Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em alta de 8 a 10 cents, a U$ 14,13/agosto, neste momento, manhã de terça-feira. Ontem o mercado fechou com ganhos de 25 cents. Como o relatório de oferta e demanda ficou praticamente inalterado em relação a junho, o mercado mudou o foco de preocupações e encontrou suporte nas projeções de médio e longo prazo para o clima na porção oeste e norte do cinturão de cultivo dos EUA, que indicam o retorno de temperaturas mais altas e redução dos níveis de umidade.
– Apesar de o mercado esperar certa redução nos volumes de colheita, em linha com a perda de qualidade das lavouras, para a temporada 2021/22 o USDA manteve a estimativa de produção dos EUA em 119,88MT, as exportações em 56,47MT e os estoques finais em 4,22MT. Outro item que se esperava certa redução é o uso de óleo para a produção de biodiesel, que restou mantido em 5,44MT.
– Em relação à temporada 2020/21 houve pequena alteração na rubrica exportações. A produção ficou em 112,55MT, as exportações cedem cerca de 0,3MT, para 61,78MT e os estoques finais seguem avaliados em 3,66MT.
– As importações chinesas são reduzidas em 2,0MT neste ano, para 98,0MT e em 1,0MT no ciclo 2021/22, para 102,0MT.
– A produção brasileira permanece em 137,00MT neste ano e em 144,0MT no próximo. Enquanto isto, a produção da Argentina cai 0,5MT neste ano para 46,5MT e permanece estimada em 52,0MT na próxima estação.
– No fim da tarde de ontem, o USDA divulgou o relatório de acompanhamento de safra, indicando os mesmos níveis de qualidade da semana anterior: 59%, bom/excelente; 30%, regulares e 11%, ruim/péssimo. Na mesma data do ano passado, os índices eram, respectivamente, 68%, 25% e 7%. Em relação ao estágio, 46% estão em floração, ante 46% da mesma época do ano anterior e 40% de média. Dez por cento entraram em formação de vagens, mesmo índice do ano passado e da média histórica.
– O mercado brasileiro segue com baixo volume de negócios. A formação interna dos preços recebe apoio em todas as frentes: câmbio acima de R$ 5,20, prêmios em alta e ganhos na CBOT. Nos portos brasileiros, os prêmios são indicados, no mercado spot, na faixa entre 85 e 100 cents sobre a CBOT.
– Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 163,00/164,00 e em Paranaguá, na faixa de R$ 168,00/170,00 por saca – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – A Bolsa de Chicago opera em ligeira alta, a U$ 5,46/set, neste momento, manhã de terça-feira. Ontem, a posição setembro fechou com ganhos de 15 pontos, apesar de números neutros a negativos do relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado ontem. Uma vez conhecido o relatório do USDA, o mercado deu atenção redobrada para a meteorologia, que indica possibilidade de clima quente e seco para extensas áreas do Meio Oeste nos próximos dias.
– A estimativa da produção norte-americana de milho, para a temporada 2021/22, foi aumentada em cerca de 5,0MT, para 385,21MT. A produtividade foi mantida e a área de plantio incrementada, passando de 36,87MH para 37,52MH. Os estoques finais norte-americanos para a atual temporada sofreram leve redução de cerca de 0,6MT, para 27,48MT; para a próxima estação, a previsão de estoques finais foi majorada de 34,47MT para 36,37MT.
– Os estoques finais globais tiveram ajuste mínimo, sendo reduzidos na safra presente de 280,60MT para 279,86. Para a temporada 2021/22, os estoques globais são esperados em 291,18MT, cerca de 2,0MT a mais do que a estimativa do relatório de junho.
– A produção brasileira de milho sofre cortes drásticos em razão das irregularidades climáticas; é avaliada em 93,0MT, ante 98,5MT do relatório de junho, enquanto mercado estimava 91,5MT. Contudo, avaliações de consultorias brasileiras indicam perdas ainda maiores, podendo ficar abaixo de 90,0MT, incluindo verão e inverno. As exportações foram encolhidas, passando de 33,0MT para 28,0MT.
– Para a temporada 2021/22 a projeção é de uma safra de milho no Brasil da ordem de 118,0MT.
– A produção argentina da atual temporada foi elevada em 1,5MT, para 48,5MT; para 2021/22 segue estimada em 51,0MT.
– No fim da tarde de ontem, o USDA divulgou relatório de progresso de safra indicando melhora de um ponto percentual na qualidade das lavouras. São classificadas agora em: 65% boas /excelentes, 27% regulares e 8% ruins/muito ruins. Na mesma época do ano anterior, os percentuais eram, respectivamente: 69%, 23% e 8%.
– Quanto ao estágio, as lavouras de milho se encontram em: 26% em fase de pendoamento/floração, ante 10% da semana passada, 26% na mesma época do ano passado e 30% de média. Três por cento estão na fase de formação de grãos, em linha com os índices do ano passado e de média histórica.
– De acordo com o IMEA, a comercialização da safra 2020/21 está em 79,9%, ante 87% da mesma época no ano anterior. Para a safra 2021/22, o comprometimento chega a 31%, ante 35,7% da mesma época do ano passado.
– Internamente, os participantes seguem avaliando as perdas resultantes da longa estiagem e da recente onda de frio, que terão impacto desastroso sobre os índices de produtividade e qualidade dos grãos. Aos poucos, o mercado vai encontrando um novo denominador de preço que contemple a atual situação de redução da oferta. A participação dos vendedores segue muito limitada. Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 96,00/97,00 no oeste do estado, dependendo de prazos e de localização; em Paranaguá, entre R$ 75,00/77,00.
CÂMBIO – depois da queda de ontem, o câmbio volta a operar em alta, contado a R$ 5,22; ontem, fechou em R$ 5,17. (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).