Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em leve alta, a U$ 13,96/julho, neste momento, manhã de quarta-feira. Depois das perdas de ontem, na faixa de 20 cents, o mercado ensaia certa recuperação.
– O clima nas regiões produtoras dos EUA segue como importante fator de direcionamento dos preços. Algumas regiões se mantêm com baixa umidade e carecem de chuvas; porém, neste estágio inicial dificilmente ocorrem perdas. As projeções indicam uma nova onda de chuvas neste final de semana; muitos locais podem, novamente, passar em branco e, então, as coisas podem se agravar porque as áreas plantadas mais cedo começam a entrar no período de floração.
– Um outro ponto que segue no debate formador do preço é a crença de que o governo Biden, tido como defensor de medidas favoráveis ao meio ambiente, possa rever, pelo menos parcialmente, o volume de biocombustíveis misturados no diesel e na gasolina. Embora o momento seja completamente diferente, com os preços dos alimentos cerca de 60% mais altos, mas a Suprema Corte rejeitou proposta neste sentido durante o governo Trump. Haverá um grande e desafiador debate pela frente, envolvendo, dentre outros segmentos, a EPA (agência ambiental), o governo, o lobby da indústria petrolífera, o lobby da agricultura e o Congresso Nacional.
– Hoje, a cada ano, cerca de 130MT de milho são destinadas à produção de etanol e 4,5MT de óleo de soja (resultado do esmagamento de algo como 25,0MT de soja) são destinados à produção de biodiesel. Estes volumes têm sido crescentes, ano a ano. Em 2005, apenas cerca de 25,0MT de milho eram destinadas à produção de etanol e, neste mesmo ano, mal se começava a falar em biodiesel, quando foram destinados 0,6MT de óleo de soja para esta finalidade.
– Ou seja, parcela crescente da demanda por soja e milho é alternativa – vai para alimentar máquinas e não pessoas ou animais – o que tem resultado em consistência dos investimentos no setor produtivo e em soluções para energias renováveis.
– As exportações brasileiras soja devem finalizar o mês de junho com volume próximo de 12,0MT. No acumulado da temporada, até o final da segunda semana deste mês, o volume chegava a 55,2MT, ante 52,4MT do mesmo intervalo do ano passado.
– No mercado interno, os negócios se mantêm travados, com interesse de venda apenas pontual. Definitivamente, os preços não são nada atrativos neste momento. O câmbio opera abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez há um ano. Os prêmios ganharam alguns pontos e são indicados entre 15 e 30 cents no spot. Indicações de compra no oeste do estado na faixa entre R$ 146,00/147,00 e no porto, entre R$ 153,00/154,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera em leve alta de 1 a 2 cents, a U$ 6,61/julho, neste momento, manhã de quarta-feira. As posições mais distantes insistem no campo negativo e ontem fecharam com perdas superiores a 3%.
– O mercado está um confuso, sem um direcionamento mais claro, devido às condições das lavouras nos EUA; porém, o recuo de qualidade, tanto das áreas de soja quanto milho devem promover suporte para os preços, sobretudo porque as primeiras lavouras começam a entrar no período mais crítico de sua evolução: floração e formação de vagens/espigas. Na época de plantio, a umidade do solo e as temperaturas estavam adequadas na maioria das regiões. Contudo, um novo cenário se desenhou, sobretudo na porção central e norte, com chuvas esparsas e minguadas, sem reposição da umidade necessária para o desenvolvimento das plantas. A nova onda de chuvas previstas para este final de semana pode deixar muitas regiões sem as precipitações tão necessárias neste momento.
– De acordo com o USDA, as lavouras norte-americanas encontram-se 65% em boas/excelentes condições, 29% regulares e 6% ruins. Na semana passada, os números eram, respectivamente, 68%, 27% e 5%.
– De acordo com o Deral, a colheita de milho safrinha no Paraná está em 1%. As condições das lavouras são: 26% boas, 41% médias e 33% ruins e se dividem nos seguintes estágios: 1% em desenvolvimento vegetativo, 14% em floração, 61% em frutificação 24% em maturação.
– No mercado interno, os preços seguem pressionados diante do início da colheita e de certa acomodação do câmbio e dos preços internacionais. Porém, a intensidade das perdas tende a manter os preços em níveis superiores à paridade de exportação. Os primeiros lotes de produto novo chegam ao mercado, mas ainda são observadas ofertas de lotes remanescentes da safra anterior.
– Interesse de compra no oeste do Paraná na faixa de R$ 84,00/86,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 74,00/76,00 por saca.

CÂMBIO – Neste momento opera em baixa, cotado a R$4,96. Ontem fechou pela primeira vez desde de 20 de junho/20, abaixo dos R$ 5,00, tendo fechado em R$ 4,966. (Granoeste – Camilo / Stephan).