Comentário de Mercado

SOJA – CBOT opera em leve baixa, a U$ 12,60/janeiro, neste momento, manhã de terça-feira. Ontem, o mercado trabalhou entre os campos positivo e negativo e acabou fechando em queda entre 4 e 5 cents nas posições mais próximas.
– Os participantes seguem monitorando o comportamento da demanda e, sobretudo, a falta de chuvas no sul do Brasil e em partes da Argentina e mostram preocupações com o abastecimento global. No Rio Grande do Sul, onde a situação climática é mais crítica, o plantio está em 80%, um pouco à frente da mesma época do ano passado. Em nível de Brasil, a Conab informa que 95,1% dos campos já estão semeados, ante 90,2 da mesma data do não passado.
– Os negociadores buscam ajustar suas carteiras em face do relatório de oferta e demanda de dezembro, que será apresentado pelo USDA nesta quinta-feira. O mercado aposta em ligeira alta dos estoques norte-americanos e, por extensão, também dos estoques mundiais. Sobre a produção brasileira, é bem provável que o relatório não traga nenhuma alteração significativa em relação ao mês anterior.
– Em novembro as importações da China somaram 8,6MT, um volume abaixo das 9,6MT de novembro do ano passado, mas bem acima do montante observado em outubro deste ano, que foi de 5,1MT. Os dados são do serviço alfandegário do país.
– No período janeiro-novembro deste ano, as importações chinesas totalizaram 87,7MT, queda de 5,5% no comparativo com o mesmo período de 2020. A redução das importações foi mais acentuada no segundo semestre, período no qual houve queda acentuada das margens de produção de suínos, atingindo diretamente a demanda por farelos e rações.
– O USDA informou ter inspecionado o embarque de 2,25MT de soja na última semana. Na temporada, foram embarcadas para o exterior 23,6MT, ante 29,9MT do mesmo intervalo do ano passado.
– O mercado interno tem um começo de semana com atenções redobradas. De um lado, observa-se a continuidade da estiagem em extensas regiões do Sul do país; de outro, os participantes passaram a adotar uma atitude mais restritiva quanto às ofertas, ao mesmo tempo em que monitoram os boletins climáticos. Volume de negócios é baixo e apenas pontual.
– Prêmios nos portos são indicados entre 130/150 no mercado spot; entre 45/55 para fevereiro.
– Indicações de compra no oeste do estado na faixa de 164,00/166,00. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 170,00/171,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local e do período de embarque.

MILHO – Na CBOT, o milho opera zerado neste momento, cotado a U$5,83/março. O último pregão terminou com perdas de até 2 cents nos principais vencimentos. Fundos e investidores se posicionam frente ao relatório mensal de oferta e demanda (WASDE), que será divulgado pelo USDA nesta quinta-feira.
– O relatório de oferta e demanda não deverá trazer maiores novidades. A produção de milho norte-americano já está praticamente consolidada em 382,6MT. Algum ajuste é esperado nos estoques finais, com pequena queda tanto nos estoques mundiais, quanto nos estoques dos EUA, que são avaliados na média de diversas consultorias em 304,2MT e em 37,7MT, respectivamente.
– O USDA informou que foi inspecionado o embarque de 0,76MT de milho na semana passada, elevando o total da estação para 9,4MT, ante 11,2MT de igual período do ciclo anterior.
– A produção de milho da China deve alcançar 272,6MT, aumento de 4,6% em relação ao ano anterior, quando a colheita chegou a 260,0MT. A razão principal é o aumento da área semeada. A produção de trigo teve aumento de 2%, chegando a 136,9MT. A China é o maior produtor mundial de grãos. Na somatória dos principais produtos (milho, trigo, arroz, cevada, sorgo, canola e soja) a produção, neste ano, deve somar 683,0MT, alta de 2% em relação a temporada passada.
– No mercado interno, devido à falta de chuvas, as ofertas estão ficando mais escassas, com recuo do interesse de venda. No RS, avaliações da consultoria Safras & Mercado, indicam que pode haver perdas de até 30% caso não ocorram chuvas em bom volume durante dezembro. No PR e SC ainda não há situações extremas, mas, se não chover logo, o potencial produtivo também irá cair drasticamente.
– A queda de preços internos dos últimos meses despertou o interesse por negócios no exterior, tanto que as exportações em novembro, segundo a Secex, somaram 2,4MT, ante 1,79MT de outubro e podem ultrapassar 3,5MT em dezembro. Câmbio firme e preços internacionais mais altos ajudam nesta conta.
– Produtores se mantêm recuados. Mostram interesse somente a preços mais altos. O ambiente de negócios e formador do preço vem mudando rapidamente em razão do aumento das exportações e da perspectiva de queda da produção da safra de verão.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 85,00/86,00 no oeste do estado; vendedores firmam indicações acima de R$ 90,00. Em Paranaguá, entre R$ 88,00/89,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Opera em leve queda neste momento, na faixa de R$ 5,66. Ontem fechou em R$5,693 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).