Comentário de Mercado

SOJA – Preços chegam ao intervalo desta manhã de quinta-feira, com alta de 2 cents na posição presente, cotada a U$ 12,96. Esmagamento em ritmo acima do esperado por parte da indústria norte-americana, alta do petróleo e certo otimismo com a economia global promovem suporte para os preços.
– Os transtornos logísticos causados pelo furacão IDA nos terminais do Golfo do México ainda causam atraso nos embarques da soja norte-americana. O USDA, inclusive, anunciou que houve cancelamento de 328 mil tons de exportações anteriores (por meio de operações de washout – recompra destes volumes) por causa das dificuldades de embarque. É incomum que a China cancele operações de compra nessa época do ano, no pico da entressafra e início da colheita.
– O recuo momentâneo nas aquisições de produto norte-americano fez aumentar ainda mais a demanda pelo produto brasileiro, mesmo no início da entressafra. Por esta razão, os prêmios são indicados em níveis historicamente altos em todos os pontos de embarque do Brasil e mostra a urgência de abastecimento da indústria chinesa.
– Enquanto isto, na China os produtores vivem um momento de baixas (ou até negativas) margens na produção de suínos, o que acaba afetando também as margens operacionais da indústria processadora de soja.
– A tendência é que, assim que for recuperada a estrutura de embarques dos terminais do Golfo do México, a demanda, notadamente chinesa, se volte para os EUA. Os preços por lá estarão muito mais competitivos do que no Brasil ou na Argentina. Hoje os prêmios por lá são indicados entre 80 e 90 cents sobre Chicago.
– O USDA acaba de informar que, na última semana, foram vendidas para o exterior 1,26MT de soja. Na temporada, iniciada em primeiro de setembro, o volume comprometido com exportações chega a 22,3MT, ante 32,2MT do mesmo intervalo do ciclo passado.
– No mercado doméstico, o interesse de compra se mantém firme, suportado de forma decisiva pelos prêmios portuários, indicados na faixa entre 235/245 cents acima da CBOT, em razão das recentes e inesperadas compras por parte da China.
– É motivo de muita especulação até quando este nível de prêmios será mantido. Uma coisa é certa: na medida em que a colheita dos EUA ganhar ritmo e for reestabelecida as condições logísticas para embarque nos terminais do Golfo do México os prêmios nos portos brasileiros tendem a cair.
– Os produtores estão vindo mais a mercado nos últimos dias, mas o ritmo é aquele de entressafra, com negociações pontuais. Muitos produtores apostam no período que vai até janeiro, quando os preços domésticos, normalmente, giram acima da paridade internacional. Em algumas regiões já é percebido este movimento de descolamento das cotações.
– Indicações de compra no oeste do estado na faixa de 170,00/171,50; em Paranaguá, entre R$ 175,00/176,50 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local e do período de embarque.

MILHO – CBOT chega ao intervalo desta manhã praticamente estável, cotada a U$ 5,33/dezembro. Ontem, houve ganhos entre 11 e 13 pontos nos principais vencimentos. Mercado segue monitorando a reabertura de alguns terminais portuários na região de Louisiana, bem como a alta dos preços do petróleo, que torna o etanol mais competitivo.
– As vendas semanais de milho norte-americano ficaram em 0,24MT nesta semana, acaba de informar o USDA. Para atual temporada, 2021/22, o volume acumulado chega a 24,57MT, ante 20,45MT da mesma época do ano anterior.
– Alguns países asiáticos voltam a mostrar interesse na compra de milho norte-americano devido ao aumento dos preços do trigo, o qual passou a ter muita procura para incorporação na ração animal. O milho se apresenta atrativo novamente.
– Em extensas áreas do Corn Belt, o clima se mantém quente e seco, o que pode causar estresse na fase final de formação dos grãos, ao forçar o processo de maturação das lavouras de milho. Algumas consultorias privadas estimam que possa haver queda na produção comparativamente às estimativas apresentadas pelo USDA no último relatório de oferta e demanda.
– No mercado interno, as indicações de compra se mantêm comedidas. Tudo indica que as variáveis que vinham pressionando os preços foram assimiladas e, com isto, o mercado encontrou um piso para este momento. Uma vez acomodada a colheita e entregue os contratos negociados antecipadamente, muitos produtores se mostram com tempo para aguardar por preços mais atrativos. Num ano em que há dependência de importações, é bom ficar atento nos preços internacionais e no câmbio.
– Indicações de compra são sugeridas em algo como R$ 92,00/93,00 no oeste do estado, dependendo de prazos e de localização; em Paranaguá, entre R$ 78,00/80,00.
CÂMBIO – Câmbio opera em alta neste momento, cotado a R$ 5,26. Ontem, fechou em R$ 5,236 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).