Comentário de Mercado

SOJA – Preços da soja chegam ao intervalo desta manhã de quarta-feira com 2 cents de alta, cotada na CBOT a U$ 12,79/novembro. O mercado esboça certa reação, depois das perdas de 10 cents ocorridas ontem, quando a influência do mau humor generalizado dos mercados, com perdas nos ativos financeiros e no petróleo, pesou na formação dos preços.
– O bom andamento da colheita norte-americana é outro fator que mantém pressão sobre as cotações, ao aumentar a disponibilidade, depois de uma virada de ano agrícola com estoques reduzidos. De acordo com levantamento do USDA, até o último domingo 16% das áreas estavam colhidas, ante 13% de média histórica.
– Os investidores também buscam posicionar-se para o relatório trimestral de estoques dos EUA, que será apresentado pelo USDA nesta quinta-feira. O mercado espera estoques de passagem da ordem de 4,7MT de soja, ante 14,3MT existentes na virada do ciclo anterior. Baixos estoques e demanda consistente permanecem como fatores de sustentação dos preços.
– Os prêmios nos portos brasileiros seguem perdendo força. No mercado spot são cotados na faixa de 190/200 cents, contra 240/260 cents do início de setembro. A principal razão para isto é o bom ritmo da colheita dos EUA e o consequente aumento da oferta. Também entra nesta conta, a melhora do ritmo de embarque com a recuperação de terminais danificados pela recente passagem de furacões. No Golfo do México, os prêmios são indicados entre 80 e 100 cents, o que torna o produto norte-americano mais atrativo para os importadores.
– O DERAL informa que o plantio de soja no Paraná chega a 7%, ante 3% da semana anterior. Na mesma época do ano passado o plantio ainda não tinha começado. As lavouras se apresentam em boas condições e estão nos seguintes estágios: 77% em germinação e 23% em desenvolvimento vegetativo. O departamento estima uma área de 5,62MH, aumento de 0,5% em relação ao ano anterior, com produção de 20,9MT, ante 19,8MT da estação passada.
– Internamente, nos últimos dias, os preços são sustentados pela alta do câmbio, que vem compensando as perdas da cotação internacional, representada pela composição entre CBOT e prêmios. Mercado se mantém atento em relação à oferta e embarques norte-americanos e, sobretudo, na evolução do plantio no Brasil, onde o retorno das chuvas é irregular e escasso. O início dos trabalhos é lento e tímido em face das incertezas climáticas.
– Indicações de compra no oeste do estado na faixa de 170,00/172,00; negócios pontuais para indústrias locais podem ter ágios entre R$ 1,00/2,00 por saca. Em Paranaguá, indicações entre R$ 175,00/176,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local e do período de embarque.

MILHO – CBOT chega ao intervalo desta manhã com ganhos de 3 cents, cotada a U$ 5,36/dezembro. Ontem, houve queda entre 5 e 7 pontos nos principais vencimentos, pressionada pelo bom andamento da colheita nos EUA e pela fuga dos investidores de aplicações em ativos de risco.
– Hoje, o mercado busca certa recuperação, com ajuste de carteiras por parte de fundos e especuladores frente ao relatório de estoques trimestrais dos EUA que será divulgado amanhã. Analistas apostam em estoques na faixa de 29,6MT, ante 48,7MT na passagem do ciclo anterior.
– De acordo com o IMEA, até mesmo consumidores do Mato Grosso buscam oportunidades de trazer milho de fora, o que demonstra o quão apertada está a oferta neste ano. Fatores como a acentuada quebra de produção, altos volumes comprometidos antecipadamente e a isenção de taxas de importação sustentam certo fluxo do grão para o estado. Os poucos volumes internados entre janeiro e agosto chegaram ao estado 2,8% mais barato que o próprio grão disponível no estado. Em termos gerais, nos primeiros oito meses do ano, o Brasil importou cerca de 1,2MT; a previsão é que as importações ultrapassem a marca de 2,0MT até o fim do ano.
– No mercado interno, as indicações de compra, que se mostram estáveis há alguns dias e começam a dar sinais de reação. Um piso parece ter sido encontrado para este momento. Uma vez finalizada a colheita e entregue os contratos negociados antecipadamente, os produtores se mostram com ânimo para aguardar por preços mais atrativos. Isto indica que a oferta tende a ficar limitada no decorrer. Num ano em que há dependência de importações, é bom ficar atento nos preços internacionais e no câmbio. O comportamento do clima daqui para frente é outro fator que seguirá no radar dos agentes.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa de R$ 92,00/93,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 86,00/87,00.
CÂMBIO – Opera estável neste momento, cotado a R$ 5,43. Ontem, fechou em R$ 5,426 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).