Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em leve alta, de 4 cents, a U$ 13,80/setembro, neste momento, intervalo desta manhã de terça-feira. Ontem, houve ganhos na faixa de 3 cents nos meses mais próximos. O mercado busca suporte na piora das condições das lavouras de soja dos EUA. Por outro lado, os ganhos são limitados pelas expectativas sobre os relatos da equipe que realiza o Crop Tour anual pelos campos do Meio Oeste.
– No fim da tarde de ontem, o USDA informou que a qualidade das lavouras de soja perdeu três pontos e somam, agora, 57% na categoria bom/excelente, ante 60% da semana anterior e 72% de um ano atrás. As áreas tidas como ruins/péssimas perfazem 15%, ante 13% de sete dias arás e 7% da mesma semana do ano passado. Vinte e oito por cento das áreas são consideradas regulares.
– Os estados mais ao norte tiveram perdas adicionais de qualidade ao longo da última semana. A Dakota do Norte conta com apenas 14% das áreas em boas/excelentes condições (ante 13% da semana anterior); Dakota do Sul, 22% (27%) e Minessota, 29% (34%). Iowa teve perdas de dois pontos (cai abaixo da importante marca de 60%) e soma 58%, ante 60% da semana anterior.
– Em relação ao estágio, 94% entraram em floração, ante 95% de um ano atrás. Ao mesmo tempo, 81% chegaram à fase de formação de vagens, contra 83% da mesma semana de 2020.
– Enquanto isto, segue o Crop Tour pelos principais estados de cultivo dos EUA. A equipe que viaja pelo Leste informa que a contagem de vagens no estado de Ohio está melhor do que na média dos últimos três anos, com 1.195 vagens por metro quadrado, ante 1.056 da média de três safras. A contagem do ano passado foi de 1.156 vagens.
– Já, a Dakota do Sul, primeiro estado da perna oeste a ser visitado, apresenta muitos problemas no desenvolvimento das plantas em razão da longa estiagem e está pior que a média dos últimos anos. Foram contadas 997 vagens no espaço de um metro quadrado, ante 1.036 vagens da média de três anos e 1.250 na safra passada. A equipe tem observado muita variação das lavouras de uma região para a outra.
– O Tour segue até este final de semana, quando as duas frentes, a leste e a oeste, se encontram num evento e, então, será apresentada uma estimativa de colheita para soja e para milho.
– Ritmo de negócios domésticos segue comedido; porém, os preços vêm se apresentando mais firmes em linha com os ganhos na CBOT e no câmbio. Algumas regiões têm suas indicações de compra se distanciando da paridade internacional em razão da intensificação da demanda local. Prêmios nos portos se mantêm firmes, entre 145/155 sobre a CBOT.
– Indicações de compra no oeste do estado entre R$ 171,00/172,00 e em Paranaguá, na faixa de R$ 176,00/177,00 por saca – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT chega ao intervalo desta manhã de terça-feira com leves perdas, a U$ 5,60/setembro. Ontem houve baixa entre 3 e 4 cents nos principais vencimentos. Apesar da queda na qualidade das lavouras de milho dos EUA, o mercado está atento aos relatos enviados pelo Crop Tour, promovido pela ProFarmer, que segue seu roteiro nesta semana por vários estados centrais de produção.
– Ontem, o USDA informou queda de dois pontos na qualidade das lavouras de milho do país, que conta, agora, com 62% das áreas em boas/excelentes condições, ante 64% da semana passada e 69% da mesma semana do ano passado.
– Replicando o que ocorre com as lavouras de soja, os estados mais ao norte seguem em situação complicada. O percentual de áreas tidas como boas/excelentes é de apenas 20% na Dakota do Norte (ante 17% da semana anterior); 24% na Dakota do Sul (30%) e 35% em Minessota (36%). Iowa, principal estado produtor, também caiu abaixo dos 60% e conta, agora, com 58%.
– Em relação ao estágio, 73% estão na fase de formação de grãos e 22%, em enxugamento dos grãos, em linha com os percentuais alcançados na mesma semana do ano passado.
– O Crop Tour também encontrou melhores lavouras de milho no estado de Ohio do que na média dos últimos três anos. De acordo com a equipe da ProFarmer, a estimativa de produtividade no estado é de 193,6 scs por hectare, ante 174,9 scs/ha da média das últimas três safras. No ano passado a produtividade ficou em 175,4 scs/ha.
– Já, na ponta oeste, o primeiro estado visitado, Dakota do Sul, tem produtividade bastante prejudicada pelas condições climáticas adversas. A equipe Oeste da Profarmer avalia a produtividade no estado em 158,4 scs/ha, ante 178,3 scs/ha da média dos três anos anteriores. No ano passado a produtividade ficou em 187,5 scs/ha.
– O mercado doméstico se apresenta com preços mais acomodados nos últimos dias. Com o avanço da colheita, melhora o volume de oferta num cenário de preços ainda atrativo para o produtor. Por outro lado, a pressão sobre os preços é limitada e momentânea, uma vez que as perdas são generalizadas e profundas. Além do drástico corte na produção, os estados mais ao sul da região produtora de safrinha sofrem com a colheita de grãos de baixa qualidade, notadamente das lavouras semeadas mais tardiamente.
– Em razão da acentuada queda na produção, os preços domésticos tendem a ser balizados pela paridade de IMPORTAÇÃO e não pela paridade de EXPORTAÇÃO, como em anos anteriores. Indicações de compra nesta manhã são sugeridas em algo como R$ 100,00/102,00 no oeste do estado, dependendo de prazos e de localização; em Paranaguá, entre R$ 83,00/85,00.

CÂMBIO – Opera estável nesta manhã; ontem fechou em R$ 5,281 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).