Comentário de Mercado

SOJA – Depois de cinco sessões em alta e ganhos de quase 4%, os preços da soja chegam ao intervalo desta manhã de quinta-feira, em Chicago, com perdas de 10 cents, cotada a U$ 12,35/novembro.
– A sustentação dos últimos dias foi promovida pela retomada das compras por parte da China, depois que melhores margens de esmagamento permitiram que a indústria voltasse a aumentar o volume de esmagamento. A demanda por farelos também está se normalizando.
– Por outro lado, as perdas verificadas na sessão de hoje são atribuídas a vendas técnicas promovidas por investidores diante dos recentes ganhos. Entra também nesta conta, a postura cautelosa dos investidores num cenário de certo afrouxamento do quadro de oferta e demanda, conforme indicado pelo USDA no último relatório de oferta e demanda, que prevê aumento da produção e dos estoques dos EUA e do mundo.
– O USDA acaba de divulgar que as exportações norte-americanas de soja totalizaram o volume expressivo de 2,88MT na última semana. No acumulado, as exportações chegam a 29,3MT, ante 45,3MT do mesmo período do ano passado. Os embarques também tiveram uma semana notável, com 2,21MT; no acumulado da estação chegam a 5,84MT, contra 11,4MT do mesmo intervalo da temporada passada.
-O USDA prevê a próxima safra mundial de soja em 385,1MT, com estoques finais em 104,6MT. A última colheita ficou em 365,3MT, com estoques finais de 99,2MT e, na temporada 2019/20, a produção foi de 339,9MT, com estoques finais de 95,5MT. Com produção em alta, os estoques estão se recompondo.
– Internamente, a formação do preço passa a ter como suporte a expressiva alta da taxa cambial. Com isto, mesmo com certo recuo nas cotações internacionais, as indicações de compra estão mais firmes. Os prêmios nos portos estão ligeiramente mais fracos, na faixa entre 180/190.
– Indicações de compra no oeste do estado na faixa de 170,00/171,00. Negócios pontuais para indústrias locais podem ter ágios de até R$ 2,00/3,00 por saca. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 174,00/175,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local e do período de embarque.

MILHO – CBOT chega ao intervalo desta manhã com queda de 3 cents, cotada a U$ 5,36/dezembro. Ontem, pregão encerrou com ganhos entre 8 e 9 pontos nos principais vencimentos, impulsionado pela boa demanda. Hoje, fundos e investidores realizam vendas aproveitando-se das recentes altas.
– O USDA divulgou há pouco que as exportações norte-americanas de milho somaram 1,27MT na última semana. Na estação, iniciada em 1º de setembro, o volume chega a 28,9MT, ante 28,3MT do mesmo período do ano passado. Os embarques acumulados chegam a 4,46MT, contra 5,40MT do mesmo intervalo da temporada passada.
– Na Argentina, o plantio de milho chega a 23,2%, em linha com mesmo período no ano passado; a média histórica para esta época é de 29,4%. O clima está levantando muitas inquietações. O padrão climático que vem se desenhando é de ocorrência do fenômeno La Niña, o que indica chance real de baixo volume de chuvas pelos próximos meses. Nas áreas centrais, o plantio já alcança entre 75%/80%; mais ao sul, entre 5%/20% e, no norte, os trabalhos mal foram iniciados.
– No mercado interno, as indicações de compra seguem pressionadas, com ausência generalizada de compradores. Por outro lado, os produtores seguem com restrições de ofertas, aguardando por melhores oportunidades no período de entressafra. Com isso, o volume de negócios é limitado. Com a recente alta do câmbio, há claros sinais de intensificação dos negócios no Mato Grosso com destino ao mercado esterno.
– Vagas indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 88,00/90,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 88,00/89,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Opera em forte alta, a R$ 5,65, no ponto mais alto desde abril. Mercado responde aos gastos excessivos do governo com o novo programa social, Auxílio Brasil, o que implicará em aumento da dívida pública e em mais incertezas econômicas; além disto, há claros sinais de rompimento do teto fiscal. Ontem, fechou em R$ 5,562. (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).