Comentário de Mercado

SOJA – Preços da soja voltam a operar em queda (9 cents), a U$ 12,40/janeiro, neste momento, manhã de quarta-feira, nos futuros de Chicago. Ontem houve perdas entre 8 e 11 cents nos principais vencimentos. A semana segue marcada por perdas, com investidores posicionando suas carteiras para receber o relatório de oferta e demanda.
– Amanhã o USDA irá divulgar o relatório mensal de oferta e demanda referente a dezembro. O mercado aguarda um ligeiro aumento dos estoques norte-americanos e mundiais. Sobre a produção brasileira, é provável que o USDA ainda não promova nenhuma alteração significativa em relação ao mês anterior.
– O mercado monitora de perto a demanda chinesa, bem como o clima na América do Sul. Em relação à China, os investidores andam preocupados com certa lentidão nas compras. No período janeiro-novembro, as importações somaram 87,7MT, um volume 5,5% menor do que aquele apurado no mesmo período do ano passado. Restando apenas o mês de dezembro para ser computado, tudo indica que a meta de 100,0MT, previstas para as importações chinesas, não será alcançada neste ano.
– Crescem as preocupações com o avanço do clima seco na América do Sul, notadamente nos estados do Sul do Brasil e em partes da Argentina. Relatos de produtores, com fotos e vídeos, mostram a gravidade da situação. Em alguns casos, as perdas se avolumam e as plantações apresentam baixa capacidade de recuperação, mesmo que chova nos próximos dias.
– O mercado interno segue lento, monitorando os desdobramentos do clima. Os participantes passaram a adotar uma atitude mais restritiva quanto às ofertas, ao mesmo tempo em que monitoram os boletins climáticos. Volume de negócios é baixo e apenas pontual.
– Prêmios nos portos são indicados entre 110/130 no mercado spot; entre 40/50 para fevereiro.
– Indicações de compra no oeste do estado na faixa de 161,00/163,00. Em Paranaguá, indicações na faixa de R$ 165,00/167,00 – dependendo de prazo de pagamento e, no interior, também do local e do período de embarque.

MILHO – Na CBOT, o milho opera em leve queda (1 a 2 cents) neste momento, cotada a U$5,85/março. Ontem, o pregão terminou com ganhos de 2 cents nos principais vencimentos. Mercado segue um tanto incerto, com investidores e fundos buscando posicionar-se frente ao relatório de oferta e demanda, que será divulgado amanhã, às 14h.
-O relatório de oferta e demanda não deverá trazer maiores novidades. A produção de milho norte-americano já está praticamente consolidada em 382,6MT. Algum ajuste é esperado nos estoques finais, com pequena queda tanto nos estoques mundiais, quanto nos estoques dos EUA, que são avaliados na média de diversas consultorias em 304,2MT e em 37,7MT, respectivamente.
– Ontem, o governo dos EUA divulgou comunicado sugerindo que pode haver uma nova redução na incorporação de etanol e biodiesel na gasolina e no diesel. Se isto efetivamente for confirmado pelas câmaras que decidem a questão, haverá menor uso tanto de soja quanto de milho para a produção de biocombustíveis. O governo também sugeriu aumentar a cota de subsídios para este segmento industrial, largamente afetado pela pandemia.
– Com a queda dos preços domésticos entre setembro e novembro, aumentou o interesse por negócios no mercado exportador – que foi viabilizado pela alta dos preços internacionais e pelo câmbio, que chegou a operar próximo de R$ 5,70. Segundo a Secex, em novembro foram exportadas 2,4MT, ante 1,79MT de outubro. Em dezembro, a tomar por base o line-up de navios, o volume pode chegar a 3,4MT. Somente nos primeiros três dias do mês (que é o cômputo da semana passada) os embarques somaram 0,41MT.
– De acordo com DERAL, as lavouras de milho no Paraná estão avaliadas com 90% em boas condições, 9% regulares e 1% ruim. Na semana anterior, os índices eram de 95% em boas condições e 5% regulares. Os estágios de desenvolvimento são os seguintes: 39% na fase de desenvolvimento vegetativo, 48% em floração e 13% em frutificação. A safra de verão no estado segue projetada em 4,19MT, contra 3,11MT colhidas na estação verão passada.
– No mercado interno, devido à falta de chuvas, as ofertas estão ficando mais escassas, com recuo do interesse de venda. Relatos indicam perdas, sobretudo em algumas regiões do Rio Grande do Sul, de até 30%. Nos estados do PR e SC a situação também vem se agravando.
– Produtores se mantêm recuados. Mostram interesse somente a preços mais altos. O ambiente de negócios e formador do preço vem mudando em razão de duas frentes: do aumento das exportações e da perspectiva de queda da produção da safra de verão.
– Indicações de compra são sugeridas na faixa entre R$ 85,00/86,00 no oeste do estado; vendedores firmam indicações acima de R$ 90,00. Em Paranaguá, entre R$ 88,00/89,00 – dependendo de prazos de pagamento e, no interior, também da localização do lote.
CÂMBIO – Opera praticamente zerado neste momento, na faixa de R$ 5,61. Ontem fechou em R$5,619 (Granoeste Corretora: Camilo / Stephan).