Comentário de Mercado

SOJA – Preços da soja voltam a operar em alta nos futuros de Chicago. Neste momento, manhã de quinta-feira, registra ganhos de 6 cents, a U$12,34/janeiro. Ontem, o mercado retornou ao campo positivo, com alta entre 7 e 11 pontos nos principais vencimentos, depois de perdas de cerca de 35 cents nas duas primeiras sessões da semana.
– A alta generalizada dos mercados reflete certo alívio com as recentes informações de que a variante ômicron do coronavírus pode não ser tão transmissível e tão letal como se previa inicialmente e, também, que as atuais vacinas podem ser combativas contra esta cepa.
– O mercado se mantém atento a duas importantes variáveis: fluxo de demanda e comportamento do clima na América do Sul.
– Em relação à demanda, os participantes andam preocupados com o atraso das vendas e dos embarques norte-americanos, embora, ontem, rumores davam conta de que teria sido negociado pelo menos cinco cargueiros com destino à China. O Brasil também é citado como fornecedor.
– No acumulado, as exportações dos EUA estão em cerca de 70% do ritmo verificado no ano passado: 36,2MT, contra 52,3MT. Já, os embarques somam até aqui, na temporada, 21,07MT, ante 27,06MT do ciclo passado. Os dados são do USDA, divulgados há pouco.
– No que concerne ao clima, o noticiário internacional volta a citar a falta de chuvas na porção
Sul do Brasil, notadamente no Rio Grande do Sul. O plantio no estado está na faixa de 70% e há relatos de perdas e necessidade de replantio. Os demais estados do Sul, Paraná e Santa Catarina também contam com bolsões de estiagem, mas ainda não há avaliações sobre perdas.
– As exportações brasileiras de soja seguem muito ativas. De acordo com a SECEX, em novembro foram embarcadas 2,59MT, ante 1,44MT de novembro do ano passado. O line-up de navios indica que dezembro e janeiro manterão desempenho similar.
– Disto se pode tirar duas conclusões: primeira, dada a lentidão das vendas por parte do produtor, existe ainda um bom volume de soja remanescente da última colheita, entre 5% e 7%, e o setor exportador se mantém altamente competitivo no confronto com a indústria. Segunda, que o Brasil segue conquistando uma parcela do mercado internacional que, historicamente, pertence aos EUA nesta época do ano.
– Em face da recente queda de preços, o mercado doméstico se mantém lento, com negócios apenas pontuais. Produtores vivem a expectativa de retomada das altas neste período de entressafra. Prêmios nos portos são indicados entre 125/140 no mercado spot; entre 45/55 para fevereiro.
– Indicações de compra no oeste do estado na faixa de 163,00/164,00. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 168,00/169,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local e do período de embarque.

MILHO – Na CBOT, o milho opera em alta de 6 pontos neste momento, cotado a U$5,78/dezembro. Ontem, a sessão registrou ganhos de 3 a 5 cents nos principais vencimentos.
– Mercado reage diante da venda de milho norte-americano para outros países, inclusive para a Colômbia (150 mil tons). Também entra nesta conta a alta do petróleo e melhores notícias sobre as possibilidades de combate à nova variante do coronavírus.
– Além disto, há sinais de retomada da produção de etanol nos EUA, depois de cair 4% na semana passada. O setor se mostra muito ativo e competitivo em face da alta dos derivados de petróleo.
– Além das variáveis citadas, o comportamento do clima na América do Sul é elemento chave para o futuro dos preços. O Sul do Brasil mostra sinais de que o cenário começa a ficar preocupante e é urgente o retorno de chuvas. O mesmo ocorre em partes da Argentina.
– Estado com maior urgência de chuvas, o Rio Grande do Sul reporta que as regiões mais ao noroeste já estão em estiagem há cerca de 40 dias. Nestas áreas as perdas são consideráveis, pois as espigas são menores e a polinização foi decepcionante. Em Santa Catarina e Paraná, as lavouras, no geral, estão em boas condições, mas, a previsão do tempo para o restante do ciclo não é nada animadora.
– A queda de preços internos dos últimos meses despertou o interesse por negócios no exterior, tanto que as exportações em novembro, segundo a Secex, somaram 2,4MT, ante 1,79MT de setembro. O line-up de navios indica números bem ativos para dezembro; as exportações do ano podem ultrapassar as 18,0MT. Câmbio firme e preços internacionais mais alto ajudam nesta conta.
– Na medida em que mais produto escape pelo canal exportador, vai diminuindo a disponibilidade interna. Isto terá implicações futuras sobre os preços e sobre os volumes de importação. O consumo doméstico está estimado entre 72,0/73,0MT; o quadro de oferta e demanda se mostra extremamente apertado.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 84,00/85,00 no oeste do estado; em Paranaguá, entre R$ 87,00/88,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Opera em leve queda neste momento, na faixa de R$ 5,64. Ontem encerrou em R$5,671 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).