Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em alta de 5 a 7 cents, a U$ 13,47/setembro, neste momento, manhã de terça-feira. Ontem, houve perdas de 2 a 7 cents nos principais vencimentos. O mercado busca se posicionar frente ao relatório de oferta e demanda de agosto, que será divulgado pelo USDA nesta quinta-feira, para o qual analistas esperam corte nos índices de produtividade, com consequente redução dos volumes de colheita. A volta da China às compras nos EUA também é ponto positivo.
– Por outro lado, os ganhos são limitados pelo avanço da variante delta do coronavírus, que impõem dúvidas sobre a retomada da economia. Queda dos preços do petróleo e fuga de investidores dos ativos de risco também jogam no campo negativo.
– No fim da tarde de ontem, o USDA divulgou boletim de acompanhamento da safra dos EUA, mantendo o índice de lavouras boas/excelentes nos mesmos 60% da semana passada; na mesma data do ano anterior o percentual era de 74%.
– Os transtornos climáticos que chamam a atenção do mercado seguem confinados em três estados das Planícies do Norte e puxam a média nacional para baixo. Na Dakota do Norte as áreas tidas como boas/excelentes somam apenas 13% (ante 17% da semana anterior); na Dakota do Sul, 27% (30%) e em Minessota, 34% (34%). Todos os demais estados contam com 60% ou mais das áreas ranqueadas em boas/excelentes condições.
– Em relação ao estágio, 91% das áreas entraram em floração, mesmo índice de um ano atrás e média histórica de 89%. Setenta e dois por cento está em formação de vagens, contra 73% da mesma data de 2020 e 68% de média.
– A Conab acaba de divulgar o 11º relatório mensal de safra desta temporada, estimando a colheita da safra brasileira de soja em 136,0MT, com aumento de quase 9% sobre as 124,8MT do ciclo passado. Houve um pequeno ajuste positivo, de algo como 0,1MT em relação ao mês anterior. A área semeada totalizou 38,5 milhões de hectares, incremento de 4,2% sobre os 36,95MH da campanha anterior.
Internamente, os negócios seguem lentos. Algumas regiões começam a apresentar preços acima da paridade internacional em razão do aumento da demanda para consumo interno e local. Prêmios nos portos entre 140/150 sobre a CBOT.
– Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 166,00/168,00 e em Paranaguá, na faixa de R$ 171,00/172,00 por saca – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – A Bolsa de Chicago opera em baixa, de 3 a 4 pontos neste momento, manhã de terça-feira, cotada a U$ 5,47/setembro; ontem fechou com perdas de até 4 cents nos principais vencimentos. Mercado é pressionado pela melhora inesperada das lavouras de milho norte-americano.
– As condições de lavouras de milho norte-americano, segundo o USDA, melhoraram dois pontos percentuais no decorrer da última semana e estão ranqueadas em 64% bom/excelente (62% semana anterior), 25% regulares (27%) e 11% ruim/muito ruim (11%). Na mesma época no ano passado, os índices eram, respectivamente: 71%, 21% e 8%.
– A exemplo da soja, as lavouras com desenvolvimento extremamente complicado estão localizadas nos três estados mais ao norte. Na Dakota do Norte apenas 17% das áreas são consideradas boas/excelentes (contra 18% da semana anterior), na Dakota do Sul, 30% (32%) e Minessota, 36% (36%).
– Os estágios em que as lavouras de milho se encontram são: a) Pendoamento: 95%, ante 91% semana anterior, 96% ano passado e 94% média. b) Formação de grãos: 56%, ante 38% semana anterior, 56% ano passado e 51% média. c) Grãos Formados: 8%, ante 10% semana passada, 10% ano passado e 11% média histórica.
– O USDA também informou ter inspecionado o embarque de 0,66MT de milho na última semana, contra 1,39MT da semana anterior. No acumulado da estação, o volume chega a 63,51MT, ante 39,44MT do mesmo intervalo na estação prévia. Para atingir a meta do USDA de 72,4MT até o dia 31 de agosto, quando termina esta temporada, os embarques precisariam ser superiores a 2,0MT por semana.
– A CONAB acaba de divulgar o relatório mensal de safra, cortando ainda mais a produção de milho. De acordo com a companhia, a produção total, verão e inverno, será de 86,6MT. A produção de verão deve ficar em 24,9MT e a de inverno em 60,32MT. Em julho, a previsão de colheita da safrinha era de 67MT; no ano passado, ficou em 75,05MT.
– A colheita da safrinha chega a 60% no Centro-Sul do Brasil, de acordo com levantamento da consultoria Safras & Mercado, divulgado na última sexta-feira, ante 72,2% da mesma época do ano passado e 74,3% de média histórica. No Mato Grosso, o índice alcança 82%: no Mato Grosso do Sul, 51,4%; em Goiás, 48,6%, em São Paulo, 36,7%; em Minas Gerais, 36,2% e no Paraná, 32,2%.
– O mercado doméstico apresenta preços mais estáveis nestes dias. De um lado, melhora o volume de oferta com o avanço da colheita; de outro, os produtores avaliam os índices de produtividade e a qualidade dos grãos e esperam por oportunidades de venda.
– Em razão da acentuada queda na produção, contrariamente a anos anteriores, os preços domésticos tendem a ser balizados pela paridade de IMPORTAÇÃO e não pela paridade de EXPORTAÇÃO. Indicações de compra nesta manhã são sugeridas em algo como R$ 101,00/103,00 no oeste do estado, dependendo de prazos e de localização; em Paranaguá, entre R$ 81,00/82,00.
CÂMBIO – Opera em queda nesta manhã, a R$ 5,23; ontem fechou em R$ 5,246 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).