Comentário de Mercado

SOJA – CBOT chega ao intervalo desta manhã de terça-feira com queda de 4 cents, a U$ 12,83/novembro. Ontem os preços registraram ganhos entre 2 e 5 cents nos principais vencimentos. Bom avanço da colheita norte-americana e posicionamento dos negociadores frente ao relatório trimestral de estoques seguram a evolução dos preços.
– No fim da tarde de ontem, o USDA informou que 16% das lavouras dos EUA já foram colhidas, ante 6% da semana passada e 18% de um ano atrás. Setenta e cinco por cento chegou ao estágio de maturação, ante 72% da mesma época do ano passado e 66% de média histórica.
– Em relação à qualidade das lavouras, o USDA manteve os mesmos índices da semana anterior, com 58% tidas como boas/excelentes; 28%, regulares e 14%, ruins/péssimas. Na mesma semana do ciclo passado, os índices eram, respectivamente, 64%, 26% e 10%.
– Embora haja novas operações de venda dos EUA para a China (ontem foi a anunciada uma operação de 334 mil tons), os embarques de soja seguem extremamente limitados. O USDA informou que foi inspecionado o embarque de apenas 0,44MT na última semana. No acumulado desta estação, iniciada em primeiro de setembro, o volume mal chega a 0,94MT, ante 5,0MT do mesmo intervalo do ano passado.
– Neste dia 30, o USDA irá divulgar o relatório trimestral de estoques, referente a primeiro de setembro. Este número será considerado o estoque de passagem de uma temporada para a outra. O mercado aguarda um novo aumento no comparativo com as projeções do último quadro de oferta e demanda, devendo se situar próximo de 5,0MT.
– Internamente, a alta do câmbio vem promovendo sustentação para os preços em contraposição a certa estabilidade na CBOT e perdas nos prêmios. Com o aumento da oferta norte-americana, os prêmios no Brasil estão em queda, indicados entre 190 e 210, ante 240/250 do início do mês. Ao mesmo tempo, no Golfo do México os prêmios são indicados entre 80 e 90 cents – o que torna o produto norte-americano mais competitivo que o brasileiro.
– Enquanto isto, no Brasil, as preocupações se voltam para o campo, onde o retorno das chuvas é irregular e escasso. O início do plantio é lento e tímido diante das incertezas climáticas.
– Indicações de compra no oeste do estado na faixa de 171,00/172,00; negócios pontuais para indústrias locais podem ter ágios entre R$ 1,00/2,00 por saca. Em Paranaguá, indicações entre R$ 175,00/177,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local e do período de embarque.

MILHO – CBOT chega ao intervalo desta manhã com leves perdas, cotada a U$ 5,38/dezembro. Ontem, houve alta entre 12 e 13 pontos nos principais vencimentos, seguindo os ganhos no petróleo e perspectiva de aumento da demanda pelo produto norte-americano.
– O noticiário reportou a liberação da executiva da Huawei, presa no Canadá a cerca de três anos. Isto gerou uma séria crise diplomática, envolvendo também os EUA. O mercado entende que esta nova fase pode resultar na intensificação de negócios, notadamente de milho, dos EUA com a China.
– De acordo com o USDA, a colheita de milho chega a 18%, ante 10% da semana anterior, 14% da mesma semana do ano passado e média de 15%. As áreas em maturação alcançam 74%, ante 57% da semana anterior, 73% do ano anterior e 64% de média.
– As condições de desenvolvimento do milho permanecem inalteradas em relação à semana passada, com 59% tidas como boas/excelentes; 26%, regulares e 15%, ruins/muito ruins. Nesta época do ano passado, as condições eram, respectivamente, 61%, 25% e 14%.
– O USDA informou ter inspecionado o embarque de apenas 517 mil tons de milho nesta última semana. No acumulado da temporada, que começou em 1º de setembro, foram embarcadas 1,14MT, ante 2,81MT de período equivalente da estação anterior.
– Nesta quinta-feira será divulgado o relatório trimestral de estoques dos EUA referente a primeiro de setembro. São esperados em 29,6MT, ligeiramente abaixo daquele apontado pelo USDA no relatório de oferta e demanda deste mês. Este número será considerado o estoque final da temporada 2020/21 e inicial da temporada 2021/22.
– No mercado interno, as indicações de compra, que se mostram estáveis há alguns dias e começam a dar sinais de que podem reagir no decorrer. Um piso parece ter sido encontrado para este momento. Uma vez finalizada a colheita e entregue os contratos negociados antecipadamente, os produtores se mostram com ânimo para aguardar por preços mais atrativos. Isto indica que a oferta tende a ficar limitada no decorrer. Num ano em que há dependência de importações, é bom ficar atento nos preços internacionais e no câmbio. O comportamento do clima daqui para frente é outro fator que seguirá no radar dos agentes.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa de R$ 92,00/93,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 86,00/87,00.
CÂMBIO – Opera em alta neste momento, cotado a R$ 5,40. Ontem, fechou em R$ 5,379 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).