Comentário de Mercado

SOJA – Depois das acentuadas perdas de ontem, ao redor de 90 cents, o mercado da soja opera em alta de 18 a 20 cents, a U$ 13,62/agosto, neste momento, manhã de quarta-feira. Retomada de compras por parte de fundos e certa perda de qualidade das lavouras dos EUA são citados como fatores de alta.
– No fim da tarde de ontem, o USDA divulgou relatório de acompanhamento de safra indicando queda de um ponto percentual na qualidade das lavouras de soja. De acordo com o levantamento, 59% das áreas são consideradas boas/excelentes, ante 60% da semana passada e 71% da mesma data do ano passado. As áreas tidas como ruins/péssimas somam 11%, ante 9% da semana anterior e 4% de um ano atrás. As áreas consideradas regulares perfazem 30%.
– Em relação ao estágio, 29% das lavouras entraram em formação de vagem, índice igual ao da mesma semana do ano passado. A média histórica é de 24%. Três por cento das áreas estão na fase de formação de vagens.
– As lavouras norte-americanas começam a entrar no período mais crítico de sua evolução. Daqui para frente o comportamento climático ganha ainda mais importância, sobretudo em razão dos minguados estoques, os menores em 9 anos.
– A acentuada queda apurada no pregão de ontem foi atribuída às boas chuvas que ocorreram na porção oeste e norte do cinturão. Também pesou a decisão da justiça norte-americana de confirmar que a legislação em vigor também permite a adição de apenas 10% (e não necessariamente de 15%) de etanol na gasolina.
– As exportações brasileiras de soja somaram 11,12MT em junho, informa a SECEX, ante 13,75MT de junho do ano passado. Na temporada, iniciada em fevereiro, os embarques chegam a 61,22MT, ante 60.2MT do mesmo intervalo de 2020. Para julho, o line-up de navios indica embarques da ordem de 8,0MT.
– O mercado brasileiro segue com baixo volume de negócios. Ontem a formação interna dos preços sofreu um forte revés diante da queda acentuada apurada na bolsa norte-americana. Grande parte destas perdas, porém, foi compensada pela expressiva alta do câmbio, que fechou acima de R$ 5,20 e pelos prêmios que se apresentaram em alta nos portos brasileiros, na faixa entre 60 e 80 cents no mercado spot.
– Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 157,00/158,00 e em Paranaguá, na faixa de R$ 164,00/165,00 por saca – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – A Bolsa de Chicago opera em baixa de 6 a 7 cents, a U$ 5,45/set, neste momento, manhã de quarta-feira. Ontem o pregão fechou com limite de baixa, de 40 pontos. Além da melhora do clima, o que pressionou o mercado foi a decisão da justiça dos EUA de considerar legal a redução do percentual de etanol na gasolina para 10%, ante 15% que vinha sendo praticado.
– As condições das lavouras de milho norte-americano ficaram dentro do esperado e no mesmo índice da semana anterior. Em relatório divulgado no fim da tarde de ontem, o USDA considera que 64% das lavouras são tidas como boas/excelentes; 28%, regulares 8% ruins/péssimas. Na mesma data do ano passado, os percentuais eram, respectivamente, 71%, 23% e 6%. Dez por cento das lavouras entraram na fase de pendoamento, ante 9% de um ano atrás e 14% de média histórica.
– De acordo com o DERAL, a colheita de milho chega a 3% no estado do Paraná, ante 5% do mesmo período no ano anterior. Com as geadas, houve uma profunda deterioração na qualidade das lavouras. Na semana anterior, as áreas não colhidas eram classificadas: 26% em boas condições; 41%, médias e 33%, ruins/péssimas. Nesta semana, encontram-se em 12%, 46% e 42%, respectivamente.
– No Mato Grosso, o IMEA manteve a produção do estado em 32MT em levantamento finalizado ao término de junho. Até a última sexta-feira, a colheita atingiu 22,5% da área prevista, índice atrasado em relação ao ano anterior, quando a colheita estava próxima dos 30%. Os relatos indicam que os índices de produtividade estão variando bastante de região para região, com perdas mais acentuadas nas áreas plantadas mais tardiamente.
– Internamente, os participantes seguem avaliando as perdas resultantes das intensas geadas da semana passada. Aos poucos o mercado vai buscando um denominador de preço que contemple a atual situação de redução da oferta. Segue bastante restrito os volumes que, efetivamente, vêm a mercado. Indicações de compra são sugeridas na faixa de R$ 95,00/96,00 no oeste do estado, dependendo de prazos e de localização; em Paranaguá, entre R$ 76,00/78,00.
CÂMBIO – Opera estável, a R$5,21; ontem fechou em alta, a R$ 5,209. (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).