Comentário de Mercado

SOJA – Os preços da soja voltam a registrar perdas nos futuros de Chicago nesta manhã de terça-feira. Neste momento, manhã de terça-feira, opera com queda de 13 cents, a 12,28/janeiro, dando sequência ao movimento negativo iniciado ontem, quando os preços cederam 11 pontos.
– O mercado segue pressionado pela aversão ao alto grau de risco provocado pela rápida disseminação da nova variante do coronavírus.
– Os embarques de soja dos EUA ganham melhor ritmo. O USDA informou ter inspecionado 2,1MT na última semana. Na temporada, o volume embarcado soma 21,1MT, ante 27,3MT do mesmo intervalo do ano passado.
– Dada a lentidão inicial, analistas avaliam que o USDA dificilmente conseguirá cumprir o volume de exportações, previsto em 55,8MT. Houve reduções seguidas nestas estimativas. No ano passado foram exportadas 61,7MT.
– O Brasil segue com embarques muito ativos, tirando parte do quinhão historicamente pertencente aos EUA; foram 3,3MT em outubro (ante 2,4MT de outubro do ano passado) e novembro deve fechar com mais de 2,5MT (ante 1,4MT de novembro de 2020). Além da continuidade de exportações na entressafra, o Brasil, dentro da normalidade, verá a colheita da temporada 2021/22 chegar mais cedo ao mercado.
– Enquanto isto, na América do Sul, que também é foco de atenção, sobretudo por causa da presença do fenômeno La Niña, as condições climáticas, de maneira geral, estão adequadas, embora haja bolsões isolados com falta de chuvas.
– Já está em operação na B3 um novo contrato futuro para negociações com soja. A referência de preço é o Porto de Santos e a unidade de negociação é em dólares por tonelada métrica. Cada contrato tem 34 tons. É mais uma tentativa de atrair o produtor para travar preços, ficando menos dependente da rigidez dos contratos firmados diretamente com tradings e industrias.
– Sendo um contrato negociado com base num centro de negócios em território brasileiro, irá incluir duas das variáveis formadoras do preço: CBOT e prêmios. Porém, como o contrato é negociado em dólares, e não em reais, a variação cambial permanecerá aberta e uma trava completa exigirá novas operações com a moeda e custos adicionais.
– Em face da recente queda de preços, o mercado doméstico entrou novamente em lentidão, com negócios apenas pontuais. Prêmios nos portos são indicados entre 120/140 no mercado spot; entre 40/50 para fevereiro.
– Indicações de compra no oeste do estado na faixa de 162,00/163,00. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 167,00/169,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local e do período de embarque.

MILHO – Na CBOT, o milho opera em queda de 7 pontos neste momento, cotado a U$5,73/dezembro. Ontem, a sessão registrou perdas entre 5 e 9 cents nos contratos mais próximos, diante de temores com a nova variante do coronavírus. As inspeções de embarques dos EUA, abaixo do esperado, também contribuem para o mau momento.
– As inspeções de embarque de milho norte-americano ficaram em 0,76MT, abaixo do que analistas previam; na semana anterior foram 0,82MT. No acumulado da temporada, iniciada em 1º de setembro, os embarques somam 8,6MT, contra 10,3MT do mesmo período da temporada passada.
– Depois de atingir os maiores patamares em nove anos na CBOT, os preços do trigo vêm caindo nas últimas sessões diante da previsão de melhora do clima nos EUA e com estimativas de aumento na produção da Austrália. Dessa forma, os estoques globais, que eram uma preocupação dos mercados, podem ficar mais folgados. Esta pressão sobre o trigo, acabou afetando também os preços do milho.
– No Brasil, as atenções se voltam para o comportamento do clima. Algumas regiões, como em setores do Rio Grande do Sul, as preocupações se avolumam em razão da falta de umidade.
– O mercado interno sinaliza certa melhora no ritmo de negócios, com mais compradores mostrando interesse. Do lado vendedor, percebe-se diminuição da oferta ou aumento dos preços sugeridos para venda. De um lado, cresce a necessidade de reposição de estoques; porém, do outro, mesmo com retenção dos volumes da oferta, logo aparecerá a necessidade de vendas para liberar espaço para acomodação da próxima colheita.
– A queda de preços dos últimos meses despertou o interesse por negócios na exportação, com suporte vindo do câmbio e da firmeza dos preços internacionais. Isto chama a atenção das integrações produtoras de carnes, que são grandes consumidoras de milho.
– Se escapar mais produto pelo canal externo (o line-up de navios indica exportações de cerca de 3,0MT em novembro), diminuirá a disponibilidade interna, com implicações futuras sobre os preços e sobre os volumes de importação, num ano em que o quadro de oferta e demanda se mostra extremamente apertado.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 83,00/85,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 88,00/89,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Opera estável neste momento, na faixa de R$ 5,61. Ontem encerrou em R$5,613 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).