fechou com 22 pontos de alta, em recuperação parcial do limite de baixa vivido na quinta-feira.
– Melhores índices de chuvas durante o final de semana em extensas áreas do Meio Oeste acabaram dando o tom negativo. Contudo, algumas regiões seguem necessitando de mais chuvas. Além disso, as temperaturas estão bastante elevadas.
– Segundo a Administração Geral de Alfândega da China, o país importou 3,16MT de milho no mês de maio, representando aumento de quase 400% em relação ao mesmo período no ano anterior. De janeiro a maio, as importações somam 11,7MT, aumento de 320% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
– De acordo com a consultoria Safras & Mercado, nos próximos 90 dias, 62MT de milho safrinha devem chegar ao mercado. Mesmo com a quebra acentuada, a oferta tende a ficar mais robusta. De acordo com o analista Paulo Molinari, a queda na cotação da soja pode fazer com que os produtores retenham a oleaginosa e vendam milho, o que pode precisar ainda mais o preço do cereal.
– Neste dia 30, será divulgado o relatório final de área de plantio norte-americano, tanto para soja quanto para milho. O mercado especula que haverá aumento na extensão semeada, por isso esse report se torna tão importante. Além deste, o USDA irá divulgar também o relatório trimestral de estoques do país.
– No mercado interno, os preços vivem certa pressão, típica de início de colheita. Porém, a intensidade das perdas tende a manter os preços em níveis superiores à paridade de exportação (cujos parâmetros estão pressionados pela queda dos preços internacionais e certa contenção do câmbio). Cresce a expectativa em relação aos índices de produtividade e qualidade dos grãos das primeiras colheitas. Do lado comprador, a esperança é pelo aumento da oferta com a chegada de produto novo e pela intensificação das vendas dos lotes remanescentes da safra anterior.
– Interesse de compra no oeste do Paraná na faixa de R$ 85,00/87,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 74,00/76,00 por saca.

CÂMBIO – Dólar opera em baixa, cotado em R$5,04 neste momento. Na sexta-feira, fechou em R$ 5,07. (Granoeste – Camilo / Stephan).