Comentário de Mercado

SOJA – CBOT chega ao intervalo desta manhã de terça-feira com alta de 14 cents, a U$ 13,08/setembro, suportado pela piora das condições das lavouras norte-americanas. Ontem os principais vencimentos fecharam com ganhos de até 4 cents. Petróleo em alta e certa normalidade nos mercados financeiros também ajudam na formação dos preços agrícolas.
– No fim da tarde de ontem, o USDA informou que 56% das lavouras de soja são consideradas boas/excelentes, um ponto abaixo dos 57% da semana anterior. Na mesma semana do ano passado o índice era de 69%. Vinte e oito por cento das áreas são avaliadas como regulares e 16%, ruins/péssimas.
– Os transtornos mais graves se mantêm confinados nos estados mais ao norte; Dakota do Norte conta com apenas 12% das lavouras em boas/excelentes condições; Dakota do Sul, com 25% e Minnesota, com 31%.
– Quanto ao estágio, 97% das áreas já entraram em floração; 88% estão na fase de formação de vagens e 3% estão em maturação. No ano passado estes índices eram, respectivamente, 99%, 91% e 2%.
– Meteorologistas alertam para a possibilidade de retorno do fenômeno La Niña a partir da primavera deste ano. Isto implicaria em continuidade da falta de chuvas em extensas áreas do sul do Brasil e, de forma mais agressiva, para as regiões de cultivo da Argentina.
– Ontem, o USDA também informou que foi inspecionado o embarque de apenas 0,22MT de soja na semana terminada na última quinta-feira. Restando menos de duas semanas para fechar a temporada, restam ainda por embarcar 2,63MT, dentro do programa do USDA, que prevê exportações de 61,5MT. Por certo, haverá ajustes negativos nas exportações desta estação, com implicações no aumento dos estoques finais.
– As exportações brasileiras de soja somam 3,84MT até aqui, em agosto, informa a SECEX. Na temporada, o volume chega a 74,9MT, ante 75,0MT do mesmo intervalo do ano passado. A meta do ano está prevista entre 83,00/85,00MT.
– No mercado interno, o volume de negócios segue limitado. Câmbio limita a formação do preço interno, mas se mantém acima de R$ 5,30; CBOT e prêmios jogam no campo positivo. Em razão da necessidade local e do baixo volume de ofertas, muitas regiões já apresentam preços acima da paridade internacional. Prêmios nos portos brasileiros são cotados entre 155/175 cents acima da CBOT.
– Indicações de compra no oeste do estado na faixa entre R$ 167,00/169,00 e em Paranaguá, entre R$ 171,00/173,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT chega ao intervalo desta manhã de terça-feira com ganhos de 4 cents, cotada a U$ 5,42/setembro. Ontem, houve queda 1 cent nos principais vencimentos.
– O USDA divulgou, no fim da tarde de ontem, que houve piora de dois pontos percentuais na qualidade das lavouras norte-americanas de milho ao longo da última semana. As áreas tidas como boas/excelentes somam 60%; regulares, 26% e ruim/muito ruim, 14%. Em período equivalente no ano passado os percentuais eram, respectivamente, 64%, 24%, 12%.
– Quanto ao estágio, 85% das lavouras estão em formação de grãos, ante 73% da semana passada, 86% da mesma época no ano prévio e 81% de média. Em fase de enxugamento de grãos, são 41%, contra 22% da semana anterior, 41% do ano passado e 38% de média histórica. Cerca de 4% das plantas atingiram o estágio de maturação, ante 5% da mesma semana na temporada passada e média de 4%.
– Os três estados mais atingidos por estiagem continuam destoando dos demais em termos de qualidade das lavouras. Nesta semana, Minnesota apresenta 34% de áreas em boas/excelente condições; 39%, regulares e 27%, ruins/muito ruins. Na Dakota do Sul, são: 25%, 36% e 39%, respectivamente. O pior estado é a Dakota do Norte, onde os índices são: 16% bom/excelente; 36%, regulares e 48%, ruim/péssimo.
– Na última semana, as inspeções de exportação de milho norte-americano ficaram em apenas 0,72MT. Neste ritmo, lento, as exportações ficarão aquém do volume programado pelo USDA para a atual temporada, que prevê embarques de 70,5MT e cujo ciclo se encerra neste final de agosto. Até aqui, na estação, os embarques somam 65,1MT.
– De acordo com a SECEX, as exportações brasileiras de milho somam, até agora, em agosto, 2,94MT. Na temporada, iniciada em fevereiro, as exportações chegam a 6,28MT, ante 9,9MT¨do mesmo intervalo do ano passado.
– O mercado doméstico segue com preços mais acomodados, e até pressionados em algumas regiões. Avanço da colheita, recepção de contratos antecipados, operações de washout, alguns volumes chegando do exterior e certa contenção dos preços internacionais promoveram melhora no abastecimento e impuseram limites para os preços. Por outro lado, a pressão sobre as cotações é limitada pelas perdas generalizadas e profundas da safra brasileira.
– Dada a limitação da oferta doméstica, os preços internos tendem a ser balizados pela paridade de IMPORTAÇÃO e não pela paridade de EXPORTAÇÃO, como seria normal. Indicações de compra são sugeridas em algo como R$ 98,00/100,00 no oeste do estado, dependendo de prazos e de localização; em Paranaguá, entre R$ 81,00/83,00.

CÂMBIO – Opera em baixa nesta manhã, a R$ 5,34; ontem, fechou em R$ 5,381 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).