Comentário de Mercado

SOJA – Os preços da soja operam em queda de 3 cents, a U$ 12,64/janeiro, neste momento, manhã de segunda-feira. Fundos atuam na ponta vendedora, depois dos sólidos ganhos observados nos últimos três pregões. Os fundamentos, nos entanto, se mostram positivos e o mercado tende a retomar os ganhos.
– O mercado segue atento e monitorando a demanda, sobretudo por parte da China. Mas o ponto mais intrigante e central para o futuro dos preços passa a ser o agravamento do clima seco na América do Sul, notadamente nos estados do Sul do Brasil. O La Niña deste ano se mostra um dos mais agressivos dos últimos ciclos, tanto em extensão quanto em profundidade.
– O plantio da safra brasileira chega a 94,5%, ante 88,9% da mesma data do ano passado e 91,7% de média histórica – indica levantamento da consultoria Safras & Mercado. Nos estados do PR, MT, MS e GO os trabalhos estão encerrados. Em MG está em 99%; na BA, em 92% e no RS, em 81%.
– Enquanto isto, na Argentina os trabalhos de implantação das lavouras chegam a 50%, ante 41% da mesma data do ano passado. A área está projetada em 16,25MH, contra 16,65MH do ciclo passado. Dados são do Ministério da Agricultura.
– Na última sexta-feira, o mercado interno voltou a ganhar agilidade, com preços em alta e melhor ritmo de negócios. As cotações foram impulsionadas por alta no câmbio, que chegou a operar próximo de R$ 5,70, e pelos bons ganhos observados na CBOT. O cenário atual indica que os produtores irão ficar com um olho no mercado e outro nas condições das lavouras que, notadamente, nos estados do Sul, estão passando por um momento crítico de estiagem.
Prêmios nos portos são indicados entre 130/150 no mercado spot; entre 45/55 para fevereiro.
– Indicações de compra no oeste do estado na faixa de 164,00/166,00. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 170,00/171,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local e do período de embarque.

MILHO – Na CBOT, o milho opera em baixa de 3 pontos neste momento, cotado a U$5,81/março. O último pregão terminou com ganhos entre 6 e 9 cents nos principais vencimentos. Hoje, mercado opera em baixa diante de vendas mais pesadas por parte de investidores, mas o cenário fundamental também indica a possibilidade concreta de retorno ao campo positivo no decorrer.
– O México importou 14,6MT de milho dos EUA nos dez primeiros meses do ano, aumento de 7% sobre as 13,6MT do mesmo período no anterior. Para a temporada que vem, são esperadas compras de 17,9MT. As importações originadas na América do Sul são mínimas, de apenas 0,44MT neste período, ainda abaixo das 1,04MT compradas na temporada anterior. A produção doméstica de milho ficou em 27,5MT neste ano.
– O line-up de navios nos portos brasileiros indica embarques da ordem de 3,6MT em dezembro. Novembro já mostrava a retomada das exportações. Isto vem ocorrendo em razão da queda dos preços domésticos, combinado com alta dos preços internacionais e do câmbio. As exportações desta temporada, que eram previstas entre 15,0MT e 16,0MT por causa das drásticas perdas na safrinha, podem ultrapassar 18,0MT e comprometer ainda mais ao abastecimento interno para o primeiro semestre de 2022.
– No mercado interno, devido à falta de chuvas, as ofertas estão desaparecendo, com recuo acentuado por parte dos produtores. No RS, avaliações da consultoria Safras & Mercado, indicam que pode haver perdas de até 30% caso não ocorram chuvas em bom volume durante dezembro. No PR e SC ainda não há situações extremas, mas, se não chover logo, o potencial produtivo também irá cair drasticamente.
– A queda de preços internos dos últimos meses despertou o interesse por negócios no exterior, tanto que as exportações em novembro, segundo a Secex, somaram 2,4MT, ante 1,79MT de outubro e podem ultrapassar 3,5MT em dezembro. Câmbio firme e preços internacionais mais altos ajudam nesta conta.
– Produtores se mantêm recuados. Mostram interesse somente a preços mais altos. O ambiente de negócios e formador do preço vem mudando rapidamente em razão do aumento das exportações e da perspectiva de queda da produção da safra de verão.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 85,00/86,00 no oeste do estado; vendedores firmam indicações acima de R$ 90,00. Em Paranaguá, entre R$ 88,00/89,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Opera estável neste momento, na faixa de R$ 5,67. Na última sessão, encerrou em R$5,677 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).