Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera novamente em queda, em torno de 10 cents, a U$ 13,90/agosto, neste momento, manhã de segunda-feira. O mercado segue focado na evolução da safra norte-americana. Chuvas esparsas ocorreram em áreas das planícies do Norte, que é a região mais castigada pela falta de umidade. Os volumes, porém, foram limitados e localizados.
– Além do clima nos campos do Meio Oeste, o mercado passa a dar mais atenção à demanda, como contraponto da oferta (que, neste momento, pode ser entendida como a evolução da safra norte-americana). Olhando o lado do consumo, três pontos merecem atenção:
– A) certa redução do consumo como consequência da revisão do uso de biocombustíveis nos EUA, Brasil e Argentina;
– B) possibilidade de aumento dos estoques finais dos EUA, já que os embarques semanais estão ficando bem aquém do esperado e, neste ritmo, não será possível alcançar as metas de exportação definidas pelo USDA para esta temporada, que termina em 31 de agosto (61,8MT para a soja e 72,4MT para o milho);
– C) redução do uso de farelo de soja na produção de rações na China, que passa a estimar importações de soja na faixa de 97,0/98,0MT neste ano e não mais 100,0MT (os chineses vêm aumentando o uso de trigo e arroz na alimentação animal).
– Na última semana, os preços foram largamente afetados pelas intensas agitações nos mercados financeiros (que influenciam a decisão de gestores de fundos) e do petróleo (pela relação direta na produção de biocombustíveis). Estes movimentos paralelos têm efeito de curto prazo. No longo prazo os fundamentos próprios irão prevalecer; volumes de oferta e performance da demanda.
– No mercado interno, as indicações de compra se enfraqueceram nos últimos dias em linha com as perdas verificadas na bolsa norte-americana. Tudo indica, no entanto, que o momento de pressão esteja se esgotando em razão das dúvidas climáticas sobre a evolução da safra norte-americana.
– Prêmios nos portos brasileiros são indicados na faixa de 80/90 no spot e entre 130/140 para embarque setembro. Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 162,00/164,00 e em Paranaguá, na faixa de R$ 167,00/168,00 por saca – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – A Bolsa de Chicago opera em baixa entre 4 a 5 cents, a U$ 5,43/set, neste momento, manhã de segunda–feira. Na sexta-feira, mercado fechou entre 17 a 18 de baixa nos principais vencimentos. O clima nos EUA ainda é motivo de atenção, com chuvas esparsas pela região produtora. Ao Norte, foram constatadas chuvas, onde a situação é mais crítica, porém, mais umidade se faz necessária.
– A produção de milho da Argentina é estimada em 47,0MT. O ritmo das exportações está bastante acelerado e já alcança 33,0MT, para uma previsão de embarques de 34,0MT (O USDA prevê 35,5MT). No ano passado as exportações foram recordes, com 37,0MT. A forte demanda internacional (estimulada ainda mais pela expressiva quebra da safra brasileira) vem gerando preocupações com o abastecimento interno. O Line-up nos portos argentinos indica embarque de 5,7MT neste mês.
– De acordo com a consultoria Safras & Mercado, alguns navios que deveriam carregar milho brasileiro estão sendo transferidos para embarque de produto argentino. Levantamento desta consultoria indica que o Brasil comprou até agora apenas 0,28MT de milho argentino, cujo transporte deve ocorrer neste segundo semestre. É possível que o governo local adote alguma medida para limitar as exportações e manter certo nível de abastecimento doméstico.
– O Line-up de navios nos portos brasileiros indica embarques de 3,3MT de milho neste mês. Até o momento, o volume embarcado em julho é de 1,78MT. Para agosto, a previsão é de 1,5MT, com tendência de se manter baixo no decorrer, em razão da quebra da safra brasileira. Na temporada, o volume chega a 3,15MT, ante 4,5MT do mesmo intervalo do ano passado.
– A região Centro-Oeste, maior produtora de grãos do país, também sofreu com a escassez de chuvas, principalmente durante a evolução do milho safrinha. A falta de pluviosidade em junho e início de julho prejudicou o milho semeado fora da janela ideal.
– De acordo com o IMEA, a colheita de milho safrinha no MT atingiu 72,8%, ante 51,9% da semana passada e 86,7% de período equivalente no ano anterior.
– O mercado doméstico se mantém com preços firmes, sustentados pelas drásticas perdas de produção. A participação dos vendedores segue limitada; ao mesmo tempo, a colheita avança em todas as regiões do país. Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 102,00/104,00 no oeste do estado, dependendo de prazos e de localização; em Paranaguá, entre R$ 81,00/83,00.
CÂMBIO – opera em alta, cotado a R$ 5,22. Na sexta-feira, fechou em 5,21 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).