Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em baixa de 3 a 4 cents, a U$ 13,44/setembro, neste momento, manhã de quinta-feira, à espera dos números do USDA, que serão divulgados logo mais, no início da tarde.
– Em relação à produção de soja dos EUA, a expectativa dos analistas para o relatório de oferta e demanda aponta para um corte de 1,2MT, para 118,7MT. A perda de qualidade das lavouras dos estados mais ao norte é bastante significativa. De acordo com o último boletim de acompanhamento de safra, a Dakota do Norte apresenta apenas 13% de áreas em boas/excelentes condições; Dakota do Sul, 27% e Minnesota, 34%.
– Tais perdas provavelmente não serão todas faturadas no relatório de hoje, uma vez que ainda há tempo para que chuvas mais adequadas recuperem parcialmente as lavouras. Outro fator é o usual conservadorismo do USDA, que prefere aguardar uma melhor definição do cenário para cravar projeções mais assertivas.
– De qualquer maneira, o relatório de agosto é o primeiro da temporada cujas projeções são elaboradas com base em levantamento de campo; portanto, tende a trazer números mais reais e, por esta razão, pode provocar surpresas agudas, contrapondo as expectativas do mercado, causando intensa movimentação dos preços.
– O USDA acaba de divulgar que as exportações de soja norte-americana da última semana ficaram em 1,22MT, quase todo o volume para embarque na temporada 2021/22. As vendas externas deste ano somam 62,02MT, ante 47,4MT da estação anterior. Na semana, os embarques somaram apenas 0,13MT e totalizam, na temporada, 59,5MT; com isto, segue a preocupação para o cumprimento da meta de 61,8MT neste ano agrícola, que termina neste final de agosto. (Em razão da lentidão dos embarques, o USDA poderá considerar certo aumento dos estoques deste ano no relatório de logo mais).
– A redução dos embarques dos EUA está em sintonia com certa ausência da China na ponta compradora durante boa parte do mês de julho. Certa lentidão da demanda também tem como base a redução no uso de biocombustíveis em diversos países. Ao mesmo tempo, na China, focos de peste suína africana e margens negativas na produção de carnes pressionam o consumo.
– O mercado interno segue lento, com baixo volume de negócios. Algumas regiões apresentam preços acima da paridade internacional em razão do aumento da demanda para consumo interno e local. Prêmios nos portos entre 140/150 sobre a CBOT.
– Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 165,00/167,00 e em Paranaguá, na faixa de R$ 170,00/171,00 por saca – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – A Bolsa de Chicago se apresenta em leve queda no intervalo desta manhã de quinta-feira, cotada a U$ 5,55/setembro; ontem fechou com alta de 6 a 7 pontos nos principais vencimentos. Fundos e investidores seguem ajustando suas carteiras no aguardo do relatório de oferta e demanda que será divulgado pelo USDA no início da tarde de hoje.
– O relatório mensal (WASDE) é esperado com cortes expressivos na produção norte-americana de milho. Analistas indicam que, como consequência das irregularidades climáticas que assolam a porção norte do Corn Belt, a estimativa do USDA deverá ficar na faixa de 379,7MT, ante 385,2MT de julho. No ano passado a produção totalizou 360,3MT.
– Os estoques norte-americanos para a atual temporada são esperados com ligeiro aumento, de cerca de 0,5MT, para 27,9MT; contudo, para a safra 2021/22, os estoques são previstos em queda de 4,0MT em relação ao mês passado, para 32,1MT.
– Nos EUA, chuvas esparsas vêm acontecendo por todas as regiões de cultivo; porém, muitos pontos estão passando em branco e seguem com falta de umidade, notadamente nas Planícies do Norte, onde a situação é bastante crítica. As chuvas previstas para a região do Corn Belt nos próximos dias, serão muito benéficas, sobretudo para enchimento dos grãos do milho. Nas planícies mais ao norte, poucas chuvas são esperadas e as perdas de produção tendem a aumentar.
– O USDA informa que as exportações de milho da última semana ficaram em 0,98MT. Nesta temporada, o volume comprometido com o exterior soma 70,1MT, ante 44,2MT do mesmo intervalo do ciclo passado. Os embarques na semana foram de 1,06MT e somam, na temporada, 64,6MT. Restando menos de quatro semanas para fechar o ano agrícola 2020/21 (em 31 de agosto) dificilmente será cumprida a meta de embarques previstas pelo USDA, de 72,4MT (número que deverá ser revisto no relatório de oferta e demanda de logo mais à tarde).
– O mercado doméstico apresenta preços mais acomodados e até pressionados, nestes dias. Com o avanço da colheita, melhora o volume de oferta num cenário de preços ainda atrativo para o produtor. Por outro lado, a pressão sobre os preços é limitada e momentânea, uma vez que as perdas são generalizadas e profundas. Além do drástico corte na produção, os estados mais ao sul da região produtora de safrinha sofrem com a colheita de grãos de baixa qualidade, notadamente das lavouras semeadas mais tardiamente.
– Em razão da acentuada queda na produção, contrariamente a anos anteriores, os preços domésticos tendem a ser balizados pela paridade de IMPORTAÇÃO e não pela paridade de EXPORTAÇÃO. Indicações de compra nesta manhã são sugeridas em algo como R$ 100,00/102,00 no oeste do estado, dependendo de prazos e de localização; em Paranaguá, entre R$ 81,00/82,00.
CÂMBIO – Opera em alta nesta manhã, a R$ 5,24; ontem fechou em R$ 5,22 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).