Comentário de Mercado

SOJA – CBOT volta a operar no campo negativo neste início de semana e chega ao intervalo com perdas de 7 cents, a U$ 12,39/novembro. Este é o pior patamar deste o final do ano passado. O último fator de baixa foi o aumento dos estoques trimestrais dos EUA. Desde a última quinta-feira, as perdas acumuladas passam de 3,5%.
– De acordo com o USDA, em primeiro de setembro, havia 6,97MT de soja em solo norte-americano. Este volume determina os estoques de passagem de uma estação para a outra. O mercado imaginava algo como 4,7MT, o que daria suporte para os preços. Nos anos recentes, os menores estoques foram observados na temporada 2013/14, com apenas 2,5MT, e os preços atingiram o recorde histórico.
– Passado o choque do aumento dos estoques, o mercado seguirá atento em relação à colheita nos EUA e ao ritmo do plantio no Brasil, onde extensas áreas centrais e mais ao norte do cinturão de cultivo ainda sofrem com a falta de chuvas.
– O plantio da safra brasileira de soja chega a 4%, ante 1,5% da mesma época do ano passado e 4% de média histórica. O levantamento é da consultoria Safras & Mercado e foi divulgado na última sexta-feira. No Paraná, o plantio alcança 9%; no Mato Grosso, 8%; no Mato Grosso do Sul, 5%; em São Paulo, 2% e em Minas Gerais, 0,5%.
– O mês de setembro fechou com exportações brasileiras de soja de 4,83MT, informou a SECEX. Na temporada, o volume chega a 82,4MT, ante 81,3MT do mesmo intervalo do ciclo passado.
– Internamente, os preços são pressionados pela forte queda na bolsa norte-americana. O câmbio também se acomodou nos últimos dias, depois de ter chegado próximo de R$ 5,50 na semana passada. Os prêmios são indicados nas na faixa de 190/200 nos protos brasileiros.
– Indicações de compra no oeste do estado na faixa de 165,00/167,00; negócios pontuais para indústrias locais podem ter ágios entre R$ 1,00/2,00 por saca. Em Paranaguá, indicações ao redor de R$ 170,00/171,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local e do período de embarque.
MILHO – CBOT chega ao intervalo desta manhã com 2 cents negativos, cotada a U$ 5,39/dezembro. Apesar de estoques maiores nos EUA, o milho veio se equilibrando nos últimos dias em razão do apoio recebido do pit do trigo. O clima mais úmido em algumas regiões do Meio Oeste também deu suporte ao desacelerar o ritmo de colheita.
– As cotações de trigo na CBOT subiram cerca de 45 pontos (mais de 6%) nas duas últimas sessões, em resposta à queda acentuada dos estoques norte-americanos. De acordo com o USDA, os estoques de trigo eram de 48,5MT em 1º de setembro, cerca de 2,0MT abaixo do esperado pelo mercado. Em primeiro de setembro do ano passado, os estoques eram de 58,8MT.
– Em relação ao milho, o USDA constatou estoques de passagem de 31,4MT, contra uma expectativa de 29,6MT. No ano passado os estoques eram de 48,8MT.
– O México, grande importador de milho norte-americano, já importou 11,9MT no período de janeiro a agosto. Isto representa aumento de 9,5% no comparativo com as 9,8MT compradas mesmo período do ano anterior. As importações de países da América do Sul são mínimas (por questões logísticas) e mal chegam a 330 mil tons nestes primeiros oito meses do ano, com queda de 34% no comparativo com o mesmo período do ano passado. A produção mexicana de milho é estimada em 27,5MT e as importações, em 16,5MT.
– A SECEX informa que as exportações brasileiras de milho, em setembro, totalizaram 2,85MT, contra 6,60MT de setembro do ano passado. No acumulado desta estação, o volume chega a 10,5MT, ante 18,5MT do mesmo intervalo do ano passado.
– O plantio da safra verão chega a 37,2% em nível de Brasil, ante 34,5% do mesmo período no ano anterior e média histórica de 31%, segundo levantamento da agência Safras & Mercado. A área é estimada em ligeira alta, com 4,385MH, ante 4,353MH do ciclo passado. Os trabalhos de plantio chegam a 72,4% no Rio Grande do Sul, 59,6% no Paraná, 49,3% em Santa Catarina e 2% em São Paulo. Nos demais estados o cultivo ainda não foi iniciado.
– No mercado interno, as indicações de compra, que se mostram estáveis há alguns dias, começam a dar sinais de reação. Um piso parece ter sido encontrado para este momento. Apesar de operações pontuais, os produtores começam a restringir o volume de ofertas, aguardando pelo período de entressafra. Num ano em que há dependência de importações, é bom ficar atento nos preços internacionais e no câmbio. O comportamento do clima daqui para frente é outro fator que seguirá no radar dos agentes e irá influenciar o preço dos lotes disponíveis.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa de R$ 92,00/93,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 84,00/86,00.
CÂMBIO – Opera em alta neste momento, cotado a R$ 5,41. Na sexta-feira, fechou em R$ 5,368 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).