Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em queda acentuada de 28 a 30 cents, a U$ 13,55/julho, neste momento, manhã de quinta-feira. Ontem houve perdas de 9 cents/julho. A ocorrência de chuvas, notadamente na porção oeste e norte do cinturão de cultivo dos EUA, pressiona as cotações. Mais chuvas estão previstas para este final de semana; porém, segundo a meteorologia, as precipitações serão esparsas e muitas áreas devem continuar secas.
– O óleo tem sido a perna forte do complexo soja neste ano, tendo atingido o recorde histórico de 72 cents por Libra Peso (453 gramas) no início deste mês, com alta de 80% desde o começo do ano. Nos últimos dias, porém, com as pressões para que o governo autorize a redução do uso de biocombustíveis e com melhores chuvas em extensas áreas do Meio Oeste, os preços cederam cerca de 15%, para 61 cents; mas, ainda assim, a valorização desde janeiro é de 53%.
– Em contrapartida, o farelo que, no início do ano, era cotado na CBOT em U$ 419,00 por TC (tonelada curta / 907,2 quilos) sobre julho, hoje é negociado em U$ 348,00, queda de 17%.
– É importante analisar o comportamento do farelo e do óleo, porque, no fim das contas, o preço da soja em grãos é resultado do jogo de preços entre os dois subprodutos.
– O mercado brasileiro segue travado, com indicações de compra cedendo de forma agressiva nos últimos dias em face das acentuadas perdas na bolsa norte-americana e no câmbio (que vem operando abaixo dos R$ 5,00, depois de um ano). Os prêmios se apresentam em ligeira alta, na faixa de 20 a 30 cents no mercado spot, mas insuficientes para compensar a pressão das outras variáveis.
– Indicações de compra no oeste do estado na faixa de R$ 145,00/147,00 e em Paranaguá, na faixa de R$ 150,00/152,00 por saca – depende de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT opera em queda de 8 a 10 cents, a U$ 6,55/julho, neste momento, manhã de quinta-feira. As perdas são ainda mais acentuadas nos vencimentos mais distantes. Ontem, pregão fechou com 4 pontos positivos sobre julho. A BMF opera nesta manhã em leve alta, cotada a R$81,80/julho.
– Lá fora, mercado é pressionado pela melhora do clima no Meio-Oeste norte-americano, com aumento de chuvas e previsão de mais pluviosidade nos próximos dias. Contudo, as precipitações são esparsas e esta onda pode não atingir toda a região de cultivo. O clima nos EUA se encontra em momento delicado e mais umidade se faz necessária, juntamente com temperaturas mais amenas do que foi observado nos últimos dias.
– De acordo com o portal Soybean and Corn Advisor, a colheita de milho safrinha atinge entre 2% e 3% em nível de Brasil, ante 8% do mesmo período do ano anterior. Lavouras que foram semeadas mais tardiamente não serão colhidos antes de meados de agosto e o intervalo entre a colheita e o plantio da soja 2021/22 poderá ficar apertado.
– Meteorologistas estão prevendo que o início do plantio da safra 2021/22 poderá ser mais uma vez atrasado por causa do retorno tardio do regime de chuvas. O Centro-sul brasileiro está vivendo um dos períodos mais agudos de estiagem em 90 anos e este padrão climático poderá se estender até setembro/outubro. Caso a previsão de confirme, além do atraso no plantio da soja, novamente, o problema será jogado para frente e boa parcela da safrinha de milho do próximo ano será semeada fora da janela ideal.
– De acordo com IMEA, 3,9% da safrinha de milho do Mato Grosso está colhido, contra 16,3% do mesmo período no ano anterior e 15,1% de média. Os índices de produtividades continuam variando muito devido ao atraso do plantio e às irregularidades climáticas deste ano.
– No Paraná, o DERAL informa que entre 1% e 2% do milho safrinha teria sido colhido. A qualidade das lavouras está classificada em: 23% boas, 45% regulares e 32% ruins. As áreas estão 67% em enchimento de grãos e 13%, maduras.
– No mercado interno, os preços seguem pressionados diante do início da colheita e de certa acomodação do câmbio e dos preços internacionais. Porém, a intensidade das perdas tende a manter os preços em níveis superiores à paridade de exportação. Os primeiros lotes de produto novo chegam ao mercado, mas ainda são observadas ofertas de lotes remanescentes da safra anterior.
– Interesse de compra no oeste do Paraná na faixa de R$ 82,00/85,00 por saca, dependendo de localização e prazo; em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 72,00/74,00 por saca.
CÂMBIO – Neste momento opera em baixa, cotado a R$4,93. Ontem fechou em R$ 4,96. (Granoeste – Camilo / Stephan).