Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em forte alta na faixa de 20 cents, a U$ 14,45/agosto, neste momento, manhã de terça-feira. Ontem houve perdas da ordem de 20 a 25 cents nos principais vencimentos. O mercado segue focado nas projeções de continuidade do clima quente e seco, sobretudo no norte e oeste da região de cultivo.
– Além da questão climática, que é o principal vetor dos preços neste momento, o mercado é agitado também pelo aumento dos casos de covid em vários países da Europa e nos EUA, bem como pela acentuada queda dos preços do petróleo (em razão do acordo da OPEP que permitiu o aumento gradual da produção em diversos países membros).
– No fim da tarde de ontem, o USDA divulgou o relatório semanal de acompanhamento de safra, indicando melhora de um ponto percentual na qualidade das lavouras. (Esta melhora está relacionada às oportunas chuvas que ocorreram na porção norte na segunda semana de julho). As áreas tidas como boas/excelentes perfazem 60%; as regulares, 29% e a ruins/péssimas, 11%. Na mesma semana do ano passado, os índices eram, respectivamente, 69%, 24% e 7%.
– Os três principais estados produtores contam com os seguintes índices de lavouras boas/excelentes: Iowa, 66%; Illinois, 60% e Minnesota, 43%. Na Dakota do Norte, estado mais atingido pela falta de umidade, apenas 20% das áreas estão ranqueadas como boas/excelente.
– Em relação ao estágio, 63% das áreas entraram em floração, ante 62% da mesma época do ano passado e 57% de média histórica. Vinte e três por cento chegaram à fase de formação de vagens, contra 23% do ano passado e 21% de média.
– As exportações brasileiras de soja, segundo a SECEX, somaram 5,55MT na primeira quinzena deste mês, elevando para 66,8MT o volume despachado para o exterior até agora nesta temporada, iniciada em fevereiro. No mesmo período do ano passado, o volume chegava a 65,5MT.
– Internamente, os preços ganharam mais força, notadamente pela expressiva alta da taxa de câmbio. Os preços internacionais, apesar de alguns solavancos, vêm mostrando força, notadamente pelas dúvidas sobre a evolução da safra norte-americana. Prêmios nos portos brasileiros são indicados na faixa de 75/85 no spot e entre 120/140 para embarque setembro.
– Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 167,50/168,50 e em Paranaguá, na faixa de R$ 174,00/175,00 por saca – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – A Bolsa de Chicago opera em forte alta, de 12 a 14 cents, a U$ 5,69/set, neste momento, manhã de terça-feira, impulsionada pelo clima adverso nos campos do Meio Oeste e pela demanda aquecida pelo produto norte-americano.
– As condições de desenvolvimento das lavouras de milho dos EUA se mantiveram praticamente estáveis em relação à semana anterior, informa o USDA. As áreas tidas como boas/excelentes somam 55%; as regulares, 26% e as ruins/muito ruins, 9%. Na mesma semana do ano passado, as condições eram, respectivamente, 69%, 23% e 8%.
– O Index do milho (que resume a qualidade do desenvolvimento das lavouras e cujo número 100 representa uma evolução dentro da normalidade) vem se mantendo em 102 há cinco semanas. Na mesma época do ano passado era de 104.
– O percentual das lavouras na fase de pendoamento chega a 56%, ante 26% da semana anterior, 55% do ano passado e 52% de média histórica. Oito por cento se encontra no estágio de formação de grãos, contra 3% da semana passada, 8% de um ano atrás e 7% de média.
– O clima se apresenta mais quente e seco nesta semana no Meio-Oeste dos EUA, o que beneficia o milho no sul e leste, mas o estressa as plantas nas regiões mais ao norte. Há previsões de chuvas esparsas em algumas regiões para este final de semana.
– De acordo com dados do sistema de alfândega local, em junho a China importou o volume recorde para um único mês, de 3,75MT de milho. Isto representa mais de três vezes o volume importado no mesmo mês do ano passado. O volume acumulado neste ano chega a 14,3MT e a previsão de importações para este ano é de 26,0MT.
– Apesar das acentuadas perdas de produção e dos bons volumes recuperados através de operações de washouts (recompra de volumes comprometidos com exportações), o Brasil tem compromissos com exportações. De acordo com dados da Secex, o país exportou 524 mil tons de milho na primeira quinzena de julho. Nesta temporada, os embarques somam 1,85MT, ante 3,5MT do mesmo intervalo do ano passado.
– O mercado doméstico se mantêm com preços firmes, sustentados pelas drásticas perdas de produção. A participação dos vendedores segue limitada, com colheita ao redor de 30%. Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 100,00/101,00 no oeste do estado, dependendo de prazos e de localização; em Paranaguá, entre R$ 77,00/79,00.
CÂMBIO – opera em alta, cotado a R$ 5,27; ontem fechou com alta de 3%, a R$ 5,25. (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).