Comentário de Mercado

SOJA – Depois dos surpreendentes ganhos apurados na última sexta-feira, com alta de 16 cents, a CBOT chega ao intervalo desta primeira sessão da semana, com queda de 5 pontos, a U$ 12,89/novembro.
– Na última sexta-feira, o USDA divulgou o relatório mensal de oferta e demanda, indicando aumento da produção e dos estoques finais para os EUA, além do esperado pelo mercado. Porém, a demanda voltou a animar os investidores, com aumento das estimativas de importações chinesas. O mercado reagiu com bons ganhos, já que fundos e investidores se postaram na ponta compradora, depois de várias sessões negativas.
– A produção dos EUA passa a ser estimada em 119,04MT, cerca de 1,0MT a mais do que em agosto, ante 112,55MT do ano passado. Os estoques finais têm leve alta, chegando a 4,76 ao final da temporada 2020/21 e a 5,04MT ao final de 2021/22.. Houve também certo corte no esmagamento, combinado com aumento proporcional nas exportações. O USDA avaliou ainda uma ligeira queda na área semeada dos EUA, combinado com aumento da produtividade.
No quadro mundial, o USDA projeta aumento dos estoques finais em cerca de 2,2MT para a temporada 2020/21 e de 2,8MT para 2021/22, elevando o volume absoluto para 95,08MT e 98,89MT, respectivamente.
– A produção do Brasil deve render 144,0MT na próxima estação, mesma projeção de agosto, ante 137,0MT deste último ciclo.
– Em relação à China, o USDA aumentou em 2,0MT, para 99,0MT, as importações deste ano; para o ano que vem seguem estimadas em 101,0MT.
– No mercado doméstico, as indicações se mantêm relativamente firmes. Apesar de reveses na bolsa norte-americana, câmbio e prêmios dão sustentação. de qualquer maneira, o volume de negócios segue restrito. Muitos produtores apostam no período de entressafra e em preços acima da paridade internacional. Em algumas regiões já é percebido este movimento de descolamento das cotações.
– Prêmios nos portos brasileiros são cotados entre 210/230 cents acima da CBOT. Indicações de compra no oeste do estado na faixa entre R$ 168,00/169,00; em Paranaguá, entre R$ 172,00/173,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local de embarque.

MILHO – CBOT chega ao intervalo desta manhã de segunda-feira com perda de 6 cents, cotada a U$ 5,11/dezembro. Na sexta-feira, o pregão fechou com ganhos entre 6 e 7 pontos nos principais vencimentos.
– O relatório mensal de oferta mensal (WASDE) e demanda trouxe números acima do esperado por analistas. Contudo, o mercado havia se antecipado e perdido força nos pregões anteriores. Por esta razão, pelo menos em parte, os investidores resolveram recompor suas carteiras na esteira do relatório.
– A produção dos EUA é projetada em 380,93MT, mais de 6,0MT acima da estimativa de agosto. No ano anterior a colheita ficou em 360,25MT. Em resposta, os estoques finais sobem 4,0MT, para 35,77MT na temporada 2021/22. Além do aumento de área, houve também aumento considerável na produtividade do milho.
– Para o Brasil, o USDA estima uma produção de 86,0MT, caindo 1,0MT em relação ao report de agosto, com exportações de 22,0MT.
– Segundo a agência Reuters, recentemente a China vem sofrendo uma queda brusca no preço dos suínos. Consequentemente, as cotações do milho estão sendo pressionadas diante da perspectiva de redução do consumo. A China é o maior produtor e consumidor de suínos do mundo e alterações nestas variáveis afetam o cenário global do produto.
– Estima-se que, na China, o consumo do cereal para ração caia cerca de 3,0MT na temporada 2021/22. A projeção do mês anterior era de 187,0MT. Os preços se apresentam mais fracos ultimamente em face de certo aumento da oferta e de temores com a volta da peste suína africana. Analistas observam que a percepção de aumento da oferta é fruto da substituição parcial de milho por ingredientes alternativos, como trigo e arroz. De qualquer maneira, as estimativas seguem indicando que o país precisará importar mais de 20,0MT na temporada 2021/22.
– No mercado interno, as indicações de compra se mantêm comedidas. Segue pesando na formação do preço: o avanço da colheita, a recepção de contratos antecipados, as operações de washout, alguns volumes chegando do exterior e certa contenção dos preços internacionais. Por outro lado, a pressão sobre as cotações tende a ser limitada pelas perdas generalizadas e profundas da safra brasileira e pela dependência de importações, que já ultrapassam 1,3MT.
– Vagas indicações de compra são sugeridas em algo como R$ 93,00/94,00 no oeste do estado, dependendo de prazos e de localização; em Paranaguá, entre R$ 77,00/80,00.
C MBIO – Câmbio opera em recuo neste momento, cotado a R$ 5,23.Na sexta, fechou em R$ 5,267 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).